MISTÉRIOS DESVELADOS
POR GODFRÉ RAY KING
UMA PUBLICAÇÃO DA SAINT GERMAIN PRESS
Traduzido para o português do Brasil por www.bibledunouvelage.org, 2026
GOD-FREE
Nunca modifique nem venda estes Ensinamentos, pois eles pertencem a Deus
A partir da
SEGUNDA EDIÇÃO
1935
Publicado por
SAINT GERMAIN PRESS
P.O. BOX 1133
CHICAGO, ILLINOIS
U.S.A.
DEDICATÓRIA
Esta série de livros é dedicada, no mais profundo Amor Eterno e Gratidão, ao nosso Amado Mestre, Saint Germain, à Grande Fraternidade Branca, à Fraternidade do Royal Teton, à Fraternidade do Monte Shasta e aos demais Mestres Ascensionados cuja ajuda amorosa foi direta e sem limites.
NOTA DO EDITOR
A PEDIDO do Mestre Ascensionado Saint Germain e do Alto Mestre de Vênus, o material deste livro é escrito de maneira simples e direta, sem qualquer tentativa de se conformar a padrões literários artificiais ou à autoridade do mundo exterior.
Eles disseram: «Esta série de livros deve ser divulgada em um estilo moderno e simples que o leitor comum possa compreender facilmente.»
Portanto, a Luz e o Sentimento Interiores foram considerados de primordial importância na apresentação desta Verdade, e as palavras usadas para expressar essa Luz e esse Sentimento são as mais diretas e de mais fácil compreensão para o leitor.
Os Mestres Ascensionados jamais usam terminologia complexa, independentemente de qualquer opinião humana, pois quanto mais alguém se aproxima da Verdade Eterna, mais direta e concisa é a linguagem que a reveste.
Ao apresentar este livro aos nossos leitores, mantivemos a Luz e o Sentimento em primeiro lugar e a forma literária inteiramente em segundo plano.
O material dos dois primeiros livros é simplesmente um registro das experiências do autor na ordem em que os acontecimentos ocorreram, exposto com a maior clareza possível e em palavras que transmitam ao leitor o sentimento dessas experiências.
Se o leitor tiver isso em mente, também será capaz de receber o derramamento de Luz que abrirá oportunidades para que experiências transcendentes semelhantes lhe ocorram de maneira perfeitamente normal, segura e harmoniosa, para sua bênção e Iluminação permanentes.
Em amoroso serviço à Luz,
LOTUS RAY KING
TRIBUTO
CHEGOU o tempo em que a Grande Sabedoria, mantida e guardada durante muitos séculos no Extremo Oriente, deve agora surgir na América, por ordem daqueles Grandes Mestres Ascensionados que dirigem, protegem e auxiliam na expansão da Luz no interior da humanidade nesta Terra.
Ao longo desta série de livros, o Grande Mestre Ascensionado Saint Germain é um desses Poderosos Emissários da Hierarquia Espiritual dos Mestres Ascensionados que governam este planeta.
Ele é a mesma Grande «Presença» Mestra que atuou na Corte da França antes e durante a Revolução Francesa e cujos conselhos, se tivessem sido atendidos, teriam evitado grande sofrimento. Foi por causa de Seu transcendente Poder Divino que Ele era então chamado de «Der Wundermann» da Europa. Ele está indissoluvelmente ligado à América — passada, presente e futura —, pois uma parte muito importante de seu trabalho nesta Terra consiste em purificar, proteger e iluminar o povo da América, para que ela possa ser a Portadora do «Cálice de Luz» para as nações da Terra na Era de Ouro que se abre diante de nós.
A própria liberdade da América, no início de sua existência, deveu-se em grande parte aos seus incansáveis esforços em proteger e encorajar aqueles responsáveis por sua formação. A redação da Declaração da Independência também foi resultado direto de sua ajuda e influência, e foram seu amor, sua proteção e sua orientação que sustentaram Washington e Lincoln durante as horas mais sombrias de suas vidas.
Este Amado Irmão da humanidade, que trabalha incansavelmente por sua Luz e Liberdade, ainda agora, no momento presente, na América, atua no mundo dos assuntos governamentais e promove certas mudanças benéficas que abençoarão a América e, por meio dela, o mundo. Ainda levará muitos anos para que as pessoas da América e da Terra saibam quanto do bem de que desfrutam devem a este Grande Mestre Ascensionado, a quem é impossível fazer plena justiça, exceto no mais profundo amor, obediência e serviço ao Ideal que ele representa e pelo qual trabalha incessantemente.
Este conhecimento íntimo de suas atividades em nosso país torna possível um sentimento de contato próximo e de amor por ele, que se torna uma força viva e tangível na vida do leitor.
A Radiação deste livro é tal que só pode ser transmitida por um Mestre Ascensionado que, neste caso, é o Grande e Amado «Portador da Luz», Saint Germain.
GODFRÉ RAY KING
PREFÁCIO
FOI graças à assistência de Saint Germain que tive o privilégio de viver as experiências registradas nesta série de livros e que foi concedida permissão para apresentá-las em uma forma que pudesse ser oferecida ao público. Ninguém pode compreender, a menos que também tenha recebido assistência semelhante, quão grandes e eternos são meu amor e minha gratidão a ele e aos outros Mestres Ascensionados cuja assistência recebi.
Com exceção de Saint Germain, os verdadeiros nomes dos Mestres Ascensionados, os locais exatos, os registros e o tesouro aqui descritos são intencionalmente mantidos em segredo — por ordem dele — por razões óbvias, pois somente por meio do Serviço de Amor e de um convite dos Mestres Ascensionados se conquista o direito de estar com eles em corpos visíveis, tangíveis, vivos e respirantes. Qualquer outra forma de aproximação está destinada à decepção e ao fracasso, pois a Grande «Presença» e o Poder que os guardaram ao longo dos séculos ainda os guardam.
A pureza Interior, a força e a realização do próprio indivíduo são os únicos passaportes pelos quais alguém entra nessas atividades e passa a associar-se aos Mestres Ascensionados. Quando um indivíduo, por meio da autocorreção consciente de suas fraquezas, atinge determinado ponto, nada no universo pode mantê-lo afastado Deles.
Na América encontra-se um dos mais Antigos Focos da Grande Fraternidade Branca, que trabalha pela liberdade do homem desde seu advento neste planeta. Algumas das atividades dentro deste Retiro são reveladas ao leitor para que ele, se estiver preparado, possa estabelecer contato consciente, por meio de sua própria Luz Interior, com a Luz Maior que se derrama através deste poderoso centro de Radiação Divina e, assim, beber novamente da Fonte da Sabedoria Antiga e levar o Cálice de Cristal da Paz, do Amor e da Força a seus irmãos cansados.
O propósito de colocar este livro nas mãos do público é transmitir ao indivíduo o encorajamento e a força que o elevarão e sustentarão durante o período de transição em que nos encontramos, e revelar algo do fundamento sensato e sólido sobre o qual, nesta hora, estão sendo construídos o futuro de nosso país e a era vindoura.
Este livro foi escrito no abraço da majestosa e imponente presença do Monte Shasta, cujo cume está para sempre revestido daquele branco puro e cintilante, símbolo da «Luz da Eternidade». Suas páginas são um registro do caminho pelo qual fui colocado em contato com o Amado Mestre Saint Germain e com os outros Grandes Mestres Ascensionados que trabalham incessantemente para auxiliar a humanidade desta Terra enquanto ela luta no caminho para a Paz, o Amor, a Luz e a Perfeição Eterna.
Eu, que vivi essa experiência, mantive-me firmemente fiel a um grande desejo dominante vindo do Interior: ver, ouvir e conhecer, infalivelmente, a Verdade da Vida. Fui conduzido, passo a passo, a reconhecer e aceitar a Poderosa «Presença» Divina dentro de meu próprio Ser — a «Luz que ilumina todo homem que vem ao mundo» — o «Cristo». Foi-me revelado um modo de entrar em contato com a «Luz», Sua Onipresença Onisciente e Sua Atividade Infalível, e eu o ofereço ao leitor nestas páginas.
Só posso registrar uma parte dos acontecimentos que ocorreram e da instrução que recebi. Um a um, meus grandes desejos foram realizados, porque eram altruístas. Minha busca pela Verdade e pela felicidade foi longa e constante, mas encontrei ambas, e nenhum ser humano pode tirá-las de mim, porque são eternas e provêm de meu próprio Grande Eu Divino. Ao apresentar esta experiência, faço-o com a mais profunda oração para que o leitor possa receber a «Luz», ser abençoado e prosperar em seu caminho, à medida que percorre o Caminho da Verdade, no qual somente pode ser encontrada a felicidade permanente. Ali, e somente ali, aquele que busca a «Luz» encontrará Paz Eterna e Atividade no Serviço de Amor. Se meu esforço atual ao enviar estes livros ao mundo puder levar um pouco do Amor, da Luz e da Felicidade que recebi àqueles da Terra que também têm buscado a «Luz», terei sido amplamente recompensado.
O ditado «A verdade é mais estranha que a ficção» aplica-se a este livro. Cabe ao leitor aceitá-lo ou rejeitá-lo como preferir, mas os Mestres Ascensionados, cuja ajuda recebi, muitas vezes me disseram: — «Quanto mais a humanidade puder aceitar nossa Presença, mais amplamente abrirá a porta para que Nós derramemos sobre ela uma ajuda cada vez maior; mas o fato de aqueles que não concordam com esta Verdade Nos rejeitarem não remove nem a Nós nem essa Verdade da existência e da atividade no Universo.»
Aqueles que aceitam a Verdade aqui registrada verão uma nova e poderosa «Força» entrar em suas vidas. Cada exemplar leva consigo esta Poderosa «Presença», Sua Radiação e Seu Poder Sustentador. Todos os que estudarem estas páginas com honestidade, profundidade, sinceridade e perseverança conhecerão e entrarão em contato com a Realidade dessa «Presença» e desse Poder. Aos que leem esta obra, desejo dizer que estas experiências são tão reais e verdadeiras quanto a existência da humanidade nesta Terra hoje, e que todas ocorreram durante agosto, setembro e outubro de 1930, no Monte Shasta, Califórnia, EUA.
GODFRÉ RAY KING
A ASCENSÃO
Por CHANERA
Sinto Minha Chama Divina tocar minha fronte,
O Sopro do Amor — eterno agora,
Ergo meus olhos e eis que vejo
Meu próprio Grande Eu Divino sobre mim.
Uma nuvem deslumbrante envolve tudo,
Ouço Minha Própria «Presença» Divina chamar,
Sinto um ímpeto do grande poder do Amor,
Penetro profundamente em Seu Sopro — Sua Luz.
Vejo dentro desta Chama Pulsante,
Escuto e ouço meu Nome Secreto,
Sinto o resplendor — o Sopro da Grande Chama,
I AM o Vencedor da morte.
Ergo-me livre — ascensionado agora,
À Luz do meu coração, todas as coisas se curvam:
I AM um Ser de Causa apenas
E Essa Causa, Amor — o Tom Sagrado.
Derramo Vida — elevo, ergo,
Meu coração transborda e canta seu louvor,
Meu poder fortalece e inspira,
Meus Grandes Raios de Luz são os Próprios Fogos de Deus.
I AM um Sol, Meu Amor, Sua Luz;
Todo o mais empalidece — a Terra some de vista;
Eu sei que sou Deus — O Único,
A Fonte — O Grande, Grande Sol Central.
SUMÁRIO
CAPÍTULO I — Encontro com o Mestre 9
CAPÍTULO II — O Deserto do Saara 21
CAPÍTULO III — Royal Teton 35
CAPÍTULO IV — Mistérios de Yellowstone 48
CAPÍTULO V — Memórias Incas 54
CAPÍTULO VI — Cidades Submersas do Rio Amazonas 67
CAPÍTULO VII — O Vale Secreto 78
CAPÍTULO VIII — O Poder Onipresente de Deus 85
CAPÍTULO IX — Vênus Visita o Royal Teton 95
MISTÉRIOS DESVELADOS
CAPÍTULO I
Encontro com o Mestre
O Monte Shasta destacava-se imponente contra o céu do oeste, cercado em sua base por uma floresta de pinheiros e abetos que o fazia parecer uma joia de alvura brilhante como diamante, engastada numa filigrana verde. Seus picos cobertos de neve cintilavam e mudavam de cor de um momento para outro, à medida que as sombras se alongavam com o sol descendo em direção ao horizonte.
Corria o rumor de que havia ali um grupo de homens — Homens Divinos, na verdade — chamado Fraternidade do Monte Shasta, que formava um ramo da Grande Loja Branca, e de que esse Foco, desde tempos muito antigos, havia permanecido ininterrupto até os dias atuais.
Eu havia sido enviado, a serviço do governo, a uma pequena cidade situada ao pé da montanha e, enquanto me ocupava desse trabalho, empregava meu tempo livre tentando esclarecer esse rumor a respeito da Fraternidade. Por minhas viagens ao Extremo Oriente, eu sabia que a maioria dos rumores, mitos e lendas tem, em algum ponto de sua origem, uma Verdade profunda subjacente, que geralmente permanece desconhecida de todos, exceto daqueles que são verdadeiros estudantes da vida.
Apaixonei-me por Shasta e, todas as manhãs, quase involuntariamente, saudava o Espírito da Montanha e os Membros da Ordem. Eu percebia algo muito incomum em toda aquela região e, à luz das experiências que se seguiram, não me surpreende que algumas delas tenham lançado suas sombras antes de acontecer.
Longas caminhadas pelas trilhas haviam se tornado meu hábito sempre que eu queria refletir sozinho ou tomar decisões de grande importância. Ali, naquele grande Gigante da Natureza, eu encontrava recreação, inspiração e paz, que acalmavam minha alma e revigoravam minha mente e meu corpo.
Eu havia planejado uma dessas caminhadas, por simples prazer, como pensava, para passar algum tempo no coração da montanha, quando a experiência que se segue entrou em minha vida e a transformou tão completamente que eu quase poderia acreditar estar em outro planeta, não fosse meu retorno à rotina habitual na qual estivera envolvido havia meses.
Naquela manhã, parti ao amanhecer, decidido a seguir para onde a inspiração do momento me levasse e, de maneira um tanto vaga, pedi a Deus que dirigisse meu caminho. Ao meio-dia, eu já havia subido bastante pela encosta da montanha, de onde a vista para o sul era bela como um sonho.
À medida que o dia avançava, ficou muito quente, e eu parava com frequência para descansar e apreciar plenamente a extraordinária extensão da região ao redor do rio McCloud, do vale e da cidade. Chegou a hora do almoço, e procurei uma nascente na montanha para obter água límpida e fria. Com o copo na mão, inclinei-me para enchê-lo, quando uma corrente elétrica atravessou meu corpo da cabeça aos pés.
Olhei ao redor e, bem atrás de mim, estava um jovem que, à primeira vista, parecia ser alguém fazendo uma caminhada como eu. Observei-o mais atentamente e percebi imediatamente que não era uma pessoa comum. Enquanto esse pensamento passava por minha mente, ele sorriu e dirigiu-se a mim, dizendo:
«Meu Irmão, se me entregar seu copo, eu lhe darei uma bebida muito mais refrescante do que a água da fonte.» Obedeci e, instantaneamente, o copo se encheu de um líquido cremoso. Ao devolvê-lo a mim, ele disse:
«Beba.»
Eu bebi e devo ter deixado transparecer meu espanto. Embora o sabor fosse delicioso, o efeito elétrico e vivificante em minha mente e em meu corpo fez-me ofegar de surpresa. Eu não o vira colocar coisa alguma no copo e me perguntava o que estava acontecendo.
«Aquilo que você bebeu», explicou ele, «vem diretamente do Suprimento Universal, puro e vivificante como a própria Vida; na verdade, é Vida — Vida Onipresente —, pois existe em toda parte ao nosso redor. Ela está sujeita ao nosso controle e direção conscientes e obedece de bom grado quando Amamos o suficiente, porque todo o Universo obedece ao comando do Amor. Tudo o que desejo se manifesta quando ordeno em Amor. Estendi o copo, e aquilo que desejei para você apareceu. Veja! Basta eu estender a mão e, se desejar usar ouro — o ouro está aqui.» Instantaneamente, havia em sua palma um disco aproximadamente do tamanho de uma moeda de ouro de dez dólares. Então, ele continuou:
«Vejo em você certa compreensão Interior da Grande Lei, mas exteriormente você ainda não está suficientemente consciente Dela para produzir diretamente do Onipresente Suprimento Universal aquilo que deseja. Você desejou ver algo dessa natureza com tanta intensidade, tanta sinceridade e tanta determinação que isso já não podia mais lhe ser negado.
«Entretanto, a precipitação é uma das atividades menos importantes da Grande Verdade do Ser. Se seu desejo não estivesse livre do egoísmo e do fascínio pelos fenômenos, tal experiência não poderia ter chegado até você. Ao sair de casa esta manhã, você pensava que vinha fazer uma caminhada, isto é, no que dizia respeito à atividade exterior de sua mente. Num sentido mais profundo e mais amplo, você estava, na realidade, seguindo o impulso de seu Eu Divino Interior, que o conduziu à pessoa, ao lugar e à condição em que seu desejo mais intenso poderia ser realizado.
«A Verdade da Vida é que você não pode desejar aquilo cuja manifestação não seja possível em algum lugar do Universo. Quanto mais intenso for o sentimento contido no desejo, mais rapidamente ele será realizado. Entretanto, se alguém for insensato a ponto de desejar algo que prejudique outro filho de Deus ou qualquer outra parte de Sua Criação, essa pessoa pagará a penalidade, em forma de discórdia e fracasso, em algum ponto de sua própria experiência de Vida.
«É muito importante compreender plenamente que a intenção de Deus para cada um de Seus filhos é a abundância de toda coisa boa e perfeita. Ele criou a Perfeição e dotou Seus filhos exatamente do mesmo poder. Eles também podem criar e manter a Perfeição e expressar o Domínio Divino sobre a Terra e tudo o que nela existe. A humanidade foi originalmente criada à Imagem e Semelhança de Deus. A única razão pela qual todos não manifestam Domínio é que não usam sua Autoridade Divina — aquela de que cada indivíduo é dotado e pela qual lhe cabe governar seu mundo. Assim, não obedecem à Lei do Amor, derramando paz e bênçãos sobre toda a criação.
«Isso ocorre porque deixam de aceitar e reconhecer a si mesmos como Templos do Deus Vivo Altíssimo e de sustentar esse reconhecimento de modo permanente. A humanidade, em sua atual limitação aparente de tempo, espaço e atividade, encontra-se na mesma condição de uma pessoa necessitada a quem alguém estendesse uma mão cheia de dinheiro. Se a pessoa necessitada não desse um passo adiante e aceitasse o dinheiro que lhe é oferecido, como poderia algum dia receber o benefício que ele poderia lhe proporcionar?
«A massa da humanidade encontra-se hoje exatamente nesse estado de consciência e continuará nele até aceitar o Deus dentro de seus corações como o Proprietário, o Doador e o Realizador de todo o Bem que alguma vez entrou em suas vidas e em seu mundo.
«O eu pessoal de cada indivíduo deve reconhecer completa e incondicionalmente que a atividade humana ou exterior da consciência não possui absolutamente nada de próprio. Até mesmo a energia pela qual se reconhece o Grande Deus Interior é irradiada para o eu pessoal pelo Grande Eu Divino.
«O Amor e o louvor ao Grande Eu Interior, juntamente com a atenção mantida focalizada na Verdade, na saúde, na liberdade, na paz, no suprimento ou em qualquer outra coisa que você possa desejar para uso correto, quando sustentados persistentemente em seu pensamento e sentimento conscientes, trarão essas coisas ao seu uso e ao seu mundo tão certamente quanto existe uma Grande Lei de Atração Magnética no Universo.
«A Lei Eterna da Vida é: ‘Aquilo que você pensa e sente, você traz à forma; onde está seu pensamento, aí está você, pois você é sua consciência; e aquilo sobre o que você medita, você se torna.’
«Quando alguém permite que sua mente se detenha em pensamentos de ódio, condenação, luxúria, inveja, ciúme, crítica, medo, dúvida ou suspeita, e permite que esses sentimentos de irritação sejam gerados dentro de si, certamente terá discórdia, fracasso e desastre em sua mente, em seu corpo e em seu mundo. Enquanto persistir em permitir que sua atenção seja retida por tais pensamentos — quer sejam sobre nações, pessoas, lugares, condições ou coisas — estará absorvendo essas atividades para a substância de sua mente, de seu corpo e de seus assuntos. Na verdade, estará compelindo — forçando — essas atividades a entrar em sua experiência.
«Todas essas atividades discordantes alcançam o indivíduo e seu mundo por meio de seu pensamento e sentimento. O sentimento muitas vezes irrompe antes que a pessoa tenha consciência, na consciência exterior, do pensamento que poderia usar para controlá-lo; e esse tipo de experiência deveria ensiná-la quão grande é a energia acumulada, pelo hábito, em suas muitas criações.
«A atividade do sentimento na Vida é o ponto menos protegido da consciência humana. É a energia acumulativa pela qual os pensamentos são impulsionados para a substância atômica e, assim, os pensamentos tornam-se coisas. Eu lhe digo: jamais se pode enfatizar demais a necessidade de vigiar o sentimento, pois o controle das emoções desempenha o papel mais importante de todos na Vida para manter o equilíbrio na mente, a saúde no corpo, o êxito e a realização nos assuntos e no mundo do eu pessoal de cada indivíduo. Os pensamentos jamais podem tornar-se coisas até serem revestidos de sentimento.
«O Espírito Santo, ou Santo Espírito, é o aspecto do sentimento da Vida — Deus —, a Atividade do Amor Divino ou a Expressão Materna da Divindade. É por isso que o pecado contra o Espírito Santo é mencionado como aquilo que traz tamanho sofrimento, pois qualquer discórdia no sentimento viola a Lei do Amor, que é a Lei do Equilíbrio, da Harmonia e da Perfeição.
«O maior crime no Universo contra a Lei do Amor é a emissão quase incessante, pela humanidade, de toda espécie de sentimento irritado e destrutivo.
«Um dia, a raça humana chegará a compreender e reconhecer que as forças sinistras e destrutivas que se manifestam nesta Terra e em sua atmosfera — geradas, observe bem, pelo pensamento e pelo sentimento humanos — só entraram nos assuntos de indivíduos ou nações por falta de controle das emoções na experiência pessoal diária de cada um. Mesmo pensamentos destrutivos não podem expressar-se como ações ou acontecimentos, nem tornar-se coisas físicas, a não ser passando pelo mundo do sentimento; pois é nessa fase da manifestação que ocorre a atividade de fazer coalescer o átomo físico sobre as formas-pensamento.
«Assim como o ruído de uma explosão repentina causa um choque no sistema nervoso de quem o ouve — produzindo uma sensação de tremor na estrutura celular do corpo —, exatamente da mesma maneira as explosões de sentimento irritado chocam, perturbam e desorganizam a substância mais sutil na estrutura atômica da mente, do corpo e do mundo da pessoa que as emite, consciente ou inconscientemente — intencionalmente ou não.
«O sentimento discordante produz as condições que chamamos de desintegração, velhice, perda de memória e todas as demais falhas no mundo da experiência humana. O efeito sobre a estrutura do corpo é o mesmo que se produziria num edifício se a argamassa que mantém os tijolos unidos recebesse choques repetidos, aumentando a cada dia. Esse choque contínuo separaria as partículas que compõem a argamassa; o edifício desabaria numa massa caótica e a forma deixaria de existir.
«É isso que a humanidade está fazendo constantemente à estrutura atômica do corpo humano.
«Dar expressão, dentro de si, a pensamentos e sentimentos discordantes é o caminho de menor resistência e a atividade habitual do indivíduo pouco desenvolvido, indisciplinado e obstinado que se recusa a compreender a ‘Lei de seu próprio Ser’ e a levar o eu pessoal, que é apenas seu instrumento de expressão, à obediência a ‘Essa Lei’.
«Aquele que não pode ou não quer controlar seus pensamentos e sentimentos encontra-se numa condição muito desfavorável, pois todas as portas de sua consciência ficam escancaradas às atividades desintegradoras lançadas pelas mentes e emoções de outras personalidades. Não é preciso força, sabedoria nem treinamento para ceder a impulsos cruéis e destrutivos, e os seres humanos adultos que assim procedem não passam de crianças no desenvolvimento do autocontrole.
«É uma mácula sobre a Vida da humanidade que tão pouco controle das emoções lhe seja ensinado do berço ao túmulo. A Atenção a esse ponto específico é hoje a maior necessidade do mundo ocidental. É fácil ceder a pensamentos, sentimentos e atividades discordantes porque a massa da humanidade está, por assim dizer, submersa num ambiente e em associações inteiramente criados por ela própria.
«O indivíduo, por meio do controle de sua consciência exterior, deve fazer o esforço de elevar-se para fora dessa condição por sua própria livre vontade, a fim de transcender essas limitações permanentemente; e ninguém pode esperar livrar sua vida e seu mundo da miséria, da discórdia e da destruição enquanto não mantiver sob rédea seus próprios pensamentos e sentimentos. Desse modo, recusa-se a permitir que a Vida — fluindo através de sua mente e de seu corpo — seja qualificada pela discórdia resultante de cada pequeno acontecimento perturbador no mundo ao seu redor.
«No início, tal disciplina realmente exige esforço determinado e contínuo, pois os pensamentos e sentimentos de noventa e cinco por cento da humanidade correm tão livres e descontrolados quanto um cachorrinho vira-lata.
«Entretanto, não importa quanto esforço seja necessário para colocar essas duas atividades sob controle: vale qualquer quantidade de tempo, energia e esforço, e nenhum domínio real e permanente sobre a própria Vida e o próprio mundo pode ocorrer sem isso. Será meu prazer e privilégio ensinar-lhe o uso dessas Leis Superiores. Sua aplicação e seu uso permitirão que você libere a Verdadeira Sabedoria e produza toda Perfeição.
«O primeiro passo para o controle de si mesmo é aquietar toda a atividade exterior da mente e do corpo. Quinze a trinta minutos à noite, antes de se recolher, e pela manhã, antes de iniciar o trabalho do dia, utilizando o exercício a seguir, farão maravilhas por qualquer pessoa que faça o esforço necessário.
«Para o segundo passo: certifique-se de não ser interrompido e, depois de ficar muito quieto, visualize e sinta seu corpo envolvido por uma Luz Branca Deslumbrante. Durante os primeiros cinco minutos, mantendo essa imagem, reconheça e sinta intensamente a conexão entre o eu exterior e seu Poderoso Deus Interior, concentrando a atenção no centro do coração e visualizando-o como um Sol Dourado.
«O passo seguinte é o reconhecimento: ‘Agora aceito com alegria a plenitude da Poderosa Presença Divina — o Cristo Puro.’ Sinta o grande brilho da ‘Luz’ e intensifique-O em cada célula de seu corpo por pelo menos mais dez minutos.
«Então encerre a meditação com o comando: I AM um Filho da ‘Luz’ — eu amo a ‘Luz’ — eu sirvo à ‘Luz’ — eu vivo na ‘Luz’ — eu sou protegido, iluminado, suprido e sustentado pela ‘Luz’, e eu abençoo a ‘Luz’.
«Lembre-se sempre: ‘A pessoa se torna aquilo sobre o que medita’; e, uma vez que todas as coisas vieram da ‘Luz’, a ‘Luz’ é a Perfeição Suprema e o Controle de todas as coisas.
«A contemplação e a adoração da ‘Luz’ obrigam a iluminação a ocorrer na mente; fazem a saúde, a força e a ordem entrarem no corpo; e fazem a paz, a harmonia e o êxito manifestarem-se nos assuntos de cada indivíduo que realmente pratique isso e procure mantê-lo.
«Ao longo dos séculos, em todas as eras e sob todas as condições, todos aqueles que expressaram as maiores realizações da Vida nos disseram que a ‘Luz’ é Suprema — que a ‘Luz’ está em toda parte — e que na ‘Luz’ existem todas as coisas.
«Essa Verdade é tão verdadeira hoje quanto era há um milhão de anos. Até onde existem registros da humanidade, os sábios e os grandes de todas as eras são representados com uma radiação de ‘Luz’ ao redor deles, emanando da cabeça e do corpo de cada um.
«Essa ‘Luz’ é real — tão real quanto as luzes elétricas de suas casas. Não está distante o dia em que serão construídas máquinas capazes de revelar à visão física, para qualquer pessoa que deseje observá-la, a emanação de ‘Luz’ ao redor de cada indivíduo. Tal máquina também mostrará a contaminação ou descoloração que se torna uma nuvem ao redor da ‘Luz’ de Deus, gerada pelo eu pessoal por meio de pensamentos e sentimentos discordantes. É assim — e somente assim — que a energia da Grande Corrente de Vida é mal utilizada e qualificada de modo errado.
«Se você praticar fielmente este exercício e o sentir em cada átomo de sua mente e de seu corpo, com profunda, profunda intensidade, receberá abundante prova da Tremenda Atividade, do Poder e da Perfeição que permanecem e estão eternamente ativos dentro da ‘Luz’. Depois de experimentar isso, mesmo por pouco tempo, você não precisará de nenhuma outra prova. Você se torna sua própria prova. A ‘Luz’ é o Reino. Entre Nele e SEJA — em paz. Retorne à Casa do Pai. Após os primeiros dez dias de prática deste exercício, é aconselhável fazê-lo três vezes por dia — de manhã, ao meio-dia e à noite.
«Muitas vezes ouvimos a queixa: ‘Oh! Não posso dedicar todo esse tempo.’ A qualquer pessoa que pense assim, desejo dizer simplesmente isto:
«O tempo que a pessoa comum passa criticando, condenando e culpando pessoas, condições e coisas por não serem diferentes do que são, se empregado nesse reconhecimento e uso da ‘Luz’, fará o céu manifestar-se na Terra para o indivíduo que ousar tentar e tiver determinação suficiente para manter essa prática. Nada é impossível. A ‘Luz’ jamais falha.
«A ‘Luz’ é o Meio de Deus para criar e manter a Ordem, a Paz e a Perfeição em toda a Sua Criação. Todo ser humano nesta Terra pode ter todo o tempo que desejar para fazer isso quando seu desejo de fazê-lo for suficientemente intenso. A própria intensidade do desejo reorganizará o mundo das pessoas, condições e coisas de modo a proporcionar esse tempo, se ele sinceramente desejar usá-lo para sua elevação. Ninguém no mundo é exceção a Essa Lei, pois o desejo intenso de fazer qualquer coisa construtiva, quando se torna suficientemente intenso, é o Poder Divino que libera a energia necessária para criar e expressar aquilo que se deseja.
«Todos possuem o mesmo privilégio supremo de entrar em contato com a Toda-Poderosa Presença de Deus, e Ela é o Único Poder que alguma vez elevou, que agora eleva ou que algum dia elevará o eu pessoal e seu mundo acima da discórdia e das limitações terrenas.
«Meu Filho Amado, experimente isso com grande determinação e saiba que Deus em Você é Sua Vitória Certa.»
Quando seu discurso terminou, comecei a perceber que ele devia ser um dos Mestres Ascensionados, pois não apenas me dera, pela precipitação, uma prova de seu Domínio sobre os elementos, como também me instruíra e explicara o que fazia enquanto o realizava. Permaneci sentado, perguntando-me como ele me conhecia.
«Meu Filho», disse ele, respondendo imediatamente ao meu pensamento, «eu o conheço há éons. Ao elevar seu pensamento — por seu próprio esforço consciente — você tornou possível minha vinda até você neste momento. Embora eu sempre tenha estado em contato com você quando ambos estávamos em nossos corpos mais sutis, seu esforço consciente para alcançar algum dos Mestres Ascensionados abriu o caminho para que eu pudesse vir até você de maneira muito mais tangível, isto é, tangível para seus sentidos físicos.
«Vejo que você ainda não me reconhece plenamente em sua consciência exterior. Estive presente em seu nascimento, na passagem de sua mãe e fui um instrumento para aproximar você e Lotus — no momento certo —, a fim de que sua realização não fosse atrasada. Também ajudei a colocar você e seu filho em associação nesta encarnação. Entretanto, tenha paciência:
«Permaneça quieto por alguns instantes — observe-me atentamente — e eu lhe revelarei minha identidade.» Fiz como ele pediu e, talvez após um minuto inteiro, vi seu rosto, seu corpo e suas roupas tornarem-se a «Presença» viva, respirante e tangível do Mestre Saint Germain, que sorria diante de meu espanto e se divertia com minha surpresa.
Ele estava ali diante de mim — uma Magnífica Figura semelhante a Deus —, vestindo uma túnica branca adornada de joias; uma Luz e um Amor cintilavam em seus olhos, revelando e comprovando o Domínio e a Majestade que lhe pertencem.
«Este», explicou ele, «é o corpo no qual trabalho grande parte do tempo quando estou ocupado com o bem-estar da humanidade, a menos que o trabalho que esteja realizando naquele momento exija um contato mais próximo com o mundo exterior dos assuntos humanos; nesse caso, faço meu corpo assumir as características e a vestimenta da nação com a qual estou trabalhando naquele momento.»
«Oh!», exclamei, «agora eu o reconheço, pois já o vi muitas vezes assim nos níveis Interiores da consciência.»
«Meu Filho», explicou ele, «você não vê o que realmente é a verdadeira mestria? Nós, no Estado Ascensionado, podemos controlar a estrutura atômica de nosso mundo como o oleiro controla sua argila. Cada elétron e cada átomo no Universo obedecem ao nosso desejo e comando, por causa do Poder Divino pelo qual os controlamos e do qual conquistamos o direito de ser os Diretores.
«A humanidade, no estado não ascensionado, maravilha-se com essas coisas, mas eu lhe digo: para nós, mudar a aparência e a atividade de nossos corpos não exige mais esforço do que, para o ser humano comum, trocar de roupa. A condição infeliz da consciência humana que mantém os indivíduos em suas limitações autocriadas é sua atitude mental, que teme ou ridiculariza aquilo que não compreende ou, o que é ainda pior, diz em sua ignorância: ‘Isso é impossível.’ Uma coisa pode não ser provável sob certas condições humanas, mas o Eu Divino, que é a Grande ‘Luz’, pode mudar todas as condições humanas; portanto, nada é impossível.
«Todo indivíduo possui dentro de si a Chama Divina da Vida, e esse seu Eu Divino possui Domínio onde quer que ele se mova no Universo. Se, por causa de sua própria inércia mental, não quiser fazer o esforço necessário para reorganizar os antigos hábitos de sua mente e de seu corpo, continuará preso pelas correntes que ele mesmo forjou; mas, se escolher conhecer o Deus dentro de si e ousar entregar a esse Eu Divino todo o controle de suas atividades exteriores, receberá novamente o conhecimento de seu Domínio sobre toda substância, que lhe pertence desde o princípio.
«Chegou o tempo em que muitos dentre a humanidade estão despertando rapidamente, e de algum modo precisam ser levados a compreender que viveram repetidas vezes, em centenas — às vezes milhares — de vidas, cada vez em um novo corpo físico.
«A Lei da reencarnação é a atividade, no crescimento humano, que dá ao indivíduo a oportunidade de restabelecer o equilíbrio em condições que ele conscientemente fez perderem o equilíbrio. É apenas uma atividade da lei da compensação — causa e efeito —, ou do que se poderia chamar de processo automático de reequilíbrio, que governa todas as forças em toda parte no Universo. A compreensão correta dessa Lei explica muitas condições da experiência humana que, de outro modo, pareceriam inteiramente injustas. É a única explicação lógica para as infinitas complexidades e experiências da criação humana e revela a operação e a Lei sobre as quais repousa toda manifestação. Ela faz compreender que não existe acaso nem acidente. Tudo está sob uma Lei direta, exata e Perfeita. Toda experiência de consciência possui uma causa anterior, e tudo, no mesmo instante, é causa de um efeito futuro.
«Se um homem prejudicou uma mulher em uma vida, certamente reencarnará em uma forma feminina e passará por uma experiência semelhante até compreender e experimentar aquilo que fez outra pessoa suportar. O mesmo se aplica quando uma mulher é injusta com um homem ou o prejudica. Esse é o único modo pelo qual alguém é compelido — ou melhor, compele a si mesmo — a experimentar tanto a causa quanto o efeito de tudo o que gera no mundo. O indivíduo pode criar e experimentar tudo o que desejar em seu próprio mundo; mas, se escolher fazer aquilo que leva outros a experimentar discórdia, então obriga a si mesmo a passar por uma condição semelhante até compreender qual é o efeito de sua própria criação sobre o restante da Vida do Universo.
«Venha comigo, e vamos rever a vida física em que você usou uma forma feminina na França, onde foi uma cantora de esplêndida realização, com uma voz de rara beleza e poder.»
Imediatamente, sem o menor esforço de minha parte, encontrei-me fora de meu corpo físico, vendo-o claramente repousar sobre o chão. Perguntei-me se ele estaria seguro ali na encosta da montanha e, em resposta ao meu pensamento, Saint Germain disse:
«Não se preocupe. Nada no mundo pode causar dano ao seu corpo enquanto estivermos ausentes. Observe!»
Instantaneamente, vi-o cercado por uma Chama Branca, formando um círculo de aproximadamente cinquenta pés de diâmetro.
Ele colocou o braço direito ao meu redor, e vi que nos elevávamos rapidamente do chão, mas logo me ajustei à sua ação vibratória. Não havia uma sensação definida de movimento através do espaço, mas pouco depois olhávamos para baixo sobre uma aldeia no sul da França, e ele continuou:
«Aqui você nasceu como filha única de uma bela mulher, cuja vida era um exemplo de idealismo muito à frente da maioria das pessoas daquele período. Seu pai era um marido e companheiro extremamente dedicado, muito culto e inspirado pelo primitivo Espírito Cristão.
«O éter atmosférico de cada ambiente registra tudo o que já aconteceu naquela localidade. Vou revivificar esses Registros Etéricos, e você verá imagens vivas que mostrarão cada detalhe de sua vida.
«Você cantava na igreja dessa aldeia e estudava com uma professora que convenceu seus pais a permitir que ela lhe desse treinamento. Você progrediu rapidamente e depois recebeu vantagens ainda maiores quando eles se mudaram para Paris. Após um ano de estudo intensivo, surgiu a oportunidade de cantar diante da Rainha da França e, por meio de seu patrocínio, você se apresentou em muitos de seus salões. Isso lhe assegurou uma carreira musical bem-sucedida. A França e o sucesso lhe prodigalizaram seus dons durante os cinco anos seguintes, e você acumulou grande riqueza.
«De repente, seus dois pais passaram pela mudança chamada morte, e o choque para você foi muito grande, seguido por muitas semanas de grave enfermidade. Quando se recuperou e voltou novamente à atividade de concertos, uma nova qualidade de sensibilidade havia surgido em sua voz, em consequência da recente experiência de dor.
«Um homem que havia orientado grande parte de seus estudos musicais tornou-se diretor de sua atividade pública, e você passou a depender dele como de alguém que parecia digno de confiança. Seguiram-se então quatorze anos de brilhante sucesso, ao fim dos quais você adoeceu repentinamente e partiu no espaço de uma semana. Suas joias e sua riqueza foram deixadas aos cuidados do diretor para serem usadas em auxílio de outros e para realizar certos planos pelos quais você trabalhara durante toda a vida. Mal haviam terminado os últimos ritos, uma mudança completa ocorreu nele. A cobiça tomou conta dele por inteiro. Agora vou lhe mostrar esse homem, que você encontrou há alguns anos aqui na América em sua vida atual. Tenho certeza de que se lembrará claramente do incidente de negócios.»
Então ele me mostrou uma associação comercial em que, cerca de dez anos antes, quando eu estava no Oeste, eu havia tentado ajudar várias pessoas em ligação com um representante do governo belga.
«Aquele homem», continuou ele, «recebeu aqui a oportunidade de reparar o mal que lhe causara na França. A situação lhe foi mostrada, e ele a conhecia muito bem, pois nós a revelamos a ele, mas ainda não era forte o suficiente para permitir que a Grande Lei Cósmica da Justiça se cumprisse e equilibrasse aquela dívida. Se o tivesse feito por sua própria vontade, isso lhe teria proporcionado liberdade de muitas maneiras e permitido progredir muito mais rapidamente nesta encarnação.»
Assim, a vida exterior mantém o indivíduo preso à roda da necessidade, do renascimento, da luta contínua e da dor até que permitamos que a «Luz do Cristo Interior» nos ilumine e purifique, para que respondamos somente ao Plano de Deus — Amor, Paz e Perfeição para Sua Criação. Esse é o tipo de lição que jamais se esquece, porque o ensinamento objetivo registra a experiência na visão tanto quanto na mente. O registro na visão é mais profundo e, necessariamente, recebe maior atenção da atividade exterior do intelecto.
A essência daquela experiência há muito esquecida certamente se fixou de modo permanente em minha memória, pois até hoje consigo recordar cada detalhe dela tão claramente quanto quando a observei com ele.
«Agora», prosseguiu ele, «vamos recordar outra de suas encarnações — uma que você teve no Egito.»
Elevamo-nos da Terra e avançamos rapidamente. Eu tinha plena consciência do Mediterrâneo enquanto passávamos sobre suas belas águas. Seguimos até Karnak e Luxor e, então, voltamos a entrar em contato com a Terra.
«Observe atentamente», disse ele. «Este registro é de um templo muito antigo em Luxor — não daqueles cujas ruínas os arqueólogos exploram hoje, mas de um templo anterior a qualquer um dos que foram descobertos até agora. Se soubessem onde procurar, encontrariam templos magníficos em estado de conservação quase perfeito.»
Indicando certo lugar coberto de ruínas, que é tudo o que os viajantes podem ver hoje, a cena foi substituída pela atividade no éter tal como havia sido originalmente, em toda a sua beleza e esplendor, muito mais magnífica do que qualquer coisa que a geração atual possa conceber.
Os jardins e as piscinas eram cercados por grandes pilares de mármore branco e granito rosado. Toda a localidade tornou-se viva — real — vibrante — e tão tangível quanto qualquer cidade física na Terra hoje. Tudo era tão perfeitamente natural e normal que perguntei como ele tornava essas experiências tão vívidas.
«O homem e suas criações», respondeu ele, «assim como a Natureza, possuem uma contraparte etérica — um modelo — que imprime sua marca eterna na atmosfera ao redor dele, onde quer que vá. O modelo da atividade e da experiência de vida do indivíduo permanece o tempo todo dentro de sua própria aura. Um registro semelhante existe na aura de cada localidade. Um Mestre Ascensionado pode, se assim escolher, revivificar ou revestir novamente o registro das atividades passadas de um indivíduo, onde quer que essa pessoa esteja, pois o modelo sobre o qual o Mestre faz coalescer a estrutura atômica está sempre na aura daquele indivíduo. Quando o Mestre reveste novamente o registro de uma localidade, deve fazê-lo exatamente no mesmo lugar; pois tal registro, quando novamente revestido, torna-se a mesma forma e estrutura vivas que era quando foi construído pela primeira vez em substância física.
«Desse modo, é possível fazer coalescer novamente a estrutura física de edifícios inteiros e de seus arredores quando o Mestre Ascensionado assim o deseja, para a realização de algum propósito benéfico. Quando alguém alcança esse Domínio concedido por Deus, pode e efetivamente reveste novamente e reanima qualquer Registro Etérico que deseje tornar visível para a instrução e o benefício de estudantes e de outras pessoas.
«Quando ele faz isso — é tão real quanto a própria realidade —, os objetos novamente revestidos podem ser fotografados, tocados e tornados fisicamente tangíveis aos sentidos físicos de quem os observa.
«Observe!», lembrou-me ele, «você está experimentando essas atividades em seu corpo mais sutil, mas elas não são menos reais por causa disso, pois seu corpo físico é apenas uma vestimenta que você, o indivíduo Autoconsciente, pensante e capaz de experimentar, usa.
«É como se você vestisse um pesado sobretudo na fria atmosfera do inverno e apenas roupas leves num dia muito quente de verão. As experiências vividas com suas roupas leves certamente não seriam menos reais do que aquelas vividas com o pesado sobretudo. Chamo sua atenção para isso para que compreenda as atividades mais amplas e menos limitadas da Vida.» Examinamos o local, a região ao redor e a arquitetura.
«Venha, vamos entrar», disse ele e, enquanto falava, avançou e passou pela entrada principal do próprio templo. Então nos tornamos atores vivos e, ao mesmo tempo, observadores da experiência que se segue. Passamos para a parte principal do templo e seguimos em direção ao Santuário Interior. O Sumo Sacerdote veio diretamente até nós e parecia me conhecer.
«Este sacerdote dos tempos antigos», explicou Saint Germain, «é agora seu filho.» Apareceu um sacerdote de menor hierarquia, que imediatamente senti conhecer, e ele observou:
«O sacerdote assistente era você mesmo.» Entramos no Santuário Interior e vimos a virgem vestal guardando o Fogo Sagrado. Aquela que eu agora contemplava era Lotus, meu amado Raio Gêmeo, que conheci e com quem me casei há alguns anos, e que é a mãe de nosso filho.
A cena mudou, e vimos um príncipe visitante de uma província distante planejar apoderar-se da virgem vestal para tomá-la como esposa. Tudo parecia correr bem até que ao Sumo Sacerdote foi mostrada uma visão do que estava prestes a acontecer. Isso o perturbou, mas ele guardou para si o que sabia.
Montando guarda enquanto os escravos do príncipe entravam, ele os observou aproximarem-se do Santuário. Quando chegaram mais perto, avançou e pronunciou apenas uma palavra, que significava:
«Pare!»
Um escravo, mais ousado que os demais, continuou avançando. O Sumo Sacerdote ordenou-lhe que recuasse, mas ele continuou se aproximando. Quando alcançou certo Círculo Sagrado de força que emanava do Altar, o sacerdote não hesitou mais. Avançou até a borda externa daquela Radiação Protetora, levantou a mão direita e apontou diretamente para o escravo.
Um clarão de Chama disparou como um relâmpago, e o escravo caiu sem vida no chão. O príncipe, que observava, avançou tomado de uma fúria insana.
«Pare!», ordenou novamente o sacerdote, com uma voz semelhante ao estrondo de um trovão. O príncipe hesitou por um momento, atordoado pelo próprio poder da palavra, e o sacerdote continuou:
«Escute-me! Você não profanará o mais elevado dos Dons de Deus para o Templo da Vida. Vá embora! antes que siga o exemplo de seu escravo excessivamente insolente e mal orientado.»
O Sumo Sacerdote tinha plena consciência do poder que podia exercer e, enquanto permanecia observando o príncipe, era a própria personificação do autocontrole — de uma Força Ilimitável, conscientemente mantida em obediência à sua vontade. Ele era a Majestade — coroada de Poder Eterno.
A vontade do príncipe também era poderosa, mas ele não tinha controle sobre si mesmo e, quando outra onda de fúria cega o dominou ao se ver novamente contrariado, dando plena vazão à luxúria, avançou impetuosamente.
O sacerdote, rápido como um relâmpago, levantou a mão. A Chama fulgurou uma segunda vez, e o príncipe teve o mesmo destino de seu escravo anterior.
Saint Germain voltou-se para mim e explicou ainda mais a experiência.
«Veja», começou ele, «é assim que a qualidade existente dentro de toda força reage sobre aquele que a emite. O príncipe e seu escravo vieram trazendo, em seus sentimentos, as qualidades de ódio, egoísmo e depravação e, quando o sacerdote dirigiu sobre eles a força da qual era mestre, ela assumiu as qualidades deles no instante em que tocou suas auras. Ele simplesmente devolveu a eles seus próprios sentimentos e seu egoísmo. Em seu esforço altruísta para proteger outra pessoa, o próprio sacerdote também foi protegido.»
Encerrado esse incidente, a cena de esplendor desapareceu e novamente nos encontramos entre as ruínas do templo. Saint Germain ainda me revelou outras coisas que não podem ser registradas aqui.
«Existe apenas uma maneira», prosseguiu ele, «de evitar a roda cósmica de causa e efeito — a necessidade da reencarnação —, e é por meio do esforço consciente para compreender a Lei da Vida. É preciso buscar sinceramente o Deus Interior, estabelecer contato consciente e permanente com esse ‘Eu Interior’ e manter-se firmemente ligado a ele diante de toda condição da vida exterior. Será meu prazer e privilégio mostrar-lhe mais, mas somente pela instrução que isso trará a você e aos outros. Venha! Precisamos agora retornar.» Quando nos aproximamos de meu corpo, ele instruiu novamente:
«Observe o círculo de Chama Branca desaparecer!» Olhei. Ele desapareceu. Um instante depois, eu estava de volta ao meu corpo. O sol estava se pondo, e eu sabia que seria quase meia-noite quando chegássemos em casa.
«Coloque seu braço ao redor de meu ombro», disse Saint Germain, «e feche os olhos.» Senti meu corpo elevar-se do chão, mas não tive uma consciência especial de estar avançando. Pouco depois, meus pés tocaram o piso e, ao abrir os olhos, eu estava no alojamento. Saint Germain divertiu-se muito quando perguntei como podíamos ter voltado daquela maneira sem chamar a atenção das pessoas ao nosso redor, e ele respondeu:
«Muitas vezes envolvemos nossos corpos com o manto da invisibilidade quando nos movemos entre aqueles que estão em forma física», e no segundo seguinte ele havia desaparecido.
Eu ouvira falar dos Grandes Mestres Ascensionados que podiam levar seus corpos consigo aonde quer que fossem e manifestar ou tornar visível qualquer coisa que desejassem usar diretamente do Universal. Entretanto, experimentar um contato real com um deles era algo muito diferente, e tentei compreender plenamente a maravilha daquela experiência. Para Saint Germain, evidentemente, tratava-se de uma ocorrência perfeitamente comum.
Permaneci por muito tempo em silenciosa contemplação, com profunda, profunda gratidão, procurando compreender e realizar plenamente sua explicação de «A Lei» referente ao desejo. Ele enfatizara sua importância e sua atividade como força motriz no Universo, impulsionando novas ideias e fazendo ocorrer uma expansão da consciência dentro da Vida de cada indivíduo. Ele havia explicado isso dizendo:
«O Desejo Construtivo é a atividade expansiva dentro da Vida, pois somente desse modo ideias, atividades e realizações cada vez maiores são impulsionadas até se expressarem no mundo exterior da substância e da forma. Dentro de todo Desejo Correto está o poder de sua realização. O homem é o Filho de Deus. O Pai lhe ordena escolher como dirigirá a energia de Vida e qual qualidade deseja que seu desejo realizado expresse. Ele deve fazer isso, pois o livre-arbítrio é seu direito de nascimento.
«A função da atividade exterior do intelecto é guiar toda expansão para canais construtivos. Esse é o propósito e o dever do eu exterior. Permitir que a Grande Vida, ou Energia Divina, seja usada apenas para a satisfação dos desejos dos sentidos — hábito da massa da humanidade — constitui seu uso destrutivo e é sempre, sem qualquer exceção, seguido de desarmonia, fraqueza, fracasso e destruição.
«O uso construtivo do desejo é a direção consciente, pela Sabedoria, dessa ilimitada Energia Divina. Todo desejo dirigido pela Sabedoria leva alguma espécie de bênção ao restante da criação. Todo desejo dirigido pelo Deus Interior parte com o sentimento de Amor e sempre abençoa.» Passei os dias seguintes escrevendo este registro de minhas experiências. Então, certa manhã, ao despertar, encontrei um cartão dourado sobre a mesa perto de meu leito. Parecia uma peça de ouro metálico e trazia, numa bela caligrafia sombreada de uma encantadora cor violeta, apenas uma breve frase:
«Esteja em nosso local de encontro na montanha às sete da manhã», assinado: «Saint Germain».
Guardei cuidadosamente o cartão e mal conseguia esperar o tempo que faltava, tão grande era minha expectativa. Na manhã seguinte, bem cedo, enquanto preparava o almoço, veio-me um impulso claro de não levar nada comigo. Obedeci e decidi confiar que minhas necessidades seriam supridas diretamente pelo Universal.
De coração leve, logo estava a caminho, decidido a não perder nenhuma oportunidade de fazer perguntas, se isso me fosse permitido. À medida que me aproximava do lugar marcado, meu corpo tornava-se cada vez mais leve, até que, quando eu estava a um quarto de milha dali, meus pés mal tocavam o chão. Não havia ninguém à vista; então me sentei num tronco para esperar Saint Germain, sem sentir cansaço algum, embora minha caminhada tivesse sido de cerca de dez milhas.
Enquanto contemplava o maravilhoso privilégio e a bênção que me haviam sido concedidos, ouvi um galho estalar e olhei ao redor, esperando vê-lo. Imagine minha surpresa quando, a menos de cinquenta pés de distância, vi uma pantera aproximando-se lentamente. Meus cabelos devem ter se arrepiado. Eu queria correr, gritar — fazer qualquer coisa —, tão frenético era o sentimento de medo dentro de mim. Teria sido inútil mover-me, pois um único salto da pantera teria sido fatal para mim.
Meu cérebro rodopiava, tamanho era meu medo, mas uma ideia surgiu com clareza e manteve firme minha atenção. Percebi que tinha a Poderosa «Presença de Deus» bem dentro de mim e que essa «Presença» era todo Amor. Aquele belo animal também fazia parte da Vida de Deus, e obriguei-me a olhá-lo diretamente nos olhos. Então me veio o pensamento de que uma parte de Deus não poderia ferir outra parte. Eu estava consciente apenas desse fato.
Um sentimento de Amor tomou conta de mim e saiu como um Raio de Luz diretamente para a pantera; com ele, foi-se meu medo. O passo furtivo cessou, e eu me movi lentamente em direção a ela, sentindo que o Amor de Deus preenchia a nós dois. O olhar feroz em seus olhos suavizou-se; o animal endireitou-se e veio lentamente até mim, roçando o ombro em minha perna. Inclinei-me e acariciei sua cabeça macia. Ela olhou em meus olhos por um momento e depois se deitou e rolou como um gatinho brincalhão. O pelo era de um belo castanho-avermelhado escuro; o corpo, longo, flexível e muito forte. Continuei brincando com ela e, quando de repente ergui os olhos, Saint Germain estava ao meu lado.
«Meu Filho», disse ele, «vi a grande força que existe dentro de você, caso contrário não teria permitido uma prova tão grande. Você venceu o medo. Meus parabéns! Se não tivesse vencido o eu exterior, eu não teria permitido que a pantera lhe causasse dano, mas nossa associação teria cessado por algum tempo.
«Eu não tive nada a ver com a presença da pantera aqui. Isso fazia parte da operação Interior da Grande Lei, como você verá antes que termine a associação com sua nova amiga. Agora que passou pela prova de coragem, é possível para mim prestar-lhe uma assistência muito maior. A cada dia, você se tornará mais forte, mais feliz e expressará uma liberdade muito maior.»
Ele estendeu a mão e, em um instante, apareceram quatro pequenos bolos de um belo castanho-dourado, cada um com cerca de duas polegadas de lado. Ofereceu-os a mim, e eu os comi conforme sua orientação. Eram deliciosos. Imediatamente senti uma sensação vivificante e formigante percorrer todo o meu corpo — uma nova sensação de saúde e clareza mental. Saint Germain sentou-se ao meu lado, e minha instrução começou.
CAPÍTULO II
O Deserto do Saara
«EM VEZ de sair do corpo como em sua experiência recente, hoje usaremos a Consciência Projetada», observou ele, enquanto colocava o polegar da mão direita entre meus olhos e os demais dedos sobre o alto de minha cabeça. Uma sensação semelhante a uma poderosa corrente elétrica percorreu todo o meu corpo. Retirando a mão, continuou:
«Quero que você fixe firmemente em sua mente e recorde com frequência, para contemplação, o fato de que as Leis que lhe explico e ensino a usar destinam-se a conduzi-lo a uma condição de Mestria Consciente sobre todas as forças e coisas na Terra. Isso significa que, não importa o que esteja sendo vivenciado, você está sempre, a cada instante, em controle completo e consciente de sua própria mente e de seu corpo, e é capaz de usar seu próprio livre-arbítrio em todos os momentos.
«Nesse estado de Consciência Projetada, você está plenamente consciente e possui plena Mestria sobre todas as suas faculdades a cada instante. Nada, absolutamente nada, nesse ensinamento ou em seu uso pertence, em momento algum, a uma condição de transe ou hipnose, pois tanto no transe quanto na hipnose a Vontade Consciente do indivíduo que passa pela experiência não está funcionando, o que constitui uma atividade das mais perigosas e desastrosas para qualquer pessoa que permita que isso ocorra em sua mente e em seu corpo.
«Não há Mestria Consciente nem Domínio nas práticas de transe ou hipnose, e elas são extremamente destrutivas e perigosas para o Crescimento da Alma de quem permite tal prática. Compreenda plenamente, por favor, que o Controle Consciente, a Mestria e o uso das forças e coisas desta Terra devem estar sempre sob a direção de seu Eu Interior ou Eu Divino, mediante a perfeita cooperação e obediência de todas as faculdades exteriores, tanto da mente quanto do corpo, a essa Orientação Interior.
«Não existe Mestria sem isso, e aqueles conhecidos como Mestres Ascensionados jamais, jamais impõem qualquer atividade à prerrogativa do livre-arbítrio individual concedida por Deus.
«Pode-se proporcionar a um estudante a experiência da Projeção se um Mestre Ascensionado escolher expandir temporariamente sua consciência, de modo que ele vivencie acontecimentos que ocorrem em dois ou mais lugares ao mesmo tempo. Nessa condição, as faculdades do estudante permanecem completamente sob o controle e a direção de seu próprio livre-arbítrio a cada instante. Ele está plenamente consciente e ativo onde quer que seu corpo esteja, e também no lugar para o qual o Mestre Ascensionado escolha dirigir sua atenção para a instrução.
«A razão pela qual um Mestre Ascensionado eleva temporariamente a consciência do estudante é mostrar-lhe como ele pode fazer a mesma coisa por si próprio, mediante seu próprio esforço, conscientemente e à vontade.
«A Consciência Projetada consiste simplesmente em aumentar a frequência vibratória da estrutura atômica tanto da mente quanto do corpo do estudante. Isso é feito pela radiação de um Mestre Ascensionado e é uma atividade da ‘Luz’ que eleva a frequência vibratória até a Nota-Chave que Ele estabelece para a experiência. Na frequência mais elevada, a pessoa usa suas faculdades de visão e audição exatamente como na vida diária, exceto pelo fato de que elas se expandem para a oitava ou zona seguinte, acima da humana.
«Esse uso de nossos sentidos é o mesmo que vivenciamos a cada momento do estado de vigília, pois podemos tomar consciência daquilo que está próximo e daquilo que está distante exatamente no mesmo instante. A expansão ou contração de nossa consciência depende inteiramente do que o indivíduo deseja. Isso está sempre sujeito ao livre-arbítrio e à direção consciente do estudante.
«Por sua própria escolha, uma pessoa pode estar consciente de certa árvore em seu jardim ou do jardim inteiro. Ela usa a mesma faculdade da visão para observar ambos e a usa exatamente da mesma maneira. Quando deseja ver todo o jardim, faz com que sua visão amplie sua atividade até abranger tudo o que deseja. A expansão maior continua incluindo a menor; assim, veja, você deve estar consciente do controle total de todas as suas faculdades nos dois lugares ao mesmo tempo. A atividade que ocorre é, na realidade, uma ampliação do Campo de Força no qual a visão atua.
«O uso de sua faculdade da visão, nessa projeção ou expansão da consciência, realiza-se pela elevação da frequência vibratória no nervo óptico. Todo o processo corresponde ao que ocorre quando se usa um binóculo de campo ou náutico.
«Na experiência comum, a consciência humana habituou-se a usar suas faculdades somente dentro de certas zonas ou Campos de Força, e a prova disso é que uma pessoa pode ouvir a voz de alguém fisicamente presente na sala falando com ela e, ao mesmo tempo, ouvir o toque de um telefone em outro lugar da casa, exatamente no mesmo instante. Todas as faculdades da atividade exterior são elásticas. Podem ser usadas como um microscópio ou como um telescópio, dependendo inteiramente do desejo e da vontade do indivíduo.
«Se alguém pode estar consciente de um som na sala onde se encontra seu corpo físico e também perceber um som a duas ou três salas de distância, pelo mesmo processo, mediante uma expansão ainda maior dessa faculdade, pode ouvir num lugar mais distante. Para isso, é necessário elevar a frequência vibratória até que ela alcance a zona mais distante.
«Quando você contempla essa Grande Atividade Divina Interior, não vê quão perfeitamente e prontamente os sentidos exteriores se fundem no Interior, e aquilo que eram dois torna-se Um?
«Essa atividade da consciência pode ser aplicada a todos os outros sentidos, assim como à visão e à audição. Esse processo de elevação é natural, normal e harmonioso, tão simples quanto sintonizar um rádio em qualquer comprimento de onda desejado. Os comprimentos de onda do rádio e os da visão e da audição fazem parte da mesma atividade. O som contém cor e a cor contém som. Na experiência cotidiana comum, os seres humanos podem ouvir a cor e ver o som sempre que se tornam suficientemente quietos.
«Dentro de certas oitavas ou zonas, a vibração registra-se nos nervos dos olhos e o resultado é aquilo que chamamos de visão. Outras vibrações registram-se nos nervos dos ouvidos e o resultado é aquilo que chamamos de audição. Os olhos da pessoa comum veem apenas objetos cuja frequência vibratória se encontra dentro dessas determinadas oitavas, pois não veem abaixo do infravermelho nem acima do raio ou zona ultravioleta. Por meio da Radiação de um Mestre Ascensionado, a estrutura atômica do cérebro e do olho vibra com rapidez suficiente para expandir-se até a oitava seguinte, acima da humana.
«Essa mesma atividade pode ser expandida várias oitavas além, seja pela Radiação do Mestre, seja pelo comando do Eu Interior ou Eu Divino do indivíduo. Muitas pessoas realmente têm tais experiências involuntariamente, mas raramente compreendem o que significam ou como ocorrem. Nos casos em que indivíduos tiveram momentos de Consciência Transcendente ou foram altamente inspirados, foi isso que aconteceu, embora raramente reconheçam a assistência que lhes foi dada.
«A Consciência ou Visão Projetada nada tem a ver com imagens mentais produzidas por sugestões que existem apenas na mente de outros seres humanos. Tais pensamentos e imagens são apenas projetados diretamente na mente de outra pessoa por aquele que envia a sugestão. É a mesma atividade que ocorre quando se reflete a imagem do sol num espelho e depois se desvia essa imagem para uma parede.
«A sugestão difere tanto da Consciência Projetada quanto pensar num lugar difere de estar fisicamente presente nele. A Projeção é vívida, viva, real, como quando seu corpo físico atravessa uma experiência, pois é a ação de seu Eu Divino Interior, com o qual o Mestre Ascensionado é UM — o Supremo.»
Saint Germain e eu então nos tornamos observadores e atores numa cena de tempos remotos. Novamente, eu estava exteriormente consciente de atravessar experiências que me eram mostradas em pensamento, sentimento e ação. Toda a operação era tão natural e normal quanto respirar, e a única sensação incomum era um sentimento de maior liberdade e uma sensação de domínio. Ambos ficamos muito quietos por alguns instantes enquanto ele revivificava os Registros Etéricos, e minha instrução começou.
«Este é o Deserto do Saara», disse ele, «quando era uma terra fértil de clima semitropical.»
Havia muitos cursos d’água levando abundante umidade a toda a região. No centro desse império ficava a capital, famosa em todo o mundo por seu esplendor. Os edifícios administrativos situavam-se no centro, sobre uma pequena elevação, e a partir dali a própria cidade estendia-se igualmente em todas as direções.
«Essa civilização», continuou ele, «atingiu seu apogeu há setenta mil anos.»
Entramos na cidade e sentimos uma atividade rítmica incomum que produzia uma estranha sensação de leveza ao caminhar. Todos se moviam com grande facilidade e graça. Perguntei a Saint Germain a razão disso, e ele respondeu:
«Essas pessoas se lembravam de sua Fonte e sabiam que eram Filhos de Deus; por isso, possuíam e utilizavam poder e sabedoria que, para você, podem parecer milagrosos e sobre-humanos. A bem da verdade, não existem milagres, pois tudo está de acordo com a Lei, e aquilo que parece milagroso à concepção atual da humanidade é apenas o resultado da aplicação de leis às quais a consciência atual da humanidade não está habituada e que, por isso, parecem estranhas e incomuns.
«Quando a Realidade da Vida é corretamente compreendida, toda manifestação que parece milagrosa à sua consciência atual revela-se uma experiência tão natural e normal quanto a formação de palavras para quem aprendeu a usar o alfabeto. Tudo é ação de uma manifestação da Vida na forma, sempre em expansão e sempre em progresso, e isso ocorre em todo momento por meio de um processo ordenado da Lei, em amor e paz.
«Por mais estranha, incomum e impossível que uma experiência pareça ao atual estado mental da humanidade, isso não prova que não exista uma Lei Maior e uma Inteligência Mais Sábia atuando para produzir, a todo instante, maravilhas ainda maiores da criação ao nosso redor.
«O conhecimento das maiores mentes da humanidade no mundo exterior de hoje está, em relação a essa Grande Sabedoria e Poder Interiores, assim como a compreensão de uma criança pequena está em relação ao estudo do cálculo.»
Em um dos edifícios do grupo central, encontramos os servidores vestidos com tecidos magníficos de cores suaves e radiantes, que harmonizavam com a decoração interior. Um deles atuou como guia, levando-nos ao edifício central, onde nos apresentou ao rei daquele grande povo. O rei revelou-se ser — Saint Germain.
Ao lado dele estava uma jovem muito bela. Seus cabelos pareciam ouro fiado e desciam quase até o chão, e seus olhos eram de um penetrante azul-violeta. Todo o seu porte expressava amorosa autoridade. Olhei interrogativamente para Saint Germain, perguntando-me quem ela poderia ser, e ele respondeu:
«Lotus.»
Ao lado dela havia um jovem de cerca de vinte anos e um rapaz talvez de quatorze. O jovem era aquele que havíamos visto como o Sumo Sacerdote no templo de Luxor, e o rapaz era o sacerdote auxiliar. Eram os filhos do rei. Mais uma vez, nós quatro estávamos trabalhando juntos.
«Com esse vislumbre de vidas anteriores», disse ele, «entremos na atividade daquele povo abençoado. Digo abençoado deliberadamente, e logo você verá por quê. A maioria ainda conservava o pleno uso consciente de toda a sua sabedoria e poder como Filhos de Deus e os exercia quase sem limites, sabendo perfeitamente de onde vinha e do que era herdeira.
«O exterior era apenas o instrumento do Eu Divino, como deveria ser, e só lhe era permitido fazer aquilo para que fora criado. Naturalmente, o Grande Eu Interior podia atuar sem impedimento e, evidentemente, a perfeição e a atividade daquele período eram de uma realização magnífica.»
Na época dessa antiga civilização, todo o império estava repleto de grande paz, felicidade e prosperidade. O Rei-Imperador era um ‘Mestre da Sabedoria Antiga’ e um verdadeiro ‘Portador da Taça da Luz’. Governava por essa ‘Luz’, e seu império era o exemplo vivo da Perfeição.
«Durante centenas de anos», continuou Saint Germain, «essa Perfeição foi mantida sem exército ou marinha de espécie alguma. O controle do povo estava confiado aos cuidados de quatorze Mestres Ascensionados de Luz, dois atuando em cada um dos Sete Raios. Eles formavam, assim, pontos de foco para que a Poderosa Atividade Divina se tornasse visível. Sob esses quatorze Seres Luminosos estavam quatorze Mestres de grau menor, que chefiavam sete departamentos responsáveis pelas atividades da ciência, da indústria e da arte. Cada chefe de departamento orientava o trabalho sob seus cuidados mediante contato consciente e direto com o Deus em si mesmo. Portanto, diretamente de sua Fonte vinham toda direção e instrução para aqueles que estavam sob sua responsabilidade. Assim, a Perfeição Divina fluía constantemente sem qualquer interferência humana.
«Essa forma de governo era notavelmente bem-sucedida e satisfatória em todos os sentidos. Desde aquela época, nunca houve nada na Terra que sequer se aproximasse de tais alturas. Nos antigos registros que chegaram até os dias atuais, essa civilização anterior é sempre chamada de Era de Ouro, e assim ela o foi em todas as atividades da Vida.
«Em sua amada América, num futuro não tão distante, surgirá um reconhecimento semelhante do Verdadeiro Eu Interior, e seu povo o expressará em grandes realizações. Ela é uma Terra de Luz, e Sua Luz resplandecerá, brilhante como o sol ao meio-dia, entre as nações da Terra. Ela foi uma Terra de Grande Luz há eras e voltará a entrar em sua herança espiritual, pois nada pode impedi-lo. Ela é forte em sua própria mente e em seu próprio corpo — mais forte do que você pensa — e essa força será exercida para que se eleve acima de tudo o que hoje pesa sobre ela e o lance para fora de suas fronteiras.
«A América tem um destino de grande importância para as outras nações da Terra, e Aqueles que a vigiam há séculos ainda vigiam. Por meio de Sua proteção e Amor, ela cumprirá esse destino. América! Nós, as Hostes Ascensionadas de Luz, amamos e protegemos você. América! Nós amamos você.
«Uma forma semelhante de governo perfeito virá em período posterior, quando vocês tiverem rompido certas amarras internas que se prendem como fungos e sugam sua força como um vampiro. Amados da América, não desanimem quando as aparentes nuvens escuras pairarem baixas. Cada uma delas lhes mostrará seu revestimento dourado. Por trás da nuvem que parece ameaçar está a ‘Luz de Deus, Cristalina e Pura, e Seus Mensageiros, os Mestres Ascensionados de Amor e Perfeição’ — velando pela América, pelo governo e por seu povo. Repito: ‘América — nós amamos você.’
«Uma a uma, grandes almas despertas estão surgindo e se tornarão claramente conscientes de seu próprio e poderoso Poder Divino inerente; pessoas assim serão colocadas em todos os cargos oficiais do governo. Estarão mais interessadas no bem-estar da América do que em suas próprias ambições pessoais e fortunas privadas. Assim, outra Era de Ouro reinará na Terra e será mantida por um éon.
«No período imediatamente anterior a esse, que você tem estado observando, a massa do povo utilizava grandes aeronaves como meio de transporte. À medida que o desenvolvimento atingia um nível ainda mais elevado, havia pouca necessidade delas, exceto nas regiões periféricas. Toda a classe oficial, por ser composta pelas almas espiritualmente mais avançadas daquela raça, era capaz de ir de um lugar a outro nos corpos mais sutis e fazer tudo o que desejava, assim como em sua recente experiência em Luxor. Também eram capazes de transportar o corpo físico à vontade, pois o uso de seu poder para vencer a gravidade era tão natural quanto respirar é para você.
«O ouro era uma mercadoria comum naquela era, como em todas as ‘Eras de Ouro’, porque sua emanação natural é uma energia ou força purificadora, equilibradora e vitalizante. Ele é colocado no interior da Terra pelos ‘Senhores da Criação’ — aqueles ‘Grandes Seres de Luz e Amor’ que criam e dirigem mundos, sistemas de mundos e a expansão da Luz nos seres que neles vivem.
«A mente exterior ou o conhecimento intelectual da humanidade contém pouca — muito pouca — compreensão do verdadeiro propósito para o qual o ouro existe neste planeta. Ele cresce dentro da Terra como uma planta e, por meio dele, uma corrente de energia purificadora, vitalizante e equilibradora flui constantemente para o próprio solo sobre o qual caminhamos, assim como para o crescimento da Natureza e para a atmosfera que respiramos.
«O ouro é colocado neste planeta para diversos usos, sendo dois dos mais triviais e sem importância seu emprego como meio de troca e como ornamento. Sua atividade e seu propósito muito maiores, dentro e sobre a Terra, consistem na liberação de sua própria qualidade e energia inerentes para purificar, vitalizar e equilibrar a estrutura atômica do mundo.
«O mundo científico de hoje ainda não tem qualquer noção dessa atividade. Entretanto, ela cumpre para a Terra o mesmo propósito que os radiadores cumprem em nossas casas. O ouro é um dos meios mais importantes pelos quais a energia de nosso Sol é levada ao interior da Terra e o equilíbrio das atividades é mantido. Como condutor dessa energia, atua como um transformador que transmite a força do Sol à substância física de nosso mundo, bem como à Vida que evolui nele. A energia contida no ouro é, na realidade, a força eletrônica radiante do Sol atuando numa oitava inferior. O ouro é às vezes chamado de raio solar precipitado.
«Como a energia contida no ouro possui uma frequência vibratória extremamente elevada, ela só pode atuar sobre as expressões mais sutis e refinadas da Vida por meio de absorção. Em todas as ‘Eras de Ouro’, esse metal torna-se abundante e de uso comum entre a massa do povo, e sempre que tal condição ocorre, o desenvolvimento espiritual desse povo alcança um estado muito elevado. Nessas eras, o ouro jamais é entesourado; ao contrário, é amplamente distribuído para uso de todos, que, absorvendo sua energia purificadora, são eles próprios elevados a uma perfeição maior. Esse é o uso correto do ouro e, quando essa Lei é conscientemente compreendida e obedecida, o indivíduo pode atrair para si qualquer quantidade que desejar por meio do uso dessa Lei.
«Devido aos depósitos de ouro existentes em todas as cadeias montanhosas, encontra-se na Vida nas montanhas uma saúde e um vigor que não se encontram em nenhum outro lugar da superfície terrestre. Nunca se ouviu falar de efeitos prejudiciais sobre aqueles que manuseiam constantemente ouro puro. Embora, em seu estado puro, ele seja macio e se desgaste com facilidade, essa mesma qualidade cumpre o propósito de que acabo de falar.
«Os mais avançados entre esse povo produziam grande quantidade de ouro por precipitação, diretamente do Universal. As cúpulas de muitos edifícios eram revestidas de folhas de ouro puro e os interiores decorados com joias brilhantes, em desenhos curiosos e, ao mesmo tempo, maravilhosos. Essas joias também eram precipitadas — diretamente da Única Substância Eterna.
«Como em todas as eras passadas, havia uma parte do povo que se tornou mais interessada nos prazeres temporários dos sentidos do que no plano criador mais amplo do Grande Eu Divino. Isso fez com que perdessem a consciência do Poder Divino em toda a região, até que ele permanecesse ativo em pouco mais do que a própria cidade. A capital chamava-se ‘Cidade do Sol’.
«Os governantes perceberam que precisavam retirar-se e deixar que o povo aprendesse, por meio de duras experiências, que toda a sua felicidade e todo o seu bem provinham da adoração ao Deus Interior, e que deveriam retornar à ‘Luz’ se quisessem ser felizes.»
O Rei-Imperador, por meio da Sabedoria Interior, vendo que o povo se enredava cada vez mais profundamente na gratificação dos sentidos, percebeu que já não fazia parte do Plano Divino continuar sustentando o reino. Aqueles de autoridade espiritual maior que a sua instruíram-no a oferecer um banquete, anunciar sua decisão de retirar-se e, assim, despedir-se de seus súditos.
Ele reuniu os conselheiros e deu instruções para o banquete, ordenando que fosse realizado no lugar mais magnífico do império, conhecido como Sala das Joias, no palácio do rei. Ela era iluminada por globos autoluminosos que emitiam uma radiação branca e brilhante. Ficavam suspensos do teto por correntes de cristal. Embora a luz fosse intensa e brilhante, exercia um efeito extremamente calmante sobre o corpo, proporcionando àqueles que se encontravam em sua radiação uma sensação de grande conforto e serenidade. A luz do globo central fazia as joias resplandecerem no desenho de raios solares que formava o grande medalhão no centro do teto.
O grande salão de banquetes era ricamente decorado e continha vinte e quatro mesas de ônix branco, cada uma acomodando vinte e quatro convidados. Era a primeira ocasião em que todos os conselheiros do rei e suas equipes seriam seus convidados ao mesmo tempo. O anúncio do banquete provocou muitos comentários entre o povo, que o discutia longamente, cada qual com seu vizinho, mas para todos era um mistério, pois ninguém conseguia discernir seu propósito.
Finalmente chegou a noite do acontecimento. Ninguém suspeitava da tristeza no coração do nobre soberano, nem imaginava a mudança que tão cedo lhes sobreviria. Chegou a hora, os convidados se reuniram, e todos respiravam mistério.
As grandes portas de bronze do salão de banquetes abriram-se majestosamente, e irrompeu uma explosão de música transcendente, como se executada no invisível por uma gigantesca sinfonia, surpreendendo até mesmo aqueles que conheciam o extraordinário poder de seu adorado monarca. O povo o considerava quase como um Deus, tão grandes eram seu amor e admiração pela sabedoria e pela ajuda que ele constantemente lhes derramava.
Quando a música triunfal cessou, o rei entrou acompanhado de seus filhos. A jovem era uma visão de beleza. Usava um vestido de tecido dourado e macio, diferente de qualquer material de nosso mundo moderno. A sobreposição do tecido parecia coberta de diamantes, pois a cada movimento de seu corpo pontos de luz cintilavam. Os cabelos dourados, caindo sobre os ombros, eram presos por dois fechos de esmeralda. Na testa, usava uma única faixa de metal branco cravejada de diamantes. No centro havia o que parecia ser um grande diamante, mas era na realidade uma poderosa condensação de ‘Luz’, focalizada e mantida ali por seu pai.
O rei era o único em todo o império a quem fora confiado o uso de tal Poder Transcendente. Até aquela noite, a família real jamais havia usado essas ‘Joias de Luz’ em seu contato com o mundo exterior. O uso desse poder só era permitido em sua adoração privada ao Grande Eu Divino, de cuja ‘Suprema Presença’ eram profunda e constantemente conscientes.
O soberano e seus dois filhos usavam trajes ajustados ao corpo, feitos do mesmo tecido dourado e macio da filha. Eram tão flexíveis quanto couro, mas feitos de ouro metálico, com peitorais semelhantes a um grande sol de joias. Usavam sandálias do mesmo material, também cravejadas de pedras preciosas, e a maravilhosa ‘Joia de Luz’ repousava na testa de cada um.
O rei fez um sinal e os convidados reunidos sentaram-se. Com voz majestosa e poderosa, derramou uma invocação das profundezas de seu coração Àquele ‘Supremo Uno Infinito’.
«Ó Tu, Poderosa Fonte Onipresente, Tu que governas o Universo, a Chama em cada coração humano! Nós Te damos amor, louvor e gratidão por Tua própria Vida, Luz e Amor em todas as coisas. Nós Te adoramos e olhamos somente para Ti, a ‘Presença’ em todas as coisas — visíveis e invisíveis, evoluídas e não evoluídas —, Tu, incessante Corrente de Vida, que para sempre Te derramas em toda a criação, o Eu Uno em Tudo.
«Meu coração clama a Ti como nunca antes para despertares este meu povo para o perigo em que se encontra, pois ultimamente a indiferença para Contigo rasteja sobre ele como um sopro venenoso, produzindo um sono da alma e estendendo diante dele um véu que exclui ‘Tua Presença Resplandecente’.
«Se eles precisam passar pela experiência que consome e queima as escórias e as nuvens do eu exterior, então sustenta-os Tu e, por fim, faze-os surgir em Tua Perfeição Eterna. Clamo a Ti, Criador do Universo — Tu, Deus Supremo Onipotente.»
O rei sentou-se, e todos aguardaram em silenciosa expectativa. Poucos instantes depois, o serviço para cada pessoa apareceu diante dela. Prato após prato era servido como por mãos invisíveis; o alimento vinha em maravilhosos recipientes de cristal e joias, que desapareciam assim que cada prato terminava, sendo imediatamente seguidos pelo seguinte. Por fim, o banquete mais elaborado que o império já conhecera chegou ao fim. Tudo voltou ao silêncio, como numa expectativa sem fôlego, antecipando algum acontecimento muito incomum.
O rei levantou-se e permaneceu alguns instantes esperando calmamente. Logo, uma taça de cristal apareceu à direita de cada convidado. Elas estavam cheias de uma condensação de Essência Eletrônica Pura e, para todos os que dela beberam, não importava quão longe através das eras se estendesse sua corrente de vida nem quão variadas fossem suas experiências, jamais poderiam esquecer completamente o ‘Eu Divino Interior’. Essa proteção da alma foi concedida aos participantes do banquete como recompensa por sua fé e lealdade ao Deus dentro de si mesmos, ao rei e ao império. Os conselheiros e os demais presentes haviam servido sincera e continuamente ao bem do império e, por esse serviço, foi-lhes concedida proteção da alma através dos séculos.
Cada um ergueu sua taça e bebeu ao ‘Deus em si mesmo’ — à sua própria ‘Chama do Altíssimo Vivente’. Os acontecimentos do banquete foram transmitidos a todos no império por meio de um rádio semelhante ao que usamos hoje. Não era maior que um prato de jantar, mas tinha poder suficiente para receber o que acontecia em qualquer ponto da superfície terrestre.
Depois da saudação ao Eu Divino em cada um, todos ficaram muito quietos, e a própria atmosfera pareceu perfeitamente imóvel. Em poucos instantes, uma Maravilhosa ‘Presença’ começou lentamente a tornar-se visível diante do rei.
Essa ‘Presença’ era um ‘Mestre Cósmico’ vindo do ‘Grande Silêncio’. Um murmúrio de reverência e surpresa percorreu os convidados reunidos quando ele apareceu, pois reconheceram, assombrados, Um de Quem ouviam falar havia muitos séculos, embora nenhum deles jamais tivesse visto Sua ‘Presença’ visível. Erguendo a mão direita, ele se dirigiu aos presentes e a todos os habitantes do império.
«Ó Filhos da Terra, trago-lhes uma advertência de grave importância num momento de grande crise. Libertem-se da armadilha dos sentidos que os está engolfando! Despertem de sua letargia antes que seja tarde demais! Este — meu ‘Irmão de Luz’ — precisa retirar-se e deixá-los entregues à experiência que vocês escolheram e que lentamente os atrai para suas muitas armadilhas. Vocês se abriram à ignorância e às emoções descontroladas do eu exterior.
«Vocês dão pouca atenção e ainda menos adoração à sua ‘Fonte’ — o Supremo, o Poderoso, o Radiante, o Majestoso, a Causa Infinita de tudo o que existe — o Criador e Sustentador de todos os mundos. Não demonstram gratidão à ‘Grande Presença Gloriosa’ — o ‘Senhor do Amor’ — pela própria Vida por meio da qual existem.
«Oh! por que vocês não são sequer gratos pelas bênçãos que a Natureza derrama com tanta abundância, pela fartura que lhes chega através desta bela terra e de seu próprio soberano sábio e altruísta? Vocês agradecem uns aos outros por favores — pelas coisas dos sentidos e da forma que são tão efêmeras, que passam de um para outro e depois deixam de existir —; mas por que, oh, por quê, esquecem a ‘Fonte’ de toda Vida, de todo Amor, de toda Inteligência, de todo Poder?
«Povo! Ó Povo! onde está sua gratidão à Vida, ao Amor, pela magnificência da experiência de que desfrutam a cada momento, a cada hora, a cada dia, ano após ano? Tudo isso vocês chamam de seu, mas sempre pertenceu, pertence agora e sempre pertencerá à Única Grande Fonte de Vida, Luz, Amor e Todo Bem — DEUS — o Supremo — o Adorável — o Uno Onipenetrante.
«Quando, pelo mau uso que vocês mesmos fazem da energia da Vida, que esse Uno Onipenetrante derrama constantemente sobre vocês, pura, perfeita e incontaminada, criam condições tão destrutivas e dolorosas que já não podem ser suportadas, então se voltam, em desespero, agonia ou rebelião, e clamam a Deus para que os alivie de sua miséria. Essa é a oferta que fazem ao ‘Doador de Todo Bem’ em troca daquela Perfeição Incessante que Ele continuamente lhes concede em Supremo Amor. A única condição mediante a qual o ‘Grande Eu Uno’ tudo dá é o uso correto de tudo, para que possa abençoar o restante da criação com alegria infinita, atividade harmoniosa e Perfeição.
«Quando, nas profundezas da miséria, vocês se voltam novamente para sua Fonte em busca de alívio das consequências de seus próprios atos, ou clamam na agonia do desespero ou, se rebeldes, culpam a Vida e a Fonte de Todo Bem por permitirem que aquilo que chamam de injustiça e condições erradas exista em vocês e em seu mundo.
«São vocês, o pequeno eu pessoal, que são injustos com a Vida; são vocês que agem de modo injusto; são vocês que criam a miséria da Terra; pois somente a humanidade, por possuir livre-arbítrio para criar como quiser, cada indivíduo mediante seu próprio pensamento e sentimento, ousa trazer à existência a discórdia, a miséria e a deformidade que se manifestam na Terra. Isso é uma mácula sobre a Criação e sobre a Perfeição que ressoa eternamente na Grande Melodia Cósmica do Canto Eterno.
«Somente a humanidade é culpada de produzir uma dissonância na música das esferas, pois todo o restante vive e atua de acordo com a ‘Lei do Amor, da Vida, da Harmonia e da Luz’. Todo o restante se funde no conjunto harmonioso — o ‘Corpo do Infinito, do Uno Todo-Amoroso’.
«Todos os outros reinos da ‘Vida e Luz’ movem-se e criam de acordo com o princípio fundamental sobre o qual repousa toda Perfeição. Esse princípio é o Amor. Se não fossem os ‘Grandes Seres Altruístas’, como seu soberano — as Grandes Hostes de Mestres Ascensionados, cuja própria Nota-Chave da existência é o Amor —, a humanidade já teria destruído a si mesma e o próprio planeta sobre o qual vive.
«As atividades transcendentes e magníficas do Amor e da Luz são as Condições Naturais nas quais Deus criou Seus filhos humanos e esperava que se manifestassem, obedecendo a Seu mandamento de Amar. Não existe em nenhum lugar do Universo uma condição sobrenatural. Tudo o que é transcendente, belo e Perfeito é Natural e está de acordo com a ‘Lei do Amor’. Tudo o que é diferente disso é subnatural. A experiência diária das Hostes de Mestres Ascensionados é a Perfeição na qual os filhos de Deus foram destinados a viver sempre. Os filhos da Terra já expressaram essa Perfeição em um ciclo anterior, que foi uma Era de Ouro.
«Essa antiga civilização — essa Perfeição Antiga — é mais velha do que você imagina, mais velha do que acredita que o próprio planeta seja. Toda a humanidade daquele período vivia num estado transcendente semelhante ao dos Mestres Ascensionados. A condição de miséria que se seguiu desde então, através das eras, surgiu porque a humanidade escolheu afastar o olhar de sua ‘Fonte’ — o Amor — como plano segundo o qual viver a Vida.
«Quando os filhos da Terra desviam o olhar do Amor, estão deliberada e conscientemente escolhendo a experiência do caos. Quem procura existir sem Amor não pode sobreviver por muito tempo em parte alguma da criação. Tais esforços inevitavelmente trazem fracasso, miséria e dissolução. Tudo o que carece de Amor deve retornar ao caos, ao informe, para que sua substância possa ser novamente utilizada em combinação com o Amor e, assim, produzir uma forma nova e perfeita.
«Essa é a Lei da Vida Universal, assim como da vida individual. É Imutável, Irrevogável, Eterna e, ainda assim, Benéfica, pois a criação na forma existe para que Deus tenha algo sobre o qual derramar Amor e, desse modo, expressá-lo em ação. Essa é a ‘Lei do Poderoso Uno’ da qual tudo o mais procede. É o ‘Mandato da Eternidade’, e a vastidão e o brilho dessa Perfeição não podem ser descritos em palavras.
«Se não existissem essas condições de Vida e experiência reais, efetivas, permanentes e Perfeitas, que transcendem em muito qualquer descrição humana, a existência não passaria de uma caricatura da estupenda atividade da Vida que pulsa eternamente por toda a criação. Existem aquelas Esferas superiores, harmoniosas e Transcendentes — reinos de atividade e consciência, individuais e cósmicos — onde a criação prossegue continuamente em Alegria, em Amor, em Liberdade e em Perfeição.
«Esses reinos são reais, reais, reais e muito mais permanentes do que seus corpos e edifícios no mundo físico ao seu redor. Esses Reinos da Vida são criados de uma Substância tão carregada de Amor que jamais podem ter qualquer qualidade ou atividade de discórdia, imperfeição ou desintegração imposta sobre eles ou registrada neles. Por serem baseados no Amor, a Perfeição de tal manifestação é mantida para sempre, sempre ativa, sempre em expansão, sempre abençoando com alegria tudo o que existe.
«Vocês trazem sofrimento sobre si mesmos, e ele os impulsiona a encarnar repetidas vezes na ignorância dos sentidos, nos apetites humanos e nos desejos do eu exterior. Esses apetites, na natureza dos sentimentos da humanidade, são em si apenas um acúmulo de energia à qual o indivíduo, por meio de seu pensamento e sentimento, atribuiu uma qualidade de uma espécie ou de outra. Essa energia mal qualificada ganha momentum (N. do T.: termo inglês que designa aqui uma força, qualidade ou capacidade acumulada e reforçada pela repetição e pelo uso) por meio da expressão humana e se torna hábito. Hábito é apenas energia especificamente qualificada e mantida focalizada por algum tempo sobre um objetivo.
«Os apetites dos sentidos de vidas passadas tornam-se as forças propulsoras e os hábitos das vidas seguintes, mantendo vocês como escravos, presos às rodas da carruagem da discórdia, da carência e da necessidade, fazendo-os girar através de um labirinto de problemas humanos e experiências de sua própria criação, obrigando-os a aprender e obedecer à Lei do Uno — o Amor.
«Suas próprias más criações os impelem adiante, sempre e sempre, até que estejam dispostos a compreender a Vida e obedecer à Sua Única Lei — o Amor. Vocês giram de Vida em Vida, experimentando discórdia após discórdia, até aprenderem realmente a viver a Lei do Amor.
«Essa é uma atividade compulsória da qual ninguém escapa, e ela continua até que o eu exterior pergunte a razão de sua miséria e compreenda que sua libertação da experiência do sofrimento só pode vir pela obediência à ‘Lei do Amor’. Tal obediência começa como calma, paz e bondade nos sentimentos, cujo centro está no coração. Seu contato com o mundo exterior deve ocorrer por meio do ‘Sentimento Interior’.
«O Amor não é uma atividade da mente, mas a ‘Essência Pura e Luminosa’ que cria a mente. Essa Essência, proveniente da Grande Chama Divina, flui para a substância e derrama-se constantemente como Perfeição em forma e ação. O Amor é a Perfeição manifesta. Ele só pode expressar paz, alegria e um derramamento desses sentimentos para toda a criação — incondicionalmente. Não pede nada para Si Mesmo, porque é Eternamente Autocriador, sendo o Batimento Cardíaco do ‘Supremo’. O Amor possui Tudo e só se ocupa em pôr em ação o Plano de Perfeição em tudo. Assim, é um constante derramamento de Si Mesmo. Não leva em conta o que foi dado no passado, mas recebe Sua alegria e mantém Seu equilíbrio mediante o contínuo Fluxo de Si Mesmo para fora. Como essa Perfeição está dentro do Amor, fluindo para sempre, Ele é incapaz de registrar qualquer coisa que não seja Ele Próprio.
«Somente o ‘Amor’ é a base da harmonia e do uso correto de toda energia da Vida. Na experiência humana, isso se transforma num desejo de dar, dar e dar toda a paz e harmonia do indivíduo ao restante da criação.
«Povo! Ó Povo! através de todas as eras, para sempre! somente Amor suficiente pode levá-los de volta ao Céu que um dia conheceram e no qual habitaram. Ali, vocês voltarão a abraçar a plenitude da ‘Grande Luz’ que tudo dá por meio do Amor.
«Um príncipe visitante aproxima-se de suas fronteiras. Entrará nesta cidade procurando a filha de seu rei. Vocês ficarão sob o governo desse príncipe, mas o reconhecimento de seu erro será inútil. Nada poderá ajudá-los, pois a família real será conduzida à proteção e aos cuidados daqueles cujo poder e autoridade são de Deus e contra os quais nenhum desejo humano jamais poderá prevalecer. São os Grandes Mestres Ascensionados de Luz da Cidade Etérica Dourada situada sobre esta terra. Ali, seu soberano e seus amados filhos permanecerão por um ciclo de tempo.» Voltando-se para o rei, dirigiu-se a ele, dizendo:
«Eu o abençoo, meu nobre e paciente Irmão! Amoroso e altruísta tem sido seu serviço ao seu povo. Profunda e eterna é sua devoção ao Supremo Uno — a Fonte de Toda a Criação. A Cidade Etérica Dourada o aguarda e recebe com alegria você e seus filhos.
«Dentro de Sua radiação, vocês viverão servindo por meio dos Raios de Luz que fluem eternamente daqueles que ali habitam, até que seu povo se redima pela obediência à ‘Lei do Amor’.
«Esse ‘Império de Luz’ existe sobre a terra que você amou tão profundamente. Ele é composto de substância etérica autoluminosa e repousa acima da cidade física que é sua capital. É real, muito real e muito mais permanente do que qualquer cidade terrestre, pois a ‘Luz’ é indestrutível e a Cidade Dourada é feita de ‘Luz’. Nenhum pensamento desarmônico nem condição perturbadora de qualquer espécie jamais pode entrar Nela.
«Voltarei dentro de sete dias para levar você e seus filhos à ‘Cidade de Luz’, onde observaremos o progresso da humanidade e atrairemos para a ‘Luz’ todos aqueles que se disciplinarem e se prepararem. Circundando a Cidade existe um cinturão invencível de força eletrônica através do qual é impossível passar qualquer coisa que não tenha sido convidada.»
Quando terminou de falar, ele abençoou a família real, os convidados e o império e, nos instantes de silêncio que se seguiram, Sua Luz e o contorno de Seu Corpo dentro dela tornaram-se cada vez mais tênues até desaparecerem por completo.
Um murmúrio percorreu o grande salão de banquetes e, enquanto todos olhavam para o rei, sua cabeça estava inclinada em reverente silêncio. Então, lentamente, ele se levantou e desejou boa noite aos convidados.
No sétimo dia, o ‘Irmão vindo do Silêncio’ retornou e, envolvendo o rei e seus filhos em sua própria aura resplandecente, retirou-se com eles para a ‘Cidade Etérica Dourada de Luz’.
O príncipe visitante chegou no dia seguinte, descobriu a condição do império e a consternação que ainda dominava seu povo. Imediatamente, planejou de modo sutil tornar-se seu governante. Conseguiu isso sem oposição. Dois mil anos depois, a maior parte daquele império havia se tornado terra árida, os cursos d’água haviam secado e a desolação se estendia por toda parte; tudo como resultado da discórdia e do egoísmo da humanidade e da praga que isso se torna para o crescimento da vida vegetal na natureza. Esse reino se estendia por toda a largura da África em direção ao leste, até alcançar as Montanhas do Himalaia.
Seguiu-se um grande cataclismo, submergindo toda a terra. Com essa mudança, formou-se um mar interior onde hoje se encontra o Deserto do Saara. Outra mudança terrestre, ocorrida há cerca de doze mil anos, drenou esse mar, e uma parte dele tornou-se mais tarde o atual Deserto do Saara. O rio Nilo, tal como existe hoje, é o que mais se assemelha aos belos cursos d’água daquele período há muito esquecido.
Assim terminou nossa observação daquelas cenas antiquíssimas. Eu mal podia acreditar em meus sentidos, tão espantado estava com a maneira pela qual as experiências do passado haviam sido revivificadas — as imagens projetadas nas três dimensões — e a atividade das pessoas daquela era remota, retratada diante de mim.
Percebendo quão surpreso eu estava e quão pouco habituado a atividades desse tipo, Saint Germain prometeu levar-me aos registros físicos daquele período e daquele povo, e dar-me prova física de que aquilo não era uma visão criada por ele.
Olhando ao redor a partir do tronco sobre o qual estávamos sentados, vimos a pantera dormindo profundamente ali perto. Saint Germain retomou a explicação de várias fases importantes da aplicação das leis superiores para manifestar o próprio domínio inerente sobre as coisas do mundo dos sentidos. Isso o levou a explicar como conseguia expressar tamanha juventude e Perfeição num corpo tão antigo, segundo a maneira humana de contar o tempo.
«Juventude Eterna», explicou ele, «é a Chama de Deus que habita no corpo do homem — o Presente que o Pai faz de Si Mesmo à Sua Criação. A juventude e a beleza, tanto da mente quanto do corpo, só podem ser conservadas permanentemente por aqueles indivíduos que sejam fortes o bastante para excluir a discórdia; e quem fizer isso poderá e irá expressar Perfeição e mantê-la.
«Onde a Paz, o Amor e a Luz não habitam nos pensamentos e sentimentos de um ser humano, nenhum esforço físico, por maior que seja, pode manter o eu exterior expressando juventude e beleza. Elas existem Eternamente dentro da Chama Divina, que é o Eu Divino de cada indivíduo. Toda discórdia que o eu exterior permite que atravesse o pensamento e o sentimento é, naquele mesmo instante, impressa na carne do corpo físico. A Juventude e a Beleza Eternas são Autocriadas e para sempre Autoexistentes dentro da Chama da Vida de Deus em cada ser humano. Esse é o Plano de Deus para manifestar Sua Perfeição no mundo da forma e mantê-la para sempre.
«Juventude, Beleza e Perfeição são atributos do Amor que o Eu Divino derrama continuamente em Sua Criação. Dentro de cada indivíduo foram colocados o poder e os meios para manter e aumentar essa atividade perfeita e sempre expansiva da criação.
«O poder de realização é a energia do Eu Divino em cada ser humano nascido no mundo. Ela está sempre ativa, a cada momento, em sua mente, em seu corpo e em seu mundo. Não há instante em que essa poderosa energia não esteja fluindo através de todos os indivíduos. Você tem o privilégio de qualificá-la como quiser, ao comando de seu próprio livre-arbítrio, por meio do pensamento e do sentimento conscientemente dirigidos.
«O pensamento é a única coisa no Universo capaz de criar vibração e, por meio da vibração, você qualifica essa energia sempre fluente com aquilo que deseja ver manifestado em sua vida e em seu mundo. Essa energia ilimitada, inteligente e radiante flui incessantemente por seu sistema nervoso e é a Vida Eterna e a vitalidade da corrente sanguínea que percorre suas veias. É uma atividade todo-poderosa, onipresente e inteligente, dada a você pelo Pai — o Princípio Divino da Vida — para ser conscientemente dirigida segundo seu livre-arbítrio. A verdadeira Inteligência, que usa tudo construtivamente, vem apenas de Dentro do Princípio Divino — a Chama da Vida — e não é simplesmente a atividade do intelecto. A verdadeira Inteligência é Sabedoria ou Conhecimento Divino, e ela não pensa nem pode pensar pensamentos errados. Pensamentos errados provêm somente das impressões feitas no intelecto pelo mundo exterior ao indivíduo. Se as pessoas distinguissem entre seus próprios pensamentos — isto é, pensamentos provenientes de dentro da Chama Divina — e as sugestões lançadas pelos intelectos de outras pessoas, bem como as evidências dos sentidos, que consideram apenas as aparências, poderiam evitar todas as atividades e condições discordantes no mundo da experiência.
«A Luz proveniente de dentro da própria Chama Divina é o critério — o padrão de Perfeição — pelo qual todos os pensamentos e sentimentos que nos chegam através dos cinco sentidos devem ser testados. Ninguém pode manter seus pensamentos e sentimentos qualificados com Perfeição se não recorrer à ‘Fonte da Perfeição’, pois essa qualidade e atividade só habitam dentro da Chama Divina.
«Daí a necessidade de cada indivíduo meditar sobre a Luz de Deus dentro de si mesmo e comungar com Ela. A Essência Pura da Vida não apenas dará e sustentará Juventude e beleza Eternas no corpo, mas também permitirá que você mantenha o equilíbrio perfeito entre seu Eu Divino e o eu exterior ou pessoal. Na verdade, essa Energia Pura da Vida é o poder que o eu exterior usa para manter sua ligação com sua Fonte Divina — o Eu Divino. Na realidade, os dois são Um, exceto quando o intelecto ou atividade exterior da mente — a consciência dos sentidos — aceita imperfeição, desarmonia, incompletude ou pensa ser uma criação separada da ‘Presença’ do Uno Onipenetrante da Vida. Se a consciência dos sentidos pensa que é algo separado de Deus — a Perfeição —, então essa condição se estabelece para ela, pois aquilo que a consciência dos sentidos pensa para dentro de seu mundo, o mundo lhe devolve.
«Quando alguém permite que uma ideia de imperfeição ou de separação de Deus ocupe sua atenção e, portanto, sua mente, uma condição correspondente começa a expressar-se em seu corpo e em seu mundo. Isso faz com que a pessoa se sinta uma entidade separada de sua Fonte. No instante em que pensa estar separada de Deus, pensa que sua Vida, sua Inteligência e seu Poder têm começo e fim.
«A Vida sempre existiu, existe agora e sempre existirá. Ninguém pode realmente destruir a Vida. Por meio de diversas atividades no mundo mental e físico, a forma pode ser desintegrada ou temporariamente demolida, mas a consciência do indivíduo é Eterna e pode controlar toda substância, em qualquer lugar da manifestação, quando a Vida Divina Interior é reconhecida como a ‘Conhecedora, Doadora e Realizadora’ de todo bem na criação.
«Eu lhe digo a Verdade quando afirmo que existe apenas uma Fonte de todo Bem — Deus. O reconhecimento e a aceitação conscientes dessa Verdade pela atividade exterior da mente, não duas ou três vezes ao dia, mas a cada poucos instantes durante todo o dia, não importa o que o eu exterior esteja fazendo — e a manutenção desse reconhecimento — permitirão a qualquer pessoa expressar sua perfeita liberdade e domínio sobre todas as coisas humanas.
«Para a maioria das pessoas, o que acabo de dizer parece difícil, pois elas viveram tantos séculos acreditando que são seres separados de Deus, enquanto, a cada instante de cada dia, usam Vida Divina, Energia Divina, Substância Divina e Atividade Divina em tudo o que pensam e fazem sem perceber. Entretanto, é necessário admitir conscientemente esse fato na atividade exterior da mente e dar-lhe direção construtiva para liberar Seu Pleno Poder através do eu pessoal.
«O reconhecimento, a direção consciente e o uso construtivo da Energia Divina mantidos dentro de si mesmo em todos os momentos constituem o caminho da Perfeição, da Mestria e do Domínio sobre todas as coisas na Terra, inclusive o controle consciente de todas as forças naturais. A instrução que tenho lhe dado apagará completamente todas as falsas crenças, se for mantida. A rapidez com que isso se realizará depende de quão contínua, persistente e profundamente você sente e se associa com seu Eu Divino.
«Na conquista da Mestria ou do Adeptado, o controle consciente de toda força e a manipulação da substância dependem, primeiro, do reconhecimento de seu próprio Eu Divino individual; segundo, de uma calma perfeita nos sentimentos, sob todas as circunstâncias; e, terceiro, de estar acima de toda tentação de usar mal o poder. Aquietar todas as emoções ao comando da vontade consciente é imperativo, e essa exigência para o Adepto é incondicional, se o Domínio deve ser alcançado.
«Isso não significa, em momento algum, reprimir a discórdia dentro de si, mas aquietar e harmonizar os sentimentos, quaisquer que sejam as circunstâncias que envolvam a mente ou o corpo do estudante. Esse controle não é fácil para a humanidade do Mundo Ocidental, porque o temperamento da maioria das pessoas no Ocidente é sensível, emocional e impulsivo. Essa característica é energia de tremendo poder. Ela deve ser controlada, mantida em reserva e liberada somente mediante direção consciente para realizar algo construtivo. Enquanto o desperdício de energia não for detido e completamente governado, o indivíduo não pode e jamais poderá fazer progresso permanente.
«O estudante pergunta com frequência se, ainda no caminho da realização, chega-se a um ponto em que se ultrapassa o uso da afirmação. Quando um indivíduo usa sinceramente uma afirmação, produz uma aceitação plena da Verdade daquilo que afirma, pois seu uso serve apenas para focalizar a atenção da mente exterior tão firmemente sobre a Verdade que ele a aceita plenamente em seus sentimentos, porque o sentimento é a verdadeira Energia Divina liberada que manifesta a Verdade afirmada.
«O uso contínuo da afirmação leva a pessoa ao ponto em que possui uma realização tão profunda da Verdade em tudo o que afirma que já não está consciente disso como uma afirmação. Usa-se uma afirmação, um mantra ou uma oração porque se deseja que algo se manifeste. O desejo correto é a forma mais profunda de oração. Assim, por meio do uso da afirmação, o estudante eleva seu eu exterior à plena aceitação de sua Verdade e gera o sentimento pelo qual ela se torna uma coisa manifestada. Nessa profunda aceitação vem a manifestação, pois, por meio da concentração, a palavra falada começa a produzir atividade instantânea.»
Minha gratidão a Saint Germain por tudo o que eu havia recebido era profunda demais para ser expressa em palavras. Ele lia meus pensamentos e sentimentos como se lê um livro e, assim, ambos permanecemos em silêncio por alguns momentos, em perfeita sintonia. Ele me despertou de meu devaneio para observar as magníficas cores do céu ocidental — o resplendor que se seguia ao pôr do sol.
Eu queria permanecer na montanha durante toda a noite e voltar para casa pela manhã, apreciando o nascer do sol. Mal havia sentido esse desejo quando um belo saco de dormir apareceu aos meus pés. Era diferente de tudo o que eu já vira. Inclinei-me para examinar o tecido incomum de que era feito e, para meu espanto, descobri que brilhava e estava quente. Olhei para cima, e Saint Germain, sorrindo, estendeu-me uma taça de cristal cheia de um líquido dourado com aproximadamente a consistência do mel. Obediente ao menor de seus desejos, bebi-o e, instantaneamente, um brilho radiante atravessou meu corpo. Quando terminei, a taça desapareceu em minha mão.
«Oh, por que eu não poderia conservar esta bela criação?», perguntei surpreso. «Paciência, meu Filho», respondeu ele, «seus desejos não estão sendo realizados um a um? Seu saco de dormir permanecerá até o amanhecer, e sua amiga, a pantera, o guardará durante a noite.»
Inclinando-se ligeiramente e com um sorriso que era a própria expressão da gentileza, seu corpo tornou-se gradualmente indistinto e depois desapareceu por completo. Deitei-me no belo saco de dormir e logo adormeci profundamente. Quando os tons rosados da aurora tocaram o horizonte oriental, despertei, e o primeiro pensamento em minha mente foi sobre o saco de dormir de que tanto havia gostado. Com esse pensamento, ele desapareceu de volta na substância universal da qual viera.
A pantera veio até mim e, juntos, tomamos o caminho de volta para casa. Depois de caminharmos certa distância, o som de vozes de homens chegou aos nossos ouvidos. O animal farejou o ar, parou subitamente bem diante de mim e olhou para cima. Inclinei-me, acariciei-o e disse:
«Agora você pode ir.» Ela saltou para a região densamente arborizada da montanha, à direita da trilha. Continuei meu caminho sem outros incidentes e, por fim, cheguei ao meu alojamento pouco depois do meio-dia, num estado de espírito difícil de descrever em palavras.
Eu queria pensar — contemplar — assimilar — e adaptar-me a um conjunto inteiramente novo de ideias. As experiências incomuns, porém muito reais, pelas quais eu havia passado nas quarenta e oito horas imediatamente anteriores estavam fazendo com que eu reorganizasse todo o meu mundo. Eu estava extremamente feliz e, ainda assim, parecia que outro Universo havia se manifestado ao meu redor. Exteriormente, havia o mesmo velho mundo prosaico que eu sempre conhecera, sem dúvida; e, no entanto, era realmente o mesmo? Dentro dele, o tempo todo, haviam existido essas experiências maravilhosas — esse tremendo poder — essas extraordinárias revelações de liberdade e domínio sobre toda manifestação, das quais eu estivera totalmente inconsciente.
Durante toda a minha vida, eu estivera cercado por esses aparentes milagres aos quais, nos anos anteriores, permanecera tão alheio como se nada semelhante existisse na criação. Pensei e pensei, cada vez mais profundamente do que jamais havia contemplado qualquer coisa em toda a minha existência.
Chegou a hora do jantar, mas eu não estava com fome. Ainda assim, para começar a refeição da noite, pedi um copo de leite. Foi servido e, poucos instantes depois, quando o provei, imagine meu espanto ao descobrir que havia se transformado no mesmo líquido cremoso que Saint Germain me dera pela primeira vez.
Terminei a refeição, voltei para casa e preparava meu banho antes de me recolher quando, de repente, o conhecido sinal elétrico me percorreu da cabeça aos pés. Involuntariamente, estendi a mão e, em poucos segundos, formou-se em minha palma um pequeno bolo de substância semelhante a cristal. De algum modo, eu sabia que deveria colocá-lo no banho e, assim que deixei cair a substância na água, ela imediatamente começou a borbulhar e cintilar como se estivesse viva.
Entrei na água, e uma sensação de formigamento percorreu cada célula de meu corpo. Eu me senti carregado com uma corrente elétrica de alta potência que iluminou e fortaleceu todo o meu ser. Terminado o banho, deitei-me e logo caí num sono sem sonhos.
CAPÍTULO III
Royal Teton
QUATRO dias se passaram sem nenhum acontecimento incomum, e eu procurei compreender plenamente o significado mais profundo de minhas experiências recentes. Ao anoitecer do quinto dia, já estava escurecendo quando ouvi batidas na janela de meu quarto. Olhei para fora e, no peitoril, estava uma pomba branca como a neve, com um pequeno cartão no bico.
Fui até a janela e a abri. A pomba entrou e ficou esperando calmamente. Peguei o cartão e li a mensagem, escrita na mesma bela caligrafia da anterior, mas desta vez com tinta dourada sobre um cartão branco. Nele estavam as palavras:
«Esteja em nosso local de encontro às sete da manhã.» Assinado: «Saint Germain».
Assim que peguei o cartão, a pomba voou para meu ombro e roçou a cabeça em meu rosto, como se transmitisse uma mensagem de amor; depois voltou a voar para a janela e partiu como uma flecha. Guardei o cartão cuidadosamente, esperando que permanecesse, mas, na manhã seguinte, quando o procurei antes de iniciar minha caminhada, ele havia se dissolvido. O cartão dourado em que fora escrita a primeira mensagem durara até o terceiro dia, pois eu o observara várias vezes, esperando poder conservá-lo permanentemente. Quando descobri que havia retornado ao Universal, meu coração se abateu, tão grande era minha decepção.
Eu sabia que, para percorrer dez milhas a pé e estar lá às sete da manhã, teria de partir pouco depois da meia-noite. Levantei-me cedo e já estava a caminho às três horas. Caminhando rapidamente, cheguei à floresta exatamente ao amanhecer. Eu não havia ido muito longe quando um grito lamentoso chegou aos meus ouvidos. Antes que me desse conta, respondi no mesmo tom, tão involuntária foi minha reação. Algo atravessou rapidamente a mata, e minha amiga, a pantera, saltou em minha direção, a própria personificação da alegria. Acariciei-a e, juntos, seguimos para o local do encontro.
Pontualmente às sete horas, Saint Germain surgiu diretamente da atmosfera, saudando-me de braços abertos. Mais uma vez, entregou-me a taça de cristal, desta vez cheia de um líquido claro e cintilante. Bebi, e o sabor não se parecia com nada que eu jamais tivesse experimentado fisicamente antes. Era quase como suco de toranja gelado, mas cintilante e efervescente. No instante em que o bebi, uma sensação semelhante a um relâmpago atravessou meu corpo, levando a sensação de sua atividade cintilante a cada veia.
Saint Germain então deu à pantera um pequeno bolo marrom, que ela devorou rapidamente. Em um instante, seus pelos se eriçaram, e ele observou:
«Sua amiga nunca mais matará veados.»
«Para a experiência e a instrução que virão, será necessário deixar seu corpo aqui na encosta da montanha, porque você ainda não invocou Poder Interior suficiente para poder levá-lo aonde iremos hoje. A pantera ficará de guarda para você e, como precaução adicional, colocarei o manto da invisibilidade ao redor de ambos. Iremos ao Royal Teton.
«Venha.»
Instantaneamente, encontrei-me fora do corpo, em meu corpo mais sutil, vestido com uma rica veste de tecido dourado autoluminoso.
«Observe cuidadosamente o material com que está vestido», continuou ele. «A substância que compõe a roupa que você usa possui certas qualidades e poderes extraordinários próprios, um dos quais é permitir a quem a veste levantar e transportar objetos físicos. A própria vestimenta possui energia eletrônica pura e pode ser usada para mover objetos, da mesma forma que a força utilizada por meio do corpo físico. Trata-se de uma atividade extraordinária cujo uso, pela primeira vez neste planeta, foi autorizado pelos Grandes Mestres de Luz.»
Para o benefício de meus leitores, quero afirmar de modo claro e inequívoco que, embora eu estivesse vestido com um corpo que realmente funcionava em quatro dimensões durante essas experiências, ele me dava a capacidade de sentir e manipular objetos sólidos no mundo físico, da mesma maneira que qualquer pessoa pode fazê-lo em seu próprio corpo físico. O corpo que usei desta vez não era aquilo que às vezes é chamado de corpo astral.
Logo alcançamos o topo de uma montanha majestosa que se ergue como sentinela sobre uma das regiões de paisagem mais belas dos Estados Unidos. Vastas florestas estendiam-se abaixo de nós, e grandes cadeias de montanhas, com seus tesouros de riqueza mineral ainda intocados, prolongavam-se até onde a vista alcançava.
Dirigindo-se a um ponto onde enormes massas de pedra jaziam em desordem, como se gigantes as tivessem arremessado uns contra os outros numa guerra, Saint Germain tocou um grande bloco rochoso. Instantaneamente, a enorme massa se deslocou talvez quatro pés de sua posição original. Ele fez sinal para que eu o seguisse. Entramos e, para meu espanto, ficamos diante de uma grande porta de bronze.
«Isto está aqui desde antes do afundamento da Atlântida, há mais de doze mil anos», explicou ele.
Ele avançou e pressionou determinados pontos na porta. A grande massa de bronze, pesando muitas toneladas, abriu-se lentamente e nos deu acesso a uma câmara espaçosa, da qual uma escadaria talhada na rocha sólida levava para baixo. Descemos cerca de duzentos pés e entramos em outro espaço, de forma circular. Saint Germain atravessou a sala até uma porta oposta às escadas e colocou a mão direita sobre ela. Ao se abrir, ficamos diante da entrada de um elevador tubular. O interior parecia prata fosca e, respondendo ao meu pensamento, ele disse:
«Sim, mas mais duro e mais resistente que o aço e indestrutível.» Um disco plano do mesmo metal, ajustando-se de modo bastante preciso ao tubo, subiu por dentro dele até o nível do piso. A plataforma era inteiramente controlada e operada pelo Mestre. Ele subiu nela, e eu o segui. A porta se fechou e começamos a descer. Foi uma longa descida, embora não nos movêssemos rapidamente. A plataforma parou diante de outra porta de bronze, de desenho completamente diferente.
«Descemos dois mil pés até o próprio coração da montanha», comentou ele enquanto saíamos do tubo.
O espaço em que nos encontrávamos tinha desenho e disposição peculiares. Formava um retângulo alongado de leste a oeste, cujos cantos nordeste e noroeste haviam sido cortados em ângulo. Isso formava uma antecâmara ou sala de recepção externa. A pesada porta de bronze do elevador tubular abria-se para essa antecâmara na parede nordeste.
No lado norte havia outras duas grandes portas de bronze exatamente iguais, que davam acesso a uma grande sala de audiências. Na parede noroeste havia ainda outra porta, a quarta, semelhante àquela pela qual havíamos entrado. Do lado oposto, ao longo da extensa parede sul sem interrupção, pendia uma imensa tapeçaria.
Era feita de um material extremamente incomum e, embora a trama fosse grossa, o fio ou a fibra era tão macio quanto pelo de camelo. O fundo era de uma delicada cor creme e, sobre ele, apareciam duas figuras em tamanho natural representando Seres Divinos de Grande Majestade e Poder. A figura à direita era masculina e a outra feminina. Ambas estavam de pé como se estivessem no ato de ordenar às Forças Cósmicas que obedecessem a seus decretos.
A figura masculina usava uma ampla túnica de rico material azul-safira profundo, orlada e ricamente bordada em ouro. Evidentemente, era uma veste de cerimônia ou símbolo de autoridade. Sob a veste externa havia uma túnica de tecido dourado, de aparência metálica. Um resplendor de rubis, diamantes, safiras e esmeraldas cobria o peito. A cintura era circundada por um cinto de joias, do qual pendia um painel de cerca de doze polegadas de comprimento. Ele também era ricamente incrustado com os mesmos tipos de pedras preciosas. A túnica chegava aos joelhos, e a borda inferior era guarnecida por uma faixa de cerca de quatro polegadas de largura, com pesado bordado em seda da mesma cor das joias.
O efeito geral dava a impressão de que as vestes eram todas autoluminosas. Os pés estavam calçados com botas semelhantes a sandálias, de couro dourado, que chegavam quase aos joelhos, muito ornamentadas e atadas com cordões azul-safira. Uma faixa de ouro de cerca de uma polegada e meia de largura repousava sobre a parte média da testa, prendendo os cabelos dourados e ondulados da figura, que caíam até cerca de seis polegadas abaixo dos ombros.
A tez era muito clara, com suave tonalidade rosada, e os olhos eram de um azul-violeta profundo. Os dedos da mão esquerda repousavam levemente sobre o coração, e a mão direita erguida segurava um bastão de cristal resplandecente, símbolo de poder e autoridade. A extremidade inferior terminava em ponta e, no topo, repousava uma esfera de cerca de três polegadas de diâmetro que emitia raios de brilhante Luz Branca.
Percebia-se sem qualquer dúvida que a figura representada estava no ato de manejar um poder gigantesco e de dirigir alguma Poderosa Força Cósmica. Toda a aparência sugeria plena juventude e, ainda assim, a sabedoria das eras falava por aqueles olhos de um passado remotíssimo.
A veste de autoridade da figura feminina era de um violeta profundo, orlada com bordados dourados semelhantes aos de seu companheiro. O vestido de baixo era de um material macio, dourado e cintilante, que chegava quase ao chão. O fio usado na tapeçaria para representar as vestes devia ser o mesmo que realmente compunha o material das roupas originais. Esse Ser usava uma faixa de joias com um painel que descia cerca de duas polegadas abaixo dos joelhos e era incrustado com os mesmos tipos de pedras preciosas da figura masculina.
A ponta da sandália direita era apenas visível sob a borda do vestido e era feita de couro dourado. Seu adorno de cabeça era uma simples faixa de ouro exatamente igual à dele, e os olhos eram do mesmo azul-violeta, porém em tonalidade mais clara; seus cabelos dourados caíam até os joelhos.
Sobre o peito, suspensa por uma corrente dourada, pendia uma grande estrela de sete pontas, lapidada a partir de um único diamante. Na mão esquerda, ela segurava uma esfera de cristal de cerca de seis polegadas de diâmetro e, na direita, erguida como a da outra figura, um cetro de desenho extremamente incomum. Cerca de dois terços da parte inferior eram feitos de ouro e terminavam numa ponta em forma de lança; o terço superior era composto de uma substância semelhante a cristal, radiantemente luminosa. No topo, essa parte formava um desenho semelhante a uma flor-de-lis, exceto pelo fato de que a ponta central era muito mais longa e se afilava até um ápice delgado formado por suas quatro faces.
A folha curva à direita da parte central era de um belo rosa, e a da esquerda de um azul-safira profundo, enquanto a do meio era branco-cristalina. Todas eram transparentes e brilhavam com Luz. As partes de ouro e semelhantes a cristal fundiam-se perfeitamente, pois não havia linha de demarcação entre as duas substâncias. Seu cetro simbolizava as Três Atividades da Força Criadora.
A esfera de cristal em sua mão esquerda revelava a Perfeição ainda não manifestada do futuro na Atividade Cósmica. Ambos os cetros representavam a atração e a direção do Poder Criador para dentro da substância universal com vistas a uma manifestação especial. Mesmo na tapeçaria, eram radiantes e belos, e eu não podia deixar de imaginar como seriam na realidade. Saint Germain permaneceu pacientemente esperando enquanto eu estudava todo o conceito, tão fascinado estava pela magnificência da obra inteira.
«Esses dois Grandes Seres foram os fundadores deste Retiro», observou ele enquanto nos virávamos, passávamos pela porta de bronze à nossa direita e entrávamos numa grande sala que imediatamente se percebia ser usada como uma vasta sala de conselho para algum propósito sagrado e cerimonial.
Toda a atmosfera era de magnificência e beleza. As palavras fracassam por completo em transmitir aquilo que meus olhos contemplaram e meus sentimentos experimentaram. Levei alguns instantes para me acostumar à visão deslumbrante e ao esplendor ao meu redor.
A sala tinha pelo menos duzentos pés de comprimento e cem pés de largura, com um teto de cerca de cinquenta pés de altura. Uma luz branca e suave, que Saint Germain explicou ser uma força onipresente que os Grandes Seres sempre usam para luz, calor e energia, inundava todo o lugar. Cerca de vinte pés das paredes laterais e da extremidade oposta da sala eram formados por ônix branco. Onde essa formação terminava, os construtores haviam atravessado um grande veio de ouro virgem com mais de dois pés de largura.
A parte principal de ambas as paredes laterais era de granito azul-claro, mas, perto da extremidade por onde havíamos entrado, a estrutura natural mudava para granito rosa de qualidade ainda mais refinada. A superfície das paredes, do teto e do piso havia sido altamente polida, evidentemente por algum processo extraordinário.
O teto arqueado, que se elevava cerca de dez pés acima das paredes laterais, era incrustado com um desenho extremamente singular. Exatamente no centro havia um disco de ouro de pelo menos doze pés de diâmetro. Preenchendo-o de modo que as pontas tocassem a circunferência, ardia uma estrela de sete pontas composta inteiramente de diamantes amarelos — uma massa sólida de brilhante Luz dourada.
Irradiando desse Sol Central havia dois anéis de cor, cada um com cerca de doze polegadas de largura, formando uma faixa definida de Luz ao redor da estrela; desses, a faixa interna era rosa e a externa, de um violeta intenso. O fundo sobre o qual a estrela repousava parecia geada dourada, e a própria estrela projetava longos raios de Luz cristalina e cintilante.
Ao redor desse desenho estavam colocados sete discos menores, cada um com cerca de dois pés de diâmetro, representando os planetas de nosso sistema e os sete raios de cor dentro do espectro da Luz branca. A superfície de cada disco tinha a maciez do veludo, e somente a tonalidade mais clara, intensa e positiva de cada cor havia sido utilizada.
Como soube mais tarde, em determinados momentos e para propósitos especiais, Grandes Seres Cósmicos derramam através desses discos Suas poderosas correntes de força. Aqui, elas são recebidas pelos Grandes Seres Iluminados e altruístas conhecidos como Mestres Ascensionados de Luz, que novamente as enviam à humanidade de nossa Terra. Essa radiação afeta os sete centros ganglionares dentro de cada corpo humano em nosso planeta, assim como toda a vida animal e vegetal. O fundo de todo o teto tinha a cor de um céu muito límpido numa noite de luar brilhante, embora a superfície fosse altamente refrativa.
No centro da extremidade oposta do salão, a cerca de trinta e cinco pés do chão e inserido na própria parede, havia um grande olho com pelo menos dois pés de largura. Ele representava o «Olho Onividente do Criador», eternamente velando por Sua Criação e de Quem nada pode ser ocultado.
Em determinados momentos, um tremendo poder era focalizado através desse olho para produzir resultados específicos. Ao contemplá-lo, eu só podia imaginar quais seriam minhas sensações se visse Aquele Poder em plena operação.
Talvez a quarenta pés da extremidade oposta, na parede leste, estendia-se um painel de algum material precipitado, com cerca de setenta pés de comprimento e trinta pés de altura. Fora colocado um pouco mais de cinco pés acima do nível do piso e embutido na parede lateral até uma profundidade de duas polegadas, formando uma superfície côncava em toda a borda.
A substância que o compunha parecia um belo veludo de azul-índigo profundo, mas não era tecido de espécie alguma. O material físico mais próximo com que se poderia compará-la seria algum mineral. Essa substância não é utilizada em parte alguma do mundo exterior da humanidade, mas pode ser e às vezes é precipitada pelos Grandes Mestres Ascensionados de Luz para um propósito especial.
Saint Germain explicou que o painel havia sido precipitado e servia como espelho universal para a instrução de Iniciados e de membros Interiores de um grupo de Seres Altamente Evoluídos. Esses Grandes Seres trabalham incessantemente para ajudar a humanidade de nossa Terra a tornar-se homens e mulheres Perfeitos e capacitá-los a manifestar em suas vidas exteriores a mesma grande Perfeição e o mesmo Domínio que Jesus Cristo manifestou.
Não existe organização exterior desses Seres Perfeitos. Somente vivendo e expressando essa Perfeição, mediante a autocorreção das fraquezas humanas e a plena adoração ao Ser Divino Interior, pode um indivíduo atrair-se à associação com Aqueles que trabalham nesse elevado nível de realização.
«Sobre este painel», disse Saint Germain, «são projetadas cenas da Terra, imagens nos éteres — os registros akáshicos — e atividades que ocorrem em Vênus ou em qualquer outro ponto que aqueles que instruem desejem tornar visível aos estudantes. Essas cenas não são apenas imagens do passado e do presente, mas podem retratar atividades de um futuro distante. Você as verá mais tarde.»
Passamos pela última porta à nossa direita e entramos numa sala cujas dimensões eram de cerca de oitenta pés de comprimento, quarenta de largura e vinte de altura, com um teto arqueado semelhante ao da grande sala de onde acabáramos de sair.
«Toda a superfície interna desta sala é feita de ouro fosco, e os veios roxos e verdes que você vê nas paredes como se estivessem em relevo são precipitados», continuou ele.
Na extremidade oposta e na parede lateral à nossa direita, estendendo-se do chão ao teto, havia uma estrutura de metal branco que parecia prata fosca. Nessa estrutura, apoiados sobre rolamentos, havia recipientes feitos do mesmo metal. As tampas desses recipientes apresentavam, em hieróglifos, classificações do conteúdo existente nos quatro carretéis dentro de cada um, e os hieróglifos estavam em relevo em todas as tampas.
Os carretéis tinham pelo menos dez polegadas de comprimento e, ao redor de cada um, fora enrolada uma fita de cerca de oito polegadas de largura, feita de ouro prensado, combinado com algum material que o tornava resistente e flexível, embora não fosse mais espessa que uma folha comum de papel para escrever. O comprimento das fitas de ouro nos carretéis variava de sete a cinquenta pés, e em cada uma havia caracteres como se tivessem sido gravados no ouro por algo semelhante a um estilete. Esses caracteres haviam sido executados com tamanha perfeição que o conjunto parecia uma escrita cursiva.
«Esses registros cumprem minha promessa a você», disse Saint Germain, indicando uma seção específica na extremidade oposta da parede lateral. «Eles descrevem a cidade, o país e a civilização que outrora existiram onde hoje está o Deserto do Saara, no período em que você era meu filho e eu era o soberano daquele antigo império. Esta sala contém registros de muitos países e da ascensão e queda de muitas civilizações.» Entregando-me um dos carretéis, ele soltou o fecho e, para meu espanto, descobri que conseguia ler seu conteúdo.
«Estou tornando isso possível para você», continuou ele, «elevando temporariamente sua consciência e trazendo à tona a memória oculta — o antigo registro dessas experiências pelas quais você passou em outros tempos. Conhecer Deus e Seu Universo é simplesmente entrar em contato com o registro da Vida em cada forma. Todas as formas contêm Vida e, dentro da emanação de Luz de cada forma, está registrado todo o seu passado, que qualquer pessoa pode treinar-se para descobrir e compreender, se estiver disposta a dedicar sua atenção e seu tempo à autodisciplina necessária para aquietar a confusão na atividade exterior de sua existência cotidiana. Esse registro eterno dentro de todas as coisas existe desde o princípio.
«Em eras passadas, a humanidade manifestava Perfeição em todos os sentidos. Essa antiga condição da raça foi registrada pelos historiadores como o Jardim do Éden — Éden ou E-Don —, que significa Sabedoria Divina. À medida que se permitiu que a atenção consciente, ou a atividade exterior da mente, repousasse sobre o mundo dos sentidos físicos, a ‘Sabedoria Divina’ — a atividade Onisciente da consciência — tornou-se obscurecida ou encoberta, e o ‘Plano Divino Cósmico’ da vida do indivíduo ficou submerso. A Perfeição e o controle consciente de toda forma pela humanidade ficaram ocultos e foram esquecidos junto com ela.
«O homem tornou-se consciente dos sentidos, em vez de consciente de Deus, e assim manifestou aquilo para o qual sua atenção era dirigida e sobre o que mais pensava. Ele deliberada e conscientemente deu as costas à Perfeição e ao Domínio com que o Pai o havia dotado no princípio. Criou suas próprias experiências de carência, limitação e discórdia de toda espécie. Identificou-se com a parte em vez de com o todo e, naturalmente, a imperfeição foi o resultado.
«Toda limitação da humanidade resulta do próprio mau uso, pelo indivíduo, do atributo divino do livre-arbítrio. Ele obriga a si mesmo a viver dentro de suas próprias criações até que, por vontade direta da atividade exterior de sua mente, volte conscientemente a olhar para seu origem Régia — Deus, a Grande Fonte de Tudo. Quando isso ocorrer, o homem começará a lembrar-se Daquilo que foi outrora e que pode voltar a ser — sempre que escolher olhar novamente para o ‘Grande Modelo Cósmico’ de Si Mesmo.
«O registro que você pôde ler descreve a Vida e o povo como os vimos há setenta mil anos. Você teve muito a ver com o trabalho de produzir esses registros em várias vidas que ainda não foram reveladas.»
Atravessamos a sala do conselho, entramos pela porta oposta e encontramos uma sala semelhante em tamanho à que acabáramos de deixar, com duas salas menores contíguas a ela na parede norte. Na sala maior, cobrindo quase toda a superfície da parede, havia mais estruturas metálicas cheias de recipientes muito semelhantes aos da outra sala.
«Estas salas», continuou ele, «contêm somente ouro e joias que serão usados para um propósito especial que abençoará o mundo inteiro quando a humanidade tiver transcendido seu egoísmo desenfreado.» Então retirou um recipiente cheio de moedas de ouro e continuou explicando: «Este é Ouro Espanhol perdido no mar e nós, vendo que não seria recuperado por outros meios, o trouxemos para cá por meio da atividade de certas forças que governamos. Mais tarde, num tempo que se aproxima rapidamente, ele será novamente enviado para uso no mundo exterior.
«Nestes recipientes», indicando outra seção, «está armazenado ouro proveniente dos continentes perdidos de Mu e Atlântida, das antigas civilizações dos Desertos de Gobi e do Saara, do Egito, da Caldeia, da Babilônia, da Grécia, de Roma e de outras. Se todo esse ouro fosse liberado para a atividade exterior do mundo, obrigaria a uma readaptação súbita em todas as fases da experiência humana. No momento, isso não seria sábio. A Sabedoria e o Poder Infinitos daqueles Grandes Mestres Cósmicos que têm sido os Guardiões da raça desde seu primeiro aparecimento na Terra estão quase além da compreensão da mente humana.
«Ninguém neste mundo jamais acumulou uma grande quantidade de riqueza sem a assistência e a radiação de algum Mestre Ascensionado. Há ocasiões em que indivíduos podem ser usados como focos de grande riqueza para um propósito específico e, nessas ocasiões, um poder muito maior lhes é irradiado, pois por meio dele podem receber assistência pessoal. Tal experiência é uma prova e uma oportunidade para expandirem sua Luz. Toda realização incomum que ocorre na atividade humana, não importa qual seja o canal específico, é sempre alcançada mediante a assistência do Amor, da Sabedoria e do Poder sobre-humanos de um Mestre Ascensionado, porque ele transcendeu todas as limitações do mundo físico e, por essa razão, um sucesso superior ao comum deve-se ao Seu maior poder por meio da radiação.
«Em 1887, as Hostes de Mestres Ascensionados estabeleceram uma escola nos Planos Interiores com o propósito específico de instruir aqueles que fizeram mau uso da riqueza e de lhes revelar plenamente os resultados de seus erros. Pessoas assim são levadas até lá e lhes é dita a Verdade a respeito da Lei Universal que governa toda riqueza e dos resultados decorrentes de influenciar outros a perpetuar suas ideias erradas e seus enganos. É-lhes dada plena liberdade para aceitar ou rejeitar a prova oferecida. Eles sempre aceitam e seguem a instrução dada.»
Entramos então nas duas salas menores, que também estavam equipadas com recipientes do mesmo tipo, porém menores. Estavam cheias de joias de toda espécie — diamantes, rubis, pérolas, esmeraldas e safiras — classificadas segundo a variedade e a quantidade. Sorrindo, ele se voltou para mim e disse:
«Agora você sabe e compreende que o Grande Eu Divino é o único Proprietário e Controlador Real de toda riqueza. Essa ‘Presença’ designa guardiões de Seus tesouros em todos os planos da Vida, sejam eles Luz, Sabedoria, Substância ou riquezas físicas. Vejo que você está calmo e equilibrado enquanto observamos essa fase de nossa atividade, e isso é bom. Revela sua força Interior e sua capacidade de fazer aquilo que agora está pronto para ser realizado, assim que você estiver exteriormente preparado. Isso ocorrerá em breve, eu lhe asseguro.
«Foi-lhe mostrada prova de que somos nós que realmente governamos a riqueza do mundo e a usamos apenas como prova da força da alma do indivíduo. Ela é sempre uma responsabilidade confiada — dada àqueles que deveriam ser fortes o bastante para usá-la somente de modo construtivo —, mas poucos, muito poucos, realmente passam nessa prova diante das tentações existentes hoje no mundo em geral. Se escolhermos, podemos elevar o mais humilde dos filhos de Deus, desde que tenha preparação suficiente, à riqueza, ao poder e à proeminência, se, por meio dessa realização, puder ser dada ajuda a muitos outros.»
Depois de examinarmos outros recipientes cheios de mais joias, voltamos e reentramos na sala do conselho. Olhando para a entrada por onde havíamos chegado, vi meus entes queridos — Lotus e nosso filho — sob os cuidados de um dos Mestres Ascensionados, que Saint Germain disse ser conhecido como Amen Bey. Depois de trocarmos saudações, fomos conduzidos a assentos diante do painel na parede leste. Em grupos de três a doze, chegaram os abençoados Seres das Hostes Ascensionadas, até que setenta deles estavam sentados.
Um grande silêncio caiu sobre todos os reunidos e, durante alguns instantes, a quietude foi sem fôlego e expectante. Uma esfera de suave Luz Branca começou a formar-se diante do painel, aumentando rapidamente de tamanho e brilho, até tornar-se um oval de pelo menos sete pés de altura. Como se nascesse de dentro da própria Luz, surgiu um Ser dos mais Gloriosos — alto, majestoso e poderoso. Ele fez o sinal que une o finito ao Infinito e, com uma voz que fazia vibrar cada átomo da mente e do corpo, perguntou se todos estavam prontos.
Uma Luz resplandecente irrompeu da substância que compunha o painel, até que este pareceu um espelho de Luz Viva. Em um instante, transformou-se numa atmosfera cristalina e então tornou-se uma tela cósmica sobre a qual imagens vivas em todas as dimensões podiam ser apresentadas, sem limite para o espaço que se podia observar. Era evidente por si só que tudo o que havia acontecido ou pudesse vir a acontecer em toda a Eternidade poderia tornar-se visível nessa tela, se a Inteligência Diretora assim o desejasse.
As primeiras cenas retratavam o continente de ‘Mu’, a atividade e as realizações de seu povo e a altura alcançada por aquela civilização. Isso abrangia um período de milhares de anos. Em seguida vieram acontecimentos que certamente devem ter sido um reinado de terror para os habitantes daquela terra. Ocorreu um cataclismo que rasgou a superfície da Terra até que tudo desabou sobre si mesmo. A antiga terra de Mu afundou sob as ondas do que hoje é o Oceano Pacífico, onde ainda repousa envolta em seu manto de água. Um dia voltará a erguer-se e absorver novamente a Vida e a Luz do Sol físico.
Em seguida veio o crescimento de Atlântida em beleza, sabedoria e poder, um grande continente que cobria grande parte do que hoje é o Oceano Atlântico. Naquela época, existia terra firme entre a América Central e o que hoje é a Europa. As realizações daquela era foram extraordinárias, mas, novamente, o mau uso da Poderosa Energia Divina pelo povo os subjugou e, à medida que as coisas eram cada vez mais desequilibradas, repetiu-se o rompimento da superfície terrestre pela ação cataclísmica.
Restou apenas um pequeno remanescente de Atlântida, uma simples ilha no meio do oceano, separada de um contato estreito com o restante do mundo civilizado. As partes oriental e ocidental da terra haviam afundado sob o Oceano Atlântico, deixando apenas a ilha chamada Poseidonis. Ela havia sido o coração do mundo civilizado então conhecido, e foram feitos preparativos para proteger e preservar suas atividades mais importantes como foco central, a fim de dar continuidade a determinado trabalho ainda inacabado. Naquele período, alcançou-se uma realização muito elevada, tanto espiritual quanto materialmente.
O desenvolvimento mecânico desse ciclo alcançou um nível muito elevado de realização, e uma de suas expressões mais notáveis foi a perfeição de sua navegação aérea. O transporte aéreo de nossa vida moderna ainda é muito rudimentar e primitivo em comparação com o que existia em Atlântida. Os Grandes Mestres de Luz e Sabedoria tornaram isso possível para o povo de Poseidonis porque inspiraram, instruíram, protegeram e revelaram conhecimentos de grande avanço em todas as fases da atividade humana.
Grande parte desse povo tomou consciência do Grande Poder Divino Interior no indivíduo, mas, como antes, o lado humano de sua natureza ou suas atividades exteriores voltou a usurpar a Grande Energia. O egoísmo e o mau uso dessa sabedoria e desse poder transcendentes adquiriram ascendência em grau ainda maior do que antes. Os Mestres da Sabedoria Antiga perceberam que o povo estava formando outro momentum destrutivo e que um terceiro cataclismo ameaçava. Advertiram os habitantes repetidas vezes, como já haviam feito, mas somente aqueles que serviam à ‘Luz’ deram atenção.
Grandes edifícios foram construídos com material imperecível, e neles foram colocados registros que se conservaram através dos séculos. Eles permanecem em perfeito estado de conservação agora no fundo do Oceano Atlântico — hermeticamente selados. Serão trazidos à luz do dia pelos Grandes Seres que dirigiram sua preparação e controlam sua proteção.
Neles estão registradas a evolução e as realizações da humanidade daquele período, de modo que não houve perda permanente para a humanidade das atividades da civilização atlante. Além da preservação desses registros, grandes riquezas, principalmente ouro e joias, foram transferidas naquela época para outros locais seguros. Isso tem sido e continuará a ser guardado através dos séculos e será usado no futuro para a elevação e o avanço de gerações ainda por nascer.
O cataclismo final esgotou seu momentum, e o último fragmento remanescente de um antigo império mundial afundou para repousar, em purificação através dos séculos, sob o atual Oceano Atlântico. A lembrança de Atlântida e de seu povo, ao contrário do continente perdido de Mu, não foi inteiramente esquecida nem apagada da história da humanidade, pois foi registrada de muitas maneiras através dos séculos. Embora doze mil anos tenham se passado desde seu afundamento, fragmentos de informação a seu respeito ainda chegam até nós pelos canais mais inesperados. Abundam mitos e lendas referentes à Atlântida, e esses são dois caminhos que preservam para a humanidade certas condições reais que existiram na Terra em uma era ou outra. Com o passar do tempo, provas incontestáveis de sua existência e da altura de suas realizações serão reveladas pela oceanografia, pela geologia e por outros dados científicos.
Passaram então diante de nossa visão as antigas civilizações dos Desertos de Gobi e do Saara, mostrando a ascensão e a queda de suas principais atividades. O declínio de cada uma delas deveu-se, dessa vez, não à ação cataclísmica, mas ao fato de terem sido invadidas por hordas de almas primitivas que tomavam encarnação naquele ciclo.
Em seguida vieram imagens do Egito, de sua ascensão e queda, sendo esta última devida ao uso deliberadamente errado do conhecimento e do poder por grande número da humanidade encarnada naquela terra, cujas qualidades predominantes eram o orgulho por suas realizações intelectuais e a rebelião contra a contenção de sua natureza inferior. Essas atitudes sempre significam fracasso, individualmente ou em massa.
O Egito alcançou sua maior altura pelo uso correto do conhecimento e do poder. Estes sempre exigem humildade, obediência do intelecto ao Eu Divino Interior e controle absoluto e incondicional da natureza humana ou inferior naqueles que buscam tais dons, se quiserem evitar a destruição. As almas encarnadas no Egito durante seu declínio não eram pouco desenvolvidas, como aquelas das civilizações dos Desertos de Gobi e do Saara. Ao contrário, haviam alcançado o uso consciente do conhecimento e do poder e escolheram deliberadamente usá-los mal. Essa atividade nada tem a ver com Sabedoria, pois aqueles que são os Herdeiros Eternos dos dons daquela Deusa Divina devem estar para sempre acima de toda tentação de fazer mau uso do conhecimento e do poder. Sabedoria é o uso correto de tudo o que se manifesta, e aquele que compreende essa Verdade Imutável e evidente por si mesma torna-se uma porta aberta para todo o bem que existe na criação.
A referência ao Egito como terra de trevas é extremamente injusta, pois do Egito, em seu ciclo anterior, veio uma Luz muito grande, e do Egito voltará a vir — uma Luz muito grande.
A cena seguinte retratou a ascensão e a queda do Império Romano. Quando a escuridão e a degradação daqueles séculos haviam atingido seu ponto mais baixo, eis que Jesus apareceu, derramando Sua Luz Resplandecente e Seu Amor como o Cristo e, por meio de Sua Transfiguração, Ressurreição e Ascensão, uma torrente tão avassaladora da Perfeição de Deus espalhou-se sobre a Terra que jamais novamente uma escuridão tão vasta poderá envolver a humanidade em qualquer era. A realização de Sua Vida permanece eternamente registrada na atmosfera deste planeta e atua como um ímã, atraindo a humanidade para uma Perfeição semelhante.
A vinda de Jesus foi uma iniciação para os povos de nosso mundo e um Comando Cósmico para que usassem o Poder do Amor Divino em todas as suas atividades futuras. Esse derramamento de Seu Amor sobre a Terra em seu ciclo mais sombrio tornou-se o nascimento da Criança Crística no indivíduo. Ele invocou novamente o Modelo Divino Cósmico e revelou o Decreto para a era que se iniciava. Esse plano é o Domínio Completo sobre todas as coisas finitas por meio da Plena Estatura do Cristo dentro de cada ser humano.
Em seguida veio o reinado de Ricardo Coração de Leão, da Inglaterra. A humanidade tem pouco ou nenhum conhecimento da verdadeira atividade espiritual que ocorreu durante aqueles anos. A mesma Luz que inspirou o entusiasmo de Ricardo e suas atividades nas Cruzadas liberou, por meio de seus seguidores e do povo daquela época, determinadas forças que as Hostes Ascensionadas usaram nos níveis Interiores da consciência.
Depois vieram imagens da recente guerra mundial na Europa, que revelaram as atividades que a geraram. Apenas poucos indivíduos conhecem a causa verdadeira e, sem dúvida, é melhor que não sejam muitos. Ela é destrutiva demais para a consciência contemplar. Nada pode ser ganho focalizando a atenção na guerra. Talvez essa também tenha sido a razão pela qual o período entre Ricardo e a guerra mundial não foi retratado. Aqui, foram reveladas as atividades das Hostes Ascensionadas, e vimos como dissolveram a causa e a maior parte do accumulated momentum do recente conflito mundial.
Elas o realizaram focalizando e dirigindo conscientemente enormes Raios de Luz, cujo poder de consumir e transmutar é demasiado grandioso para uma descrição finita. Esses Seres Perfeitos aguardavam a chegada do Momento Cósmico em que pudessem prestar à humanidade um Serviço de Amor há muito esperado, do qual a humanidade ainda tem pouca ou nenhuma compreensão.
Essas imagens extraordinárias continuaram e revelaram atividades que se estendiam muito pelo futuro e afetavam toda a Terra. Mostraram muitas mudanças futuras na própria superfície terrestre. Uma das mais importantes dizia respeito ao progresso da América do Norte. O Plano Divino para o futuro da América do Norte é uma condição de intensa atividade na maior paz, beleza, êxito, prosperidade, iluminação espiritual e domínio. Ela deve levar a Luz Crística e Ser o Guia para o restante da Terra, porque a América deve ser o centro do coração da ‘Era de Ouro’ que agora toca vagamente nosso horizonte. A maior parte do território da América do Norte permanecerá por um período muito longo. Isso é conhecido há milhares de anos — sim! há mais de duzentos mil.
As imagens continuaram por quase três horas, retratando muitas cenas e atividades que escaparam inteiramente aos registros dos historiadores e do mundo da ciência, devido à sua enorme antiguidade. Por mais maravilhosos e belos que sejam nossos filmes de hoje, são meros brinquedos quando comparados à existência viva, respirante e real revelada nessa tela cósmica. Ali era possível observar a Causa Cósmica de muitos acontecimentos e condições encontrados na Terra, de modo que aqueles que assistiam recebiam uma instrução de magnitude extraordinária. Essa instrução Interior é de grande ajuda aos estudantes.
Ao término da instrução, Saint Germain nos apresentou ao Grande Mestre Ascensionado Lanto, que havia se manifestado de dentro da Luz Resplandecente, e depois aos setenta Mestres reunidos.
«Nós nos alegraremos verdadeiramente», disse Lanto, voltando-se para nós, «quando vocês estiverem novamente prontos para participar conscientemente do serviço da gloriosa obra em andamento. Essa oportunidade chega até vocês graças às poderosas vitórias que conquistaram sobre o eu humano e o mundo exterior. Aproxima-se o tempo em que terão o privilégio de ver quão verdadeiramente grandes são essas vitórias. A cada dia, aceitem em Sua Plenitude a Poderosa ‘Presença’ Ativa do Grande Deus dentro de vocês, e então não poderá existir fracasso algum em ponto algum do caminho. Todos os que buscam sinceramente a ‘Luz’ são sempre conhecidos pelos Mestres Ascensionados. Na véspera de Ano-Novo, voltaremos a nos encontrar aqui, quando haverá doze convidados de Vênus. É nosso desejo que vocês estejam presentes. Saint Germain e Amen Bey serão seus patrocinadores.»
A um sinal, todos ficaram em silêncio e receberam a bênção de amor de Lanto antes de retornarem a seus respectivos campos de serviço. A maioria simplesmente desapareceu da sala em poucos instantes, e os demais saíram pelo tubo.
«Meus filhos, vejo que vocês não têm consciência do tempo. Agora são três horas da manhã», observou Saint Germain, enquanto se voltava para se despedir de Lotus e de nosso filho, que, depois de me abraçarem, saíram pela sala de recepção exterior enquanto passávamos pela primeira porta à direita. «Há mais uma coisa», continuou ele, «que quero que você veja antes de partirmos.
«Aqui está um grupo de instrumentos musicais extremamente incomuns, usados para um propósito especial, sendo construídos ou criados de modo a possuir uma qualidade tonal específica para o trabalho que realizamos.» Então ele se voltou para o teclado de um órgão e continuou explicando.
«Isto parece ser um órgão sem tubos, mas os tubos, muito menores que os comuns, ficam dentro do gabinete. O timbre de todo o instrumento é superior a qualquer coisa que a Terra já conheceu na música. Esses órgãos entrarão em uso no mundo exterior à medida que a Era de Ouro que chega avançar.»
Em seguida, examinamos quatro harpas magníficas, um pouco maiores que as atualmente usadas no mundo musical. Saint Germain sentou-se diante de uma delas e tocou vários acordes para dar-me alguma ideia de seu timbre. Era a música mais maravilhosa que eu já ouvira.
«Esta harpa é uma surpresa para nossa Amada Lotus», disse ele, «pois, na véspera de Ano-Novo, neste Retiro, você ouvirá o órgão e quatro harpas tocados por artistas habilidosos.» Terminamos de inspecionar a sala e saímos pela porta da parede noroeste.
Em vez de sairmos do Retiro pelo mesmo caminho por onde havíamos entrado, Saint Germain abriu uma pequena porta à esquerda e entrou num túnel cintilante cujas paredes brilhavam com uma formação semelhante a cristal, que se iluminou instantaneamente com a Luz Branca que ele sempre liberava manipulando a substância eletrônica ao seu redor. Caminhamos rapidamente pelo túnel, chegamos a uma porta de bronze que se abriu ao seu toque e nos encontramos novamente sob o céu estrelado.
Permanecemos em perfeito silêncio por um instante; então, elevando-nos a cerca de quinhentos pés acima do nível do solo, atravessamos rapidamente o ar e, poucos instantes depois, estávamos ao lado de meu corpo físico na encosta sul do Monte Shasta, onde a pantera ainda montava guarda. Eu havia estado ausente por vinte e duas horas e, quando olhei para cima, a aurora começava a surgir no horizonte oriental.
«Aqui está seu café da manhã», anunciou Saint Germain, entregando-me a Taça de Cristal contendo um líquido claro, branco e cintilante. «Isto é ao mesmo tempo fortalecedor e refrescante, por isso você apreciará a caminhada de volta para casa — porque seu corpo precisa do esforço e da atividade. Percebo algo em sua mente que não está tranquilo ou, pelo menos, não está claro para sua consciência.»
«Sim», respondi. «Há algum tempo uma pergunta ocupa minha atenção, e ela diz respeito à visualização. O que é a verdadeira visualização e o que acontece quando alguém visualiza?»
«A verdadeira visualização», respondeu ele, «é o atributo e o Poder da Visão de Deus atuando na mente do homem. Quando alguém forma conscientemente em sua mente uma imagem de um desejo que quer ver realizado, está usando um dos meios mais poderosos para trazê-lo à sua experiência visível e tangível. Existe muita confusão e incerteza na mente de muitos a respeito do que realmente acontece quando alguém visualiza ou forma uma imagem mental de algo que deseja. Nenhuma forma jamais veio à existência em qualquer lugar do Universo sem que alguém tivesse conscientemente mantido em seu pensamento uma imagem dessa forma, pois todo pensamento contém uma imagem da ideia que está nele. Até mesmo um pensamento abstrato possui uma imagem de algum tipo, ou pelo menos uma imagem que constitui o conceito mental que se tem dele.
«Vou lhe dar um exercício pelo qual se pode desenvolver, controlar conscientemente e dirigir as atividades de visualização para uma realização definida. O processo tem várias etapas que todo estudante pode usar em qualquer ocasião e a todo momento. A prática realmente produz resultados visíveis e tangíveis quando é aplicada de verdade. O primeiro passo é decidir um plano definido ou um desejo a ser realizado. Certifique-se de que seja construtivo, honrado e digno de seu tempo e esforço. Examine com cuidado seu motivo para trazer tal criação à expressão. Ele deve ser honesto tanto para com você mesmo quanto para com o restante do mundo, e não apenas seguir um capricho ou satisfazer apetites dos sentidos físicos. Lembre-se de que existe uma enorme diferença entre uso, desejo e apetite. O uso é o cumprimento da Grande Lei Universal do Serviço. O desejo é a atividade expansiva de Deus por meio da qual a manifestação é constantemente sustentada e é a Perfeição ampliando a Si Mesma. O apetite é apenas um hábito estabelecido pela satisfação contínua da natureza dos sentimentos e nada mais é do que energia focalizada e qualificada pelas sugestões da atividade exterior da vida.
«Tenha absoluta certeza de que não há em seu interior nenhum sentimento oculto de que você ficaria satisfeito em beneficiar-se às custas de outra pessoa. Um estudante verdadeiro — e somente ele obterá benefício desse tipo de treinamento — toma as rédeas nas próprias mãos e decide disciplinar e controlar conscientemente o eu humano. Ele escolhe o que deverá ou não existir em seu mundo e, por meio do processo de formar imagens dentro de sua mente, projeta e traz à manifestação um plano de vida claramente determinado.
«O segundo passo é formular seu plano em palavras da maneira mais concisa e clara possível. Escreva-o. Assim, você faz um registro de seu desejo no mundo exterior, visível e tangível. O terceiro passo é fechar os olhos e ver, dentro de sua mente, uma imagem mental de seu desejo ou plano em sua condição e atividade concluídas e perfeitas.
«Contemple o fato de que sua capacidade de criar e ver uma imagem dentro de sua própria consciência é o atributo da visão de Deus atuando em você. A atividade de ver e o poder de criar são atributos de seu Eu Divino, que você sabe e sente estar dentro de você em todos os momentos. A Vida e o Poder de Deus atuam dentro de sua consciência para impulsionar para seu mundo exterior a imagem que você está vendo e sentindo dentro de si mesmo.
«Continue lembrando ao intelecto que a capacidade de formar uma imagem é um atributo de Deus — o atributo da visão. O poder de sentir, experimentar e associar-se à imagem aperfeiçoada é o poder de Deus. A substância usada no mundo exterior para dar forma à sua imagem e ao seu plano é a pura substância de Deus. Então você deve saber que Deus é o Fazedor, o Fazer e o Feito de toda forma e ação construtivas que alguma vez foram enviadas ao mundo da manifestação. Quando você utiliza assim todos os processos construtivos, é impossível que seu plano não venha a aparecer em seu mundo visível.
«Leia novamente seu desejo ou plano tantas vezes durante o dia quanto possível e sempre imediatamente antes de se recolher, porque, ao adormecer logo após contemplar a imagem em sua própria mente, uma impressão completa fica na consciência humana, sem ser perturbada durante várias horas, permitindo que seja profundamente registrada na atividade exterior e que seja gerada e acumulada a força que a impulsiona para a experiência exterior da Vida. Dessa maneira, você pode levar qualquer desejo ou imagem para sua consciência quando ela entra no Grande Silêncio durante o sono. Ali, ele se torna carregado pelo Maior Poder e pela Maior Atividade de Deus, que estão sempre no Coração do Grande Silêncio.
«Em nenhuma circunstância converse com qualquer pessoa sobre seu desejo ou sobre o fato de que está visualizando. Isso é imperativo. Não fale sobre isso em voz alta nem consigo mesmo, nem sequer num sussurro, pois você deve compreender que, quanto maior o acúmulo de energia gerado por sua visualização, contemplação e pelo sentimento da realidade de sua imagem, mais rapidamente ela chegará à sua experiência exterior.
«Milhares de desejos, ambições ou ideais teriam se manifestado na experiência exterior dos indivíduos se eles não os tivessem discutido com amigos ou conhecidos. Quando você decide produzir definitivamente uma experiência por meio da visualização conscientemente dirigida, torna-se A Lei — Deus — a Lei do ‘Uno’, à qual nada se opõe. Você deve tomar sua própria decisão e sustentar seu próprio decreto com todo o seu poder. Isso significa que deve adotar uma posição inabalável e determinada. Para fazê-lo, saiba e sinta que é Deus desejando, Deus sentindo, Deus sabendo, Deus manifestando e Deus controlando tudo o que diz respeito a isso. Essa é a Lei do ‘Uno’ — Deus — e somente Deus. Enquanto isso não for plenamente compreendido, você não pode e jamais obterá sua manifestação, pois, no momento em que um elemento humano entra, você a retira das mãos de Deus e, naturalmente, ela não pode expressar-se porque você a neutraliza com as qualidades humanas de tempo, espaço, lugar e mil e uma outras condições imaginárias que Deus não reconhece.
«Ninguém pode jamais conhecer Deus enquanto considerar uma força oposta a Deus, pois, sempre que reconhece que duas forças podem atuar, obtém como resultado uma qualidade de atividade neutralizante. Quando há neutralização, não existe qualidade definida em nenhuma direção. Você simplesmente não tem nada, nenhuma coisa, em sua manifestação. Quando reconhece Deus — o Uno —, há somente a Perfeição manifestando-se instantaneamente, pois não existe nada que se oponha a ela ou a neutralize — nenhum elemento de tempo. Assim isso se estabelece para você, pois não há ninguém que se oponha ao que Deus decreta.
«As condições jamais podem melhorar para qualquer pessoa até que ela deseje a Perfeição e deixe de reconhecer um poder oposto a Deus, ou de admitir que exista algo dentro ou fora dela que possa impedir a Perfeição de Deus de se expressar. O próprio reconhecimento de uma condição inferior a tudo o que Deus é constitui sua escolha deliberada de uma imperfeição, e esse tipo de escolha é a queda do homem. Isso é deliberado e intencional, porque ele é livre a cada instante para pensar qualquer coisa que escolher pensar. Aliás, não é necessária mais energia para pensar um pensamento ou uma imagem de Perfeição do que para pensar um de imperfeição.
«Você é O Criador localizado para projetar e criar a Perfeição em seu mundo e em seu lugar no Universo. Para que a Perfeição e o Domínio sejam expressos, você deve conhecer e reconhecer somente A Lei do ‘Uno’. O Uno existe e controla completamente em toda parte no Universo. Você é a Autoconsciência da Vida, a Única ‘Presença’ Suprema da Grande Chama de Amor e Luz. Somente você é o Escolhedor, o Decretador das qualidades e formas nas quais deseja derramar sua Vida, pois é o único energizador de seu mundo e de tudo o que ele contém. Quando você pensa ou sente, parte de sua energia de Vida é enviada para sustentar sua criação.
«Expulse então da mente toda dúvida ou medo a respeito da realização daquilo que está visualizando. Se quaisquer pensamentos ou sentimentos desse tipo — que, afinal, são apenas emanações humanas — e que não contenham Perfeição surgirem em sua consciência, substitua-os instantaneamente pelo pleno reconhecimento de seu Eu e de seu mundo como a Vida de Deus — ‘o Uno’. Além disso, não se preocupe absolutamente com isso, exceto durante o tempo em que estiver visualizando. Não estabeleça em sua mente um prazo para os resultados; saiba apenas que existe somente o agora — o instante imediato. Adote essa disciplina, use-a, e você poderá manifestar em ação um poder irresistível que não pode falhar e jamais falhou.
«Lembre-se sempre: você é Deus formando a imagem. Você é a Inteligência Divina dirigindo. Você é o Poder Divino impulsionando. É a Substância de Deus — Sua Substância — sobre a qual a ação se exerce. À medida que você compreende isso e contempla frequentemente sua plenitude, tudo no Universo se apressa para cumprir seu desejo, seu comando, sua imagem, pois tudo isso é construtivo e, portanto, está de acordo com o Plano Divino Original para a Vida Autoconsciente. Se o lado humano de nós realmente concorda com o Plano Divino e o aceita, não pode haver atraso nem fracasso, pois toda energia contém em si a qualidade inerente da Perfeição e se apressa em servir ao seu Criador. A Perfeição é a única predestinação que existe.
«Como seu desejo ou sua imagem é construtivo, é Deus vendo Seu Próprio Plano. Quando Deus Vê, é um decreto ou comando irrevogável para aparecer agora. Na criação desta Terra e deste sistema de mundos, Deus disse: ‘Que haja Luz’, e a Luz apareceu. Não foram necessários éons para criar a Luz. O mesmo Poderoso Deus está em você agora e, quando você vê ou fala, é Seu atributo da visão e da fala que atua em você e através de você.
«Se você compreender o que isso realmente significa, poderá comandar por Seu Pleno Poder e Sua Autoridade, pois você é Sua Consciência de Vida, e somente a Autoconsciência de sua Vida pode comandar, formar uma imagem ou desejar um Plano construtivo e Perfeito. Todo plano construtivo é Seu Plano. Portanto, você sabe que Deus está agindo e ordenando: ‘Que este desejo ou plano se cumpra agora’, e Está Feito.»
Aqui, Saint Germain terminou de falar e, despedindo-se de mim com um sorriso, desapareceu de minha vista por algum tempo. Voltei meus passos para casa, e a pantera trotava bem ao meu lado. Ela estava havia vinte e quatro horas sem alimento e não demorou muito para disparar através dos bosques e desaparecer na mata densa. Continuei meu caminho e cheguei em casa às onze horas, passando o restante do dia tentando compreender toda a importância daquilo que eu tivera o privilégio de experimentar e como toda a concepção de meu mundo havia mudado de modo tão inesperado.
CAPÍTULO IV
Mistérios de Yellowstone
Sete dias se passaram; estávamos então na primeira semana de setembro. Na noite do oitavo dia, eu estava sentado contemplando a Vida e suas infinitas expressões, quando meu pensamento se voltou naturalmente para Saint Germain. Imediatamente, um amor irresistível fluiu de mim para ele, em profunda gratidão por tudo o que eu tivera o privilégio de vivenciar por meio de sua assistência e de sua Luz.
Uma sensação de “Presença” no aposento começou a me envolver como um sopro e, ao erguer subitamente os olhos, lá estava Ele, sorridente e radiante, a própria “Presença da Divindade”.
“Meu filho”, disse ele, “sou um visitante tão inesperado que o surpreendo? Você certamente sabe muito bem que, quando pensa em mim, está em contato comigo, e que, quando penso em você, estou com você. Durante a meditação, sua atenção estava em mim e, por isso, eu apareço. Isso não está de acordo com a Lei? Então, por que não aceitar o fato como natural? Aquilo em que se pensa é atraído para si.
“Permita-me sugerir que você se treine para jamais se surpreender, se decepcionar ou ter os sentimentos feridos, sejam quais forem as circunstâncias, pois o perfeito Autocontrole de todas as forças dentro de você, em todos os momentos, é Domínio; e essa é a recompensa daqueles que trilham o caminho da Luz, pois somente pela correção do eu humano pode-se alcançar a Mestria.
“Lembre-se sempre de que o direito de comandar, que é Domínio, só é conservado permanentemente por aqueles que primeiro aprenderam a obedecer, porque aquele que aprendeu a obedecer à ‘Lei do Uno’ torna-se um Ser apenas de Causa, e essa Causa é o Amor. Assim, em realidade, ele se torna a ‘Lei do Uno’ pela semelhança de qualidade. Vigie para que nada saia de você exceto aquilo que é harmonioso, e não permita que uma palavra destrutiva passe por seus lábios, nem mesmo em brincadeira. Lembre-se de que você lida com alguma espécie de força a cada instante da Eternidade e é sempre quem a qualifica.
“Vim buscá-lo para uma viagem importante. Ficaremos ausentes durante trinta e seis horas. Feche as cortinas de seu quarto, tranque as portas e deixe seu corpo na cama. Ele será guardado até nosso retorno. Você realizou certo progresso Interior e tem pela frente uma experiência e uma viagem muito interessantes e agradáveis.”
Preparei meu corpo para dormir e logo fiquei muito quieto. Um momento depois, eu estava de pé no chão, fora de meu corpo, vestido com o mesmo traje dourado que usara em minha visita ao Royal Teton. A sensação de densidade que se tem em relação às paredes havia desaparecido e, ao atravessá-las, a impressão era semelhante à de caminhar através de uma névoa espessa, como se a própria parede tivesse perdido sua densidade.
Desta vez, eu estava plenamente consciente de atravessar o espaço. Não perguntei para onde íamos, mas não demorou até chegarmos ao Royal Teton. A leste erguiam-se as imponentes Montanhas Rochosas e, para além delas, estendiam-se vastas planícies que um dia estarão cobertas de vegetação semitropical, com seu povo vivendo em paz e abundância.
A oeste, podíamos ver a Sierra e as Montanhas Cascade e, ainda mais longe, a Coast Range, cuja linha costeira será inteiramente modificada. Ao norte, contemplamos do alto o Yellowstone, cuja maravilhosa beleza oculta seus antigos mistérios e prodígios da atual civilização americana.
“A palavra ‘Yellowstone’”, explicou Saint Germain, “atravessou os séculos por mais de quatorze mil anos. Naquela época, a civilização de Poseidonis havia atingido um nível muito elevado de realização, porque um Grande Mestre de Luz estava à frente do Governo. Foi somente durante os últimos quinhentos anos que ocorreu o declínio e prevaleceu o mau uso de sua grande sabedoria. Dentro dos atuais limites do Yellowstone, que continuam os mesmos, existiu a mina de ouro mais rica que o mundo já conheceu. Ela pertencia ao governo e grande parte de sua riqueza era usada para fins de experimentação e pesquisa em química, invenção e ciência.
“A trinta e sete milhas deste lugar havia uma mina de diamantes. As pedras extraídas dela eram os mais belos diamantes amarelos já encontrados nesta Terra, antes ou depois daquele período. Entre as gemas provenientes dessa mina havia algumas pedras raras de extraordinária beleza e perfeição. Quando lapidadas corretamente, revelavam uma minúscula chama azul no centro, que parecia Luz Líquida. Quando usadas por certos indivíduos, a radiância dessa chama podia ser vista a mais de uma polegada acima da superfície da pedra.
“Essas pedras eram consideradas sagradas e usadas apenas nos ritos mais elevados e secretos dos Mestres Ascensionados. Dezesseis delas ainda são mantidas sob custódia sagrada pela Fraternidade do Royal Teton e voltarão a ser utilizadas no momento determinado. Foi por causa desses magníficos diamantes amarelos que o nome atual ‘Yellowstone’ chegou até nós.
“Você, meu filho, foi o descobridor de ambas as minas. Vou lhe revelar os registros que constituem a prova física do que acabo de lhe contar. Esses registros indicam a data de sua descoberta, a quantidade de riqueza extraída, o período durante o qual foram exploradas, a descrição das máquinas utilizadas — que tratavam minérios refratários, recuperando oitenta e sete por cento de seu valor e transformando-os em lingotes ainda dentro da mina, tornando desnecessária qualquer operação na superfície —, para onde eram enviados, e a data de fechamento e selagem. Aqui estão as cópias desses registros.
“Na vida em Poseidonis, você morava em uma bela casa com uma irmã que hoje é Lotus. Ambos alcançaram e mantiveram estreito contato com o ‘Eu Divino Interior’, de modo que Deus estava verdadeiramente em ação o tempo todo. Você era funcionário do departamento de minas e, por meio dessa atividade, inventou e construiu uma maravilhosa aeronave. Nela, viajou muito sobre as montanhas. Um dia, enquanto estava em profunda meditação, foi-lhe mostrada a localização dessas minas, que mais tarde você descobriu, abriu e entregou ao governo. Com esta explicação, agora lhe mostrarei a prova do que descrevi, embora hoje não exista vestígio algum dessas minas na superfície. Venha, entraremos na própria mina.”
Deixando o Royal Teton, tive plena consciência de atravessar o espaço e de me mover rapidamente até alcançarmos um determinado ponto no Parque de Yellowstone. Ali descemos e ficamos diante de uma parede de rocha maciça.
“Você vê alguma forma de entrar?”, perguntou Saint Germain, voltando-se para mim.
“Não, mas sinto que a abertura está aqui”, respondi, apontando para certo ponto da parede de granito. Ele sorriu e, aproximando-se do lugar indicado, pousou a mão sobre ele. Um instante depois, estávamos diante de uma porta de metal — agora sem o selo.
“Veja”, explicou ele, “temos nossos próprios métodos para selar qualquer entrada que desejemos proteger, e é impossível que ela seja encontrada ou penetrada, a menos que assim o desejemos. A substância com a qual selamos hermeticamente lugares e coisas é retirada do Universal. Ela é mais dura que a própria rocha, embora tenha exatamente a mesma aparência.
“Dessa maneira, podemos proteger entradas de Retiros, edifícios, cidades soterradas, minas e câmaras secretas da Grande Fraternidade Ascensionada de Luz, muitas das quais foram mantidas em perfeito estado de conservação por mais de setenta mil anos. Quando já não precisamos de tais lugares ou coisas, devolvemo-los ao Universal; assim, você vê que todo poder se torna o servidor voluntário daquele que conquistou a si mesmo. Todas as forças do Universo aguardam nosso comando sempre que a sabedoria e o amor indicam que devem ser utilizadas.”
Na porta à nossa frente havia a réplica da mão direita de um homem, em relevo no próprio metal, aproximadamente à altura de meu ombro. Ela se parecia de maneira impressionante com minha mão física atual.
“Coloque sua mão sobre esta de metal”, disse Saint Germain, “e pressione com força.” Obedeci. Minha mão se ajustou perfeitamente à outra. Pressionei com toda a minha força. Lentamente, a grande porta se abriu, e ele prosseguiu: “Você conservou essa forma e esse tamanho de mão durante várias encarnações. Ela foi colocada na porta pelo governo como uma homenagem, porque você foi o descobridor da mina. Essa mão é um modelo da sua mão de quatorze mil anos atrás.”
Entramos por essa porta e passamos por um longo túnel cilíndrico, emergindo finalmente em uma grande cavidade. Ali, para meu completo espanto, encontrei ferramentas e máquinas de vários tipos, feitas de um metal branco imperecível, em estado de conservação tão perfeito como se tivessem sido construídas ontem. No centro da cavidade havia um poço. Nossos atuais engenheiros de minas ficariam admirados com a simplicidade e a perfeição das atividades de mineração daquela época remota. O mesmo método voltará a ser utilizado aqui na América no decorrer do próximo século.
Saint Germain aproximou-se do poço e puxou uma alavanca. Logo, uma cabine de formato peculiar chegou ao topo. Entramos e ele acionou uma alavanca menor em seu interior. Quando começamos a descer, ao chegarmos ao nível de duzentos pés, encontramos uma estação. Continuando a descida até o nível de setecentos pés, paramos. Era a estação central, da qual partiam cinco túneis como os raios de uma roda.
Todos eram perfeitamente cilíndricos e revestidos com o mesmo metal branco de que eram feitas as máquinas. Ele era tão espesso e resistente que somente o colapso da própria montanha poderia esmagá-lo. Dois dos cinco túneis penetravam na montanha por mais de dois mil pés. Na estação central havia um único motor que movimentava todos os vagões.
“O metal branco que você vê”, explicou Saint Germain, “é uma descoberta extraordinária, pois é leve, mais resistente que qualquer material conhecido, não se mancha e é imperecível. Você só poderá dar uma descrição fragmentária de todas essas maravilhas que constituem provas físicas reais do elevado nível alcançado por essa antiga civilização. Tais prodígios existiram e estão agora em seu meio, jamais imaginados até que esta revelação seja levada ao mundo.” Ao chegarmos ao fim do túnel, ele me mostrou as perfuratrizes usadas naquela época remota. “Estas perfuratrizes”, prosseguiu, “projetavam um tubo de chama azul-branca com cerca de uma polegada de diâmetro. Funcionavam a uma velocidade espantosa, consumindo a rocha à medida que avançavam.”
Voltamos à estação e entramos em uma sala triangular entre dois túneis. Na extremidade havia recipientes feitos do mesmo metal branco. Tinham cerca de doze polegadas de lado e três pés de comprimento. Saint Germain abriu um deles e me mostrou maravilhosos diamantes amarelos não lapidados. Fiquei sem palavras, tamanha era sua beleza. Creio ouvir meus leitores perguntarem: “Você quer dizer que eles eram físicos?” A essa pergunta perfeitamente natural, desejo responder sim — tão físicos quanto os diamantes que você usa nos dedos hoje. Outros recipientes estavam cheios de pedras lapidadas de valor fabuloso.
Voltamos então à entrada da mina. Saint Germain fechou a porta e a selou como antes. Ninguém que não fosse um Mestre Ascensionado teria conseguido distingui-la da rocha ao redor. Elevando-nos do solo, percorremos rapidamente as trinta e sete milhas até a mina de ouro. Desta vez, ficamos exatamente no topo da montanha, perto de uma rocha em forma de cone que parecia completamente maciça. Ela tinha cerca de quinze pés de diâmetro na base e talvez dez pés de altura.
“Observe atentamente”, disse ele, pousando a mão sobre a rocha. Lentamente, uma seção triangular se moveu para fora, revelando uma escadaria que descia. Descemos por algum tempo e logo chegamos a uma cavidade no alto de um poço semelhante ao da mina de diamantes.
“Você notará a ausência de britadores”, continuou ele. “Tudo é feito dentro da própria mina. Nada é manipulado na superfície.” Paramos no nível de quatrocentos pés, onde havia outra imensa cavidade. Ali se encontrava todo o equipamento necessário ao tratamento do minério. Ele explicou a extrema simplicidade do processo utilizado, que parecia inacreditável de tão simples.
Continuamos descendo até o nível de oitocentos pés e vimos a mesma disposição da mina de diamantes. Novamente havia túneis partindo de um ponto central como os raios de uma roda. Três salas triangulares haviam sido construídas entre esses túneis e continham a produção restante da mina pouco antes de ela ter sido fechada. Ali havia os mesmos recipientes de metal branco das outras salas. Só me é permitido descrever três deles.
O primeiro recipiente continha pepitas provenientes do leito de um antigo rio, em uma formação de aluvião no nível de oitocentos pés, na qual o cascalho estava levemente cimentado, retendo o ouro. Essa condição se estendia por uma profundidade de mil e duzentos pés e continha uma riqueza imensa. O segundo recipiente estava cheio de ouro filiforme proveniente de um veio de quartzo branco no nível de quatrocentos pés. Outro continha discos de ouro maciço, cada um pesando oito libras.
“O lugar em que armazenavam todo o ouro”, explicou ele, “era conhecido como sala dos lingotes. Foram conservadas cópias dos registros desta mina: os originais estão na sala de registros do Retiro no Royal Teton, e as cópias estão aqui.” Voltamos à superfície. Mais uma vez, Saint Germain selou a entrada como já descrito e, voltando-se novamente para mim, disse:
“Meu filho, você descobriu essas minas e, auxiliado por seus colegas, colocou-as em operação e levou essa atividade a tal grau de perfeição. Você também fez os registros no metal imperecível que lhe mostrarei no Royal Teton. Os Mestres Ascensionados viram que se aproximava o cataclismo de doze mil anos atrás e, sabendo que as minas seriam pouco afetadas, fizeram com que fossem preparadas e seladas para uso em uma era muito distante, na qual agora entramos.
“Em sete períodos diferentes de suas muitas encarnações, a memória e o processo de fabricação desses registros foram relembrados. Você os produzirá novamente na era presente, para a bênção de toda a humanidade. Isso explica o interesse que sente, desde a infância, por registros antigos de toda espécie, e a sensação de que teria novamente muito a ver com esse tipo de trabalho nesta vida.
“Venha, agora retornaremos ao Royal Teton. Lá, em uma sala adjacente ao grande salão de audiências, encontram-se os registros aos quais me referi. É um lugar destinado à preservação de invenções e descobertas científicas. A sala em que estivemos em nossa visita anterior continha apenas registros das várias civilizações.”
Retornamos ao Retiro e, desta vez, entramos pelo tubo, como em nossa primeira visita. Ao sair dele, passamos pela segunda porta à direita da entrada. Ela se abria diretamente para a sala dos registros científicos, um espaço de cerca de setenta por quarenta por quinze pés. Todas as paredes, o teto e o piso eram revestidos com o mesmo metal branco imperecível de que eram feitas as prateleiras e os recipientes.
Saint Germain retirou um desses recipientes e me entregou o registro que eu havia feito da mina de diamantes. Mais uma vez, fui capaz de lê-lo, mas desta vez ele me disse para invocar o Eu Divino Interior e, assim, permitir que Ele revelasse todo o conhecimento anterior que eu possuíra naquela época. O registro apresentava uma história clara, embora condensada, da descoberta e da exploração. Ele me entregou outro cilindro, no qual estava a história completa da mina de ouro.
“Agora que você viu a prova física do que expliquei”, disse ele, “quero que saiba que jamais lhe direi algo que eu não possa provar.” Então se voltou para mim com um olhar penetrante que parecia atravessar completamente minha mente e meu corpo.
“Meu filho”, continuou, “você se saiu bem e permanece calmo e equilibrado diante dessas experiências recentes. Muito depende de seu próximo passo. Focalize toda a sua atenção no Eu Divino Interior que Tudo Controla e não se esqueça de mantê-la ali.”
À luz do que ocorreu mais tarde, foi bom que ele tivesse me fortalecido com aquela advertência. Depois desse aviso, conduziu-me através do grande salão de audiências até a enorme porta de bronze na parede oeste. Colocando a mão sobre ela, o painel subiu lentamente até entrarmos e então se fechou atrás de nós.
Parei, imóvel de assombro, pois contemplava aquilo que os olhos humanos raramente, se é que alguma vez, têm permissão de ver; e a cena me manteve imóvel, tão grande era o fascínio de sua beleza e maravilha.
A cerca de doze pés diante de mim erguia-se um bloco de ônix branco como a neve, com três pés de altura e dezesseis polegadas de lado. Sobre ele repousava uma esfera de cristal cheia de uma “Luz” incolor, em movimento incessante, na qual pontos de radiância disparavam de um lado para outro. A esfera emitia continuamente raios de cores prismáticas a uma distância de cerca de seis polegadas. Ela parecia feita de substância viva, tão constante era seu cintilar.
Do alto da esfera de cristal emergiam três Plumas de Chama: uma de ouro fundido, outra rosa e a terceira azul-elétrico, elevando-se a pelo menos três pés de altura. Próximo ao topo, cada uma se curvava como uma pluma de avestruz — graciosa, bela e em movimento perpétuo. A radiância dessa magnífica esfera enchia toda a câmara, produzindo uma sensação de energia eletrônica que nenhuma palavra pode transmitir. A Luz, a Vida e a beleza daquela cena simplesmente ultrapassavam a capacidade humana de descrição.
Avançamos até o extremo oposto da sala e ali, lado a lado, estavam três urnas de cristal, cada uma contendo um corpo humano. Quando me aproximei, meu coração quase parou de bater, pois nelas estavam as formas que Lotus, nosso filho e eu havíamos usado em uma antiga encarnação. Reconheci-as facilmente, pois Lotus ainda conserva certa semelhança com aquele corpo, enquanto os corpos de nosso filho e o meu tinham traços mais regulares e físicos perfeitos. Todos revelavam a plena perfeição de um tipo quase semelhante ao dos antigos gregos.
Pareciam tão vivos como se estivessem apenas dormindo. Cada um tinha cabelos dourados e ondulados e vestia trajes de tecido dourado semelhante ao das vestes usadas pelas figuras da tapeçaria. Bastava um Mestre Ascensionado olhar para esses corpos para ver registrada neles cada ação vital experimentada em qualquer encarnação física desde aquela época. Assim, funcionavam como espelhos que registravam as atividades sucessivas, sem que isso alterasse sua perfeição original.
Cada urna repousava sobre uma grande base feita do mesmo tipo de ônix branco daquela sobre a qual estava colocada a esfera. Eram cobertas por tampas de cristal, ajustadas firmemente em um sulco ao redor das bordas, mas não estavam seladas. Na tampa de cada uma, exatamente acima do centro do peito, havia uma estrela de sete pontas. Abaixo dela estavam quatro hieróglifos. Na extremidade superior, colocada de modo a ficar sobre o topo da cabeça, havia uma estrela de seis pontas. Na lateral, logo abaixo dos ombros, apareciam duas mãos entrelaçadas e, mais abaixo, perto dos pés, uma tocha acesa, colocada de forma que a chama tocasse a tampa da urna. Essa chama permanecia dourada, independentemente das outras cores de luz que se projetavam pela sala. Na extremidade oposta, sob os pés, havia uma estrela de cinco pontas. Todos os emblemas se elevavam como se estivessem gravados em relevo no cristal.
“Esses corpos”, explicou Saint Germain, “pertenceram a vocês três em uma determinada vida, quando deixaram a Cidade de Ouro para realizar um trabalho especial. Suas experiências foram terríveis e, ainda assim, tanto bem foi realizado naquela vida que um Grande Ser Cósmico apareceu e ordenou que os corpos fossem preservados até o momento em que vocês pudessem elevar seus corpos e retornar à Cidade de Ouro. Ele deu instruções completas para sua preservação, que foram fielmente cumpridas, como você vê.
“Agora, todos vocês podem compreender como é importante e necessário permanecer vivamente conscientes do Mestre Eu Crístico Interior e profundamente centrados nele, para que apenas o Amor, a Sabedoria e a Perfeição de Deus possam atuar por meio de suas mentes e corpos em todos os momentos.”
Naquele instante, uma Luz Deslumbrante e um Poder Tremendo irromperam através de mim, e meu Eu Divino falou:
“Grande Mestre de Luz — Pai, Irmão e Amigo! Ó Poderoso Filho de Deus! Tu possuis verdadeiramente um Amor Eterno e, por meio dele, alcançaste tua merecida Paz Eterna e Mestria sobre os cinco reinos inferiores. O Grande Eu Divino nestes filhos que tanto amas em breve se manifestará em Pleno Domínio Consciente, para prestar toda a assistência que há tanto tempo desejas, pois cada filho de Deus tem um serviço a realizar que ninguém além dele pode prestar. Invoco a ‘Grande Luz’ do próprio Coração de Deus para te abençoar para sempre.”
Enquanto essas palavras eram pronunciadas, um grande feixe de Luz irrompeu, enchendo a câmara de pontos de brilhantes cores prismáticas. Eles disparavam por toda a sala, e tudo se transformou em um fulgor de Luz arco-íris, pulsando com Vida.
“Veja, meu Filho”, disse Saint Germain, “com que perfeição você pode permitir que o Grande Eu Divino Se expresse. Em breve você será capaz de fazer isso conscientemente e à vontade, sempre que desejar.
“Observe o efeito de estalactites no teto e a aparência branco-prateada das paredes. Tudo isso é feito de substância precipitada, e a sala é mantida permanentemente na mesma temperatura agradável.” Atravessamos a câmara até a extremidade oposta e ficamos diante de uma arcada polida na parede. Saint Germain pousou a mão sobre ela, e uma porta se abriu, revelando o maravilhoso equipamento de metal branco usado para fabricar os registros. “Na era em que agora estamos entrando”, continuou ele, “muitos equipamentos que foram preservados serão colocados à disposição da humanidade e, assim, não precisarão surgir pelo caminho da invenção nem da descoberta.”
“Como é possível”, perguntei, “que tudo neste Retiro e nas minas seja mantido tão livre de poeira e que a ventilação seja tão boa?”
“Isso”, explicou ele, “é muito simples. Os Mestres Ascensionados utilizam para limpar e ventilar a mesma força pela qual produzem calor, luz e poder. A emanação de qualquer um deles, ao atravessar as minas ou câmaras, consome instantaneamente toda substância desnecessária. Aproxima-se a segunda manhã desde que você deixou seu corpo, e agora precisamos retornar.”
Atravessamos o salão de audiências, saímos pela porta à esquerda do tubo e nos encontramos novamente sob a luz das estrelas. Retornamos rapidamente ao meu quarto e, um instante depois, eu estava outra vez em meu corpo. Saint Germain permaneceu ao meu lado, estendendo-me a conhecida taça de cristal, desta vez cheia de um líquido cor de âmbar. Eu o bebi e senti seus efeitos vivificantes atravessarem cada célula de meu corpo.
“Agora durma o máximo que puder”, disse ele, e desapareceu de minha vista. Devo ter dormido profundamente, pois acordei muitas horas depois completamente revigorado, com o corpo renovado em força e poder.
CAPÍTULO V
Memórias Incas
Os dez dias seguintes transcorreram sem acontecimentos dignos de nota. Em razão do treinamento anterior, eu nunca me deitava sem manter minha atenção no Grande Eu Divino Interior e enviar um pensamento de amorosa gratidão a Saint Germain. Na noite do décimo primeiro dia, enquanto me preparava para dormir, ouvi sua voz dizer distintamente:
“Venha!” Eu aprendera a obedecer àquele chamado e imediatamente me vi fora de meu corpo, atravessei rapidamente o espaço e, em poucos instantes, cheguei ao Royal Teton. Ele estava na encosta da montanha, aguardando minha chegada. Desta vez, havia me chamado para ir até onde ele se encontrava. Obedeci e o saudei.
“A seu serviço”, disse eu, aproximando-me dele; e, sorrindo para mim, respondeu:
“Temos trabalho a fazer. Vamos!”
Eu tinha plena consciência da direção em que viajávamos e estava certo de que seguíamos um pouco a oeste do sul. Logo vimos as luzes de uma cidade e Saint Germain, chamando minha atenção para elas, observou:
“Los Angeles.” Depois de percorrermos certa distância, passamos sobre outra região iluminada e, desta vez, em resposta à minha pergunta, ele disse:
“Cidade do México.” Em seguida chegamos a uma floresta tropical e começamos a descer. Pouco depois, estávamos sobre as antigas ruínas de um templo.
“Estas são as ruínas de Mitla, no estado de Oaxaca, México”, explicou. “Vocês três vieram à encarnação para prestar assistência quando a civilização inca atingiu seu apogeu. Com a aprovação dos Mestres Ascensionados que a dirigiam, vocês escolheram nascer na família inca para prestar o serviço necessário naquele período.
“Aqui vocês nasceram como filhos de um soberano inca, uma alma forte, de grande desenvolvimento e iluminação. Em profundo amor por seu povo, ele invocou o Único Deus Supremo pedindo Luz, abundância e perfeição para abençoá-los e abençoar a terra.
“A devoção do Inca à sua Fonte era muito grande, pois ele conhecia e reconhecia conscientemente o poder do ‘Grande Sol Central’. Essa Verdadeira Compreensão era ensinada ao povo inca e, como eles sabiam a que se referia o Grande Sol Central, usavam o Sol como símbolo da Divindade. Tinham verdadeira compreensão interior e reconheciam a plenitude do poder proveniente desse Grande Sol Central, que hoje chamamos de ‘Cristo’, pois ele é o Coração da Atividade Crística no Universo.
“Por causa da devoção do soberano inca tanto à sua Fonte quanto ao povo, seu profundo desejo de receber bênção e Luz para guiá-los e ajudá-los foi atendido, e quatorze da Cidade de Ouro, situada sobre o Deserto do Saara, responderam para prestar-lhe assistência. Você, Lotus e seu Filho eram três desses quatorze.
“Quando você tinha dez anos, Lotus doze e seu Filho quatorze, todos foram colocados sob meus cuidados e direção para serem preparados e treinados para o trabalho que realizariam mais tarde. Naquela época eu residia na Cidade de Ouro, mas, depois que a sintonia preliminar foi estabelecida, passei a ir diariamente ao palácio e a transmitir a radiação e a instrução necessárias. Isso prosseguiu por quatro anos antes de ser revelado a seu pai.
“O soberano inca ficava admirado com a sabedoria de seus filhos e continuamente derramava louvor e gratidão a Deus por tê-lo assim abençoado. Quando você tinha quatorze anos, o mesmo Grande Mestre Cósmico que havia levado todos nós à Cidade de Ouro ao final da encarnação na Civilização do Saara apareceu ao Inca e lhe disse que sua petição havia sido atendida de maneira muito real.
“Foi a partir desse momento, durante mais de setenta anos, que a civilização inca atingiu seu ponto mais elevado. Desde que você tinha quatorze anos, eu vinha diariamente instruir e sintonizar o soberano inca, assim como vocês três. Vocês eram chamados de filhos incas do ‘Sol’. Sua gratidão, seu amor e sua cooperação eram realmente maravilhosos, e ele foi ensinado a compreender e utilizar a Grande Lei Cósmica.
“A infância e a juventude de vocês foram maravilhosas, pois nenhuma nuvem veio obscurecer a beleza daquele treinamento. Seu filho foi instruído nas Leis de Governo e nos Deveres Divinos de um Soberano; Lotus, no Trabalho Interior, e recebeu a lei completa e a consagração de Sacerdotisa no ‘Templo do Sol’. Você foi instruído nas Leis Cósmicas do sacerdócio e também, secretamente, na arte de comandar exércitos.
“Após dez anos de treinamento especial no Peru, vocês três foram enviados para o norte, a uma das novas colônias do Império Inca, com o propósito de ajudar o povo a expandir suas atividades e estimular seu progresso. Partiram levando todo o amor, a honra e a bênção que o soberano inca sabia oferecer, e estabeleceram a capital da colônia no local que hoje é Mitla, no estado de Oaxaca, México, cuja glória atravessou os séculos.
“Aqui vocês construíram um grande templo sob a direção Daqueles da Cidade de Ouro, por quem haviam sido instruídos e ajudados. Lotus chamava-se Mitla naquela vida, e foi em sua homenagem que a cidade recebeu esse nome. Ali ela serviu como sacerdotisa por mais de quarenta anos. Foi um dos templos mais magníficos daquele período, e nenhum recurso foi poupado, pois sua parte secreta, construída abaixo da superfície da terra, deveria permanecer e dar testemunho daquela esplêndida civilização séculos mais tarde. Vocês sabiam disso quando o templo foi construído, e determinadas ordens precisas foram dadas e cumpridas a seu respeito, porque toda a construção foi dirigida por um dos Grandes Mestres Ascensionados da Cidade de Ouro.
“A parte externa era feita de enormes blocos de pedra, alguns dos quais ainda podem ser vistos hoje entre as ruínas. O interior era revestido de mármore, ônix e jade. O jade provinha de uma fonte secreta nas Montanhas dos Andes, que jamais foi revelada a ninguém. O colorido da decoração interior era extremamente artístico e belo, predominando o ouro, o púrpura, o rosa e o rosa-concha.
“O Santuário Interior era dourado, com desenhos em púrpura e branco. A cadeira na qual a sacerdotisa oficiava também era de ouro. Ali se focalizava e mantinha o Poder Espiritual que irradiava para o império e seu povo. Com esta explicação preliminar, entraremos agora no templo subterrâneo, no qual uma sala foi preservada em meio às ruínas de uma glória outrora grandiosa.” Afastamo-nos um pouco mais, quando Saint Germain ordenou:
“Afaste-se!”
Ele focalizou um Raio de Poder Tremendo sobre uma pilha de grandes rochas diante de nós. De repente, elas foram arremessadas em todas as direções, deixando à mostra um cubo de granito cor-de-rosa. Ele avançou e colocou a mão sobre ele. Lentamente, o cubo girou como se estivesse sobre um pivô, revelando uma abertura de cerca de três pés de largura, com degraus bem definidos conduzindo para baixo. Descemos vinte e um degraus até uma porta que parecia ser de cobre, mas Saint Germain disse que era uma combinação de metais ligados de modo a torná-la imperecível.
Pressionando um cubo de pedra à direita da entrada, a porta se abriu lentamente e nos deu passagem para uma pequena sala. No extremo oposto havia uma grande arcada fechada por outra porta maciça. Desta vez, ele pressionou com o pé uma pedra de desenho peculiar no piso, e a porta recuou, revelando uma câmara de enormes proporções que parecia necessitar muito de limpeza e ventilação. Mal esse pensamento me ocorreu, o lugar se encheu de uma poderosa Luz Violeta, seguida por uma suave névoa branca que se tornou brilhante como o sol do meio-dia. A limpeza estava completa: tudo estava fresco, limpo e impregnado da fragrância de rosas.
Ao entrarmos na grande sala, minha atenção foi atraída por vários dos retratos mais extraordinários que eu já havia visto. Eles haviam sido gravados em ouro maciço, em cores fiéis à vida.
“Estes”, explicou Saint Germain, “também são indestrutíveis. Cinco deles retratam o soberano inca, Lotus, seu filho, você e eu, todos com a aparência dos corpos que usávamos naquela época. Somente durante o período inca esse tipo particular de arte foi expresso. Por meio da devoção de Lotus à sua própria Chama Divina naquela época, ela atraiu um Grande Mestre de Vênus que a instruiu. Essa forma de arte era diferente de tudo o que se conheceu na Terra em qualquer época. O Mestre de Vênus permitiu que apenas certo número dessas obras fosse produzido, porque esse tipo particular de arte estava séculos à frente de seu tempo e, portanto, não era permitido utilizá-lo naquele estágio do desenvolvimento do mundo. Contudo, ele se manifestará na atual Era de Ouro, na qual acabamos de entrar.
“Meu filho! Ah, se o povo da América pudesse apenas compreender as imensas possibilidades que estão diante dele — esperando, esperando, esperando que se afaste de credos, cultos, dogmas, ‘ismos’ e de tudo o mais que prende e limita, desviando sua atenção da Grande ‘Presença’ Divina em seu próprio coração! Ah, se pudesse compreender que liberdade, poder e Luz aguardam seu serviço, dependendo somente de reconhecer e utilizar a Grande ‘Presença’ Amorosa Interior, que respira através dele a cada instante, e de conhecer e sentir o Controle Todo-Poderoso que Ela possui sobre toda manifestação! Ah, se pudesse perceber que seus corpos são os ‘Templos do Altíssimo Deus Vivo’, o Governante do céu e da Terra; se pudesse saber o que significa amar esse Poderoso Eu, falar com Ele, reconhecê-Lo em todas as coisas e sentir a Realidade dessa ‘Presença’ com pelo menos a mesma certeza com que percebe outras pessoas e coisas! Se pudesse apenas sentir profundamente, ainda que por um instante, a proximidade e a realidade da Grande ‘Presença’, nada jamais poderia voltar a se interpor entre ele e a mesma Poderosa Realização Suprema alcançada por Jesus e pelos outros Mestres Ascensionados.
“Ó América! Amados Filhos da ‘Luz’! Deixem esta Grande ‘Presença’ Divina, Sua sabedoria e Seu poder irromper através de vocês agora, e vejam com que rapidez o Reino de Deus pode e irá manifestar-se na Terra. A América é o guia entre as nações, portando a ‘Luz’ que anuncia a Era de Ouro que se aproxima. Independentemente de suas condições atuais, ‘Essa Luz’ irromperá e consumirá as sombras que procuram perturbar seus Ideais e seu Amor pelo Grande Eu Divino.”
Passamos então por uma porta à direita, onde encontramos mais registros imperecíveis, desta vez relativos à civilização inca e ao importante papel que ela desempenhou naquele ciclo.
“Você recordou o processo de produzir esses registros a partir da memória de sua vida de quatorze mil anos atrás”, observou Saint Germain. “Eles serão transportados para o Royal Teton juntamente com os retratos, pois este templo secreto cumpriu completamente sua finalidade e agora será dissolvido.”
Logo apareceram Belos Seres Cintilantes e retiraram os retratos e os registros. Quando terminaram, retornamos à entrada e nos afastamos certa distância. Saint Germain focalizou sua atenção por alguns instantes no local do templo secreto e permaneceu em profundo silêncio. Senti uma súbita quietude apoderar-se de mim e manter-me imóvel. Houve um grande estrondo semelhante a um terremoto. Em um instante tudo terminou, e o templo secreto, que fora a mais magnífica criação de sua época, desabou em ruínas.
Só pude ofegar diante do estupendo poder de Saint Germain. Verdadeiramente, os Grandes Mestres Ascensionados são Deuses. Não é de admirar que, na mitologia dos antigos, suas atividades tenham chegado até nós sob a forma de mito e fábula. Eles manejam um tremendo Poder Divino em todos os momentos porque se mantêm, com determinação inabalável, na Grande “Presença” Divina; por isso, todo poder lhes é concedido, pois eles são Toda Perfeição.
“Quando Jesus disse: ‘Em verdade, em verdade vos digo: as obras que eu faço também vós as fareis, e obras maiores do que estas fareis’, ele sabia do que falava”, continuou Saint Germain.
“Ele veio revelar o Domínio Consciente e a Mestria que todo ser humano pode alcançar e expressar enquanto ainda está aqui na Terra. Demonstrou o Domínio do Mestre Ascensionado e provou à humanidade que é possível a cada pessoa invocar seu Eu Divino de tal modo que possa controlar conscientemente todas as coisas humanas.
“Os Grandes Mestres Ascensionados de Amor, Luz e Perfeição, que desde o princípio guiaram a expansão da Luz na humanidade deste planeta, não são produto da imaginação de ninguém. São Seres reais, visíveis, tangíveis, gloriosos, vivos e respirando, de tamanho Amor, Sabedoria e Poder que a mente humana se espanta diante de sua imensidão. Trabalham em todo o Universo com completa liberdade e poder ilimitado, realizando naturalmente tudo aquilo que o indivíduo comum considera sobrenatural.
“Eles manejam tamanho poder e manipulam forças tão grandes que isso ultrapassa a imaginação da pessoa no mundo exterior. São os Guardiões da raça e, assim como no mundo da educação física existem professores de diferentes graus para orientar o desenvolvimento do indivíduo desde a infância até a maturidade e além, preparando-o para trabalhos especiais, também existem os Mestres Ascensionados de Perfeição para educar e ajudar o indivíduo a expandir sua consciência além da expressão humana comum. Assim, ele desenvolve seus atributos sobre-humanos até que, como o estudante que se forma na universidade, aquele que está sob os cuidados e a instrução de um Mestre Ascensionado se gradua para além de sua humanidade, entrando na expressão plena e contínua de sua Divindade.
“O Mestre Ascensionado é um indivíduo que, por esforço Autoconsciente, gerou dentro de si Amor e Poder suficientes para romper as correntes de toda limitação humana; assim, permanece livre e digno de confiança para utilizar forças que estão além da experiência humana. Ele sente em si a unidade com Deus Onipresente — a ‘Vida’. Por isso, todas as forças e coisas obedecem a seu comando, porque ele é um Ser Autoconsciente de livre-arbítrio, controlando tudo mediante a manipulação da ‘Luz’ dentro de Si mesmo.
“É por meio da radiação ou do derramamento dessa ‘Luz’, que é na realidade sua própria ‘Essência Luminosa de Amor Divino’, que um Mestre Ascensionado pode ajudar aqueles que ficam sob seus cuidados e direção.
“Quando ocorre semelhante derramamento sobre um estudante, seus próprios corpos Interiores — e com isso quero dizer seus corpos emocional, mental e Causal — absorvem a Essência Luminosa do Mestre, e a ‘Luz’ neles brilha e se expande como uma centelha que se sopra até transformar em chama.
“Essa ‘Essência Luminosa’ contém a Força Mais Elevada do Universo, pois dissolve toda discórdia e estabelece Perfeito Equilíbrio em toda manifestação. O Corpo do Mestre Ascensionado derrama constantemente Raios de sua ‘Essência de Luz’ sobre as discórdias da Terra, dissolvendo-as como os raios de força que chamamos de luz e calor de nosso sol físico dissolvem uma névoa.
“A Radiação que eles derramam sobre a humanidade na Terra é energia atraída conscientemente, à qual dão uma qualidade e que tornam a emitir para produzir um resultado definido. Dessa maneira, oferecem proteção milhares e milhares de vezes a pessoas, lugares, condições e coisas das quais a humanidade permanece inteiramente inconsciente, seguindo seu caminho designado sem perceber serenamente seus Protetores e Benfeitores.
“Nesse tipo de atividade, os Mestres Ascensionados conseguem mudar os corpos em que atuam como uma pessoa comum troca de roupa, pois a estrutura celular permanece sempre sob controle consciente, e cada átomo obedece à sua menor orientação. São livres para utilizar um ou mais corpos, se o trabalho que desejam realizar assim exigir, porque sua capacidade de reunir ou dissolver um corpo atômico é absolutamente ilimitada. São Manifestadores Todo-Poderosos de toda Substância e Energia, pois as forças da Natureza — isto é, os quatro elementos — são seus servidores voluntários e obedientes.
“Esses Seres Gloriosos, que protegem e ajudam a raça humana em evolução, são chamados Mestres Ascensionados de Amor, Luz e Perfeição. Eles são tudo o que a palavra Mestre implica, porque, ao fazerem surgir o Amor, a Sabedoria e o Poder do Eu Divino Interior, manifestam sua Mestria sobre tudo o que é humano. Assim, ‘Ascenderam’ à expressão imediatamente acima da humana — o Sobre-Humano —, a Divindade, Pura, Eterna, Todo-Poderosa, a ‘Perfeição’.
“A humanidade da Terra, com frequência, em sua ignorância e limitação, presume julgar e expressar diversas opiniões sobre Jesus e muitos outros das Hostes Ascensionadas. Essa prática é uma das coisas que mais a aprisionam, pois, em tal atividade, a crítica e o julgamento assim enviados simplesmente retornam a quem os gerou e, desse modo, a humanidade se prende ainda mais fortemente a seu sofrimento e à sua limitação autocriados. A atividade da Lei faz com que os Mestres Ascensionados, tendo-se libertado das limitações humanas, se tornem um Flamejante Derramamento de Luz no qual nenhum pensamento humano discordante pode penetrar. Isso obriga toda criação destrutiva de pensamento e sentimento a retornar à sua origem e a prendê-la ainda mais nas correntes de sua própria criação.
“Se os seres humanos pudessem ver seus próprios pensamentos, sentimentos e palavras saindo para a atmosfera pelos éteres, reunindo cada vez mais elementos de sua própria espécie e depois retornando, não apenas se espantariam com aquilo a que dão origem, mas clamariam por libertação e, ainda que fosse apenas para apagar da mente tal criação, voltariam-se com total determinação para sua própria Divindade e nela entrariam. Pensamentos e sentimentos são coisas vivas e pulsantes. Aquele que sabe disso usará sua sabedoria e se controlará de acordo com esse conhecimento.
“Jesus é para a humanidade que adquire experiência nesta Terra aquilo que o Grande Eu Divino dentro de cada ser humano é para o eu pessoal ou exterior. Ele revelou o Modelo Mestre ao mundo exterior e continua sendo a Prova Viva da capacidade do indivíduo de libertar-se de toda limitação e expressar a Divindade como originalmente se pretendia, pois a primeira condição em que a humanidade existiu era inteiramente harmoniosa e livre.
“Quando alguns daqueles que estudam a Vida e as Leis do Universo mais profundamente do que a maioria dos filhos da Terra tomam consciência de que existem Mestres Ascensionados, frequentemente desejam ir até esses Grandes Seres para receber instrução. Embora, em muitos casos, isso seja um impulso inconsciente da alma interior em direção à Luz Maior, o eu pessoal pouco compreende a relação em que se encontra perante esses Grandes Seres que são Totalmente Divinos.
“Existe um meio pelo qual um estudante intensamente sincero e determinado pode entrar em contato com um deles, mas isso só pode ocorrer por meio de Amor suficiente e da disciplina da personalidade. Se o motivo desse contato for satisfazer a curiosidade, tentar provar ou negar a existência dos Mestres Ascensionados, simplesmente resolver um problema ou eliminar uma dúvida da personalidade, isso jamais acontecerá — tenha certeza disso —, pois as Hostes Ascensionadas nunca se ocupam em satisfazer o lado humano de qualquer estudante. Todo o seu esforço está voltado para a expansão do Eu Divino Interior, para que Seu Poder possa ser liberado com força suficiente para romper as limitações do eu humano que impedem que Ele disponha de um veículo perfeito para atuar nos mundos mental, emocional e físico da manifestação. Esses são os reinos do pensamento, do sentimento e da ação.
“As fraquezas e limitações humanas simplesmente prejudicam o veículo que deveria ser treinado e mantido nas melhores condições possíveis, como servidor eficiente para o uso do Grande Eu Divino Interior. O corpo humano, com suas faculdades, é o Templo de Energia de Deus, fornecido pela ‘Grande Presença Divina’, e por meio desse eu exterior Ela deseja expressar um Plano ou Desígnio Divino Perfeito. Se os apetites descontrolados dos sentidos e as exigências da personalidade desperdiçam a Energia Divina de modo que a ‘Presença Interior’ não receba o comando do veículo, Ela se retira gradualmente; o eu humano perde o poder de manejar a mente e o corpo, e o templo desmorona em decrepitude e dissolução. Temos então a condição que o mundo chama de morte.
“A pessoa que busca entrar em contato com um Mestre Ascensionado em um corpo visível, tangível, vivo e respirando, sem a preparação necessária para sintonizar gradualmente sua própria estrutura exterior e sua mente, encontra-se na mesma posição em que estaria uma criança do jardim de infância se visse um professor universitário e insistisse em aprender com ele o alfabeto.
“Os Mestres Ascensionados são realmente Grandes Baterias de tremendo poder e energia, e tudo o que toca sua Radiância fica intensamente carregado com sua ‘Essência de Luz’, pela mesma atividade que faz uma agulha mantida em contato com um ímã adquirir suas qualidades e tornar-se também um ímã. Toda a ajuda e Radiação que oferecem é eternamente uma dádiva gratuita de Amor. Por essa razão, nunca usam qualquer força para coagir.
“A Lei do Amor, a Lei do Universo e a Lei do indivíduo não permitem que o Mestre Ascensionado interfira no livre-arbítrio do indivíduo, exceto naqueles períodos de Atividade Cósmica em que o Ciclo Cósmico se sobrepõe ao ciclo individual. Nesses períodos, o Mestre Ascensionado pode dar uma assistência maior que a habitual. A Terra entrou agora em um desses Ciclos, e o maior derramamento de ‘Luz’ que ela já conheceu está sendo, e continuará sendo, derramado sobre a humanidade para purificá-la e restabelecer a Ordem e o Amor indispensáveis à manutenção futura de nosso planeta e do sistema de mundos ao qual pertencemos. Tudo aquilo que não entrar ou não quiser entrar na ação de ordem, equilíbrio e paz terá necessariamente de passar para alguma outra sala de aula do Universo e desenvolver sua compreensão dessa Lei de outra forma que não aquela que será a expressão da Vida futura sobre nossa Terra.
“Há apenas um passaporte para entrar na ‘Presença’ desses Grandes Seres: Amor suficiente derramado sobre o próprio Eu Divino e sobre Eles, unido à determinação de arrancar do humano toda discórdia e todo egoísmo. Quando um indivíduo se torna determinado o bastante para servir apenas ao Plano Construtivo da Vida, disciplina perfeitamente sua natureza humana, por mais desagradável que seja a tarefa. Então, atrairá automaticamente a atenção de um Mestre Ascensionado, que observará suas lutas e derramará coragem, força e Amor para sustentá-lo até que mantenha o sentimento de contato permanente com o Eu Divino Interior.
“O Mestre Ascensionado conhece e vê tudo o que diz respeito ao estudante, pois lê claramente o registro que ele produziu em sua própria aura. Isso revela o estado de desenvolvimento do discípulo — sua força e também sua fraqueza. O Mestre Ascensionado é a Mente Onisciente e o Olho Onividente de Deus, pois nada pode ser ocultado dele. Aquele que deseja entrar na ‘Presença’ visível e tangível das Hostes Ascensionadas deve compreender que, a menos que se transforme em um Sol Radiante de Amor, Luz e Perfeição que o Mestre possa expandir e utilizar como parte de Si mesmo, dirigindo-o conscientemente a qualquer lugar à vontade, ele seria inútil, apenas um parasita e um dreno de energia para o trabalho e o mundo do Mestre.
Se o estudante não possui, não está disposto a desenvolver ou não disciplina o eu pessoal para que sua mente seja calma, seus sentimentos pacíficos e amorosos e seu corpo forte, ele não é material que o Mestre Ascensionado possa utilizar no trabalho mais que humano que realiza. Quando o estudante não dispõe de um veículo forte, controlado e bem desenvolvido, é incapaz de cooperar com um Mestre Ascensionado e, assim, realizar trabalhos de uma natureza que ultrapassa a experiência humana comum.
“Se um desses Seres Perfeitos levasse para seu campo de trabalho um estudante sem tais qualidades, cometeria o mesmo erro de alguém que, ao construir uma máquina ou uma casa, utilizasse material imperfeito.
“Naturalmente, esse tipo de material não suportaria uma tensão incomum diante de uma necessidade súbita ou de um serviço prolongado. Assim, não seria sábio, amoroso nem misericordioso submeter alguém a uma experiência para a qual não possui treinamento nem força suficiente. Como os Mestres Ascensionados são o Ápice da Perfeição, naturalmente nada fariam que não fosse justo, amoroso e sábio.
“A atitude daquele que deseja trabalhar em cooperação consciente com as Hostes Ascensionadas não deveria ser: ‘Eu gostaria de poder ir até Eles para receber instrução’, mas sim: ‘Eu me purificarei, disciplinarei e aperfeiçoarei de tal modo, tornar-me-ei uma expressão tão completa do Amor Divino, da sabedoria e do poder, que poderei auxiliar em Seu trabalho; então serei automaticamente atraído até Eles. Amarei de modo tão constante, tão infinito, tão divino, que a própria intensidade de minha “Luz” abrirá o caminho para que Eles me aceitem.’
“Meu filho, a autocorreção e o controle das forças no uso da consciência humana não são trabalho de um instante, nem um caminho de facilidade, letargia e autossatisfação, pois os sentidos se descontrolam no ser humano comum, e ele se rebela furiosamente contra a disciplina de sua natureza inferior, disciplina indispensável para governar corretamente essas forças dentro de si, especialmente em seus sentimentos, de modo que possam ser usadas e atuar somente sob o Domínio consciente de sua Mente Divina.
“O dito ‘Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos’ é inteiramente verdadeiro. Todos estão sendo chamados constantemente, mas poucos estão despertos o bastante para perceber a alegria extática e a Perfeição dentro do Eu Divino e ouvir Sua Voz na ‘Luz’, chamando eternamente cada um de volta à Casa do Pai.
“Cada indivíduo na Terra é livre, a cada instante, para ‘levantar-se e ir ao Pai’ — seu Eu Divino —, se apenas der as costas à criação dos sentidos humanos e mantiver sua atenção na Única Fonte do Universo da qual podem vir a paz, a felicidade, a abundância e a Perfeição.
“Existe um meio para todos entrarem em contato com os Mestres Ascensionados: pensar neles, invocá-los, e Eles responderão a cada chamado com sua própria ‘Presença’ de Amor; mas o motivo do chamado deve ser o Amor à Única Fonte, o Amor à Luz, o Amor à Perfeição.
“Se isso for real, determinado e constante, o estudante receberá cada vez mais Luz, pois a ‘Luz’ conhece os seus e Se dá incessante e incondicionalmente a cada instante. Pedi e recebereis; batei e a porta vos será aberta; buscai e encontrareis; invocai a ‘Luz’ e os Mestres Ascensionados vos responderão, pois Eles são a ‘Luz’ deste mundo.
“Lotus serviu como sacerdotisa no templo de Mitla por mais de quarenta anos, juntamente com você e seu filho. Pelo esforço combinado de vocês três, as várias cidades das colônias foram levadas a um estado de grande perfeição. Vocês estabeleceram indústrias e dirigiram a agricultura até que a prosperidade abundasse em toda a terra.
“Foi revelado ao soberano inca o momento em que deveria concluir sua peregrinação terrena e seu serviço naquela civilização. Então ele chamou vocês três de volta para junto dele. Outros foram designados para ocupar seus lugares e, com bênçãos e Amor para seu povo, vocês se despediram.
“Quando chegaram de volta, o rei ficou muito surpreso ao constatar que nenhum de vocês havia envelhecido durante a longa ausência. Sua aparência jovem era resultado do treinamento recebido na infância e uma prova ainda maior de que seus filhos haviam sido enviados divinamente em resposta à sua prece. Profunda gratidão ao Único Deus Poderoso por abençoá-lo, a seus filhos e ao povo enchia sempre seu coração.”
Nesse momento, enquanto Saint Germain descrevia as encarnações incas, imagens vivas começaram a aparecer na atmosfera diante de mim, todas com suas cores e sua atividade originais. Elas permaneceram por quase três horas, e ele revelou aquelas antigas experiências como uma realidade viva no Peru e em Mitla.
O soberano inca reuniu os quatorze da Cidade de Ouro em preparação para o acontecimento mais importante de sua peregrinação terrena. Sabia que a hora de sua partida se aproximava e que os assuntos do império precisavam ser transferidos para o controle do filho mais velho, a quem nomearia sucessor durante o banquete.
O palácio foi famoso durante séculos como a construção mais magnífica daquele período, pois o rei dispunha de enormes recursos durante todo o reinado. Ele vivia sempre em estreita união com seu Eu Divino, e riquezas incontáveis fluíam para seu uso. O interior do palácio era extremamente ornamentado; os aposentos particulares da família real eram decorados com ouro puro cravejado de joias, e o símbolo do Sol era empregado sempre que possível como lembrete constante do Eu Divino Interior.
O salão de banquetes possuía cinco mesas de jade esculpido, apoiadas sobre pedestais de ônix branco, cada uma com lugares para vinte pessoas, exceto a mesa real, onde havia dezesseis lugares: os quatorze da Cidade de Ouro, o rei e o Mestre Saint Germain, então conhecido como “Filho Uriel”. As cadeiras da mesa do rei eram de ouro e tinham pequenos dosséis de magníficas plumas de avestruz em cores esplêndidas. Na cadeira do Inca, as plumas eram de um belo violeta; na de Saint Germain, de um dourado intenso; na da filha, cor-de-rosa; na do filho mais velho, violeta, porém em tom mais claro que o do soberano; e, na cadeira do filho mais novo, eram brancas, representando a autoridade do sacerdócio. As plumas das cadeiras dos demais integrantes dos quatorze da Cidade de Ouro eram de cores variadas e de beleza indescritível, cada cor representando o cargo e o serviço que seu ocupante prestava ao império.
Toalhas de material muito macio, ricamente bordadas com fios de extraordinário brilho, cobriam as mesas. Todo o palácio era iluminado por globos de cristal autoluminosos que Saint Germain havia dado ao soberano inca quando sua instrução começou.
O rei vestia uma túnica real de tecido dourado com aparência metálica e um magnífico peitoral de joias representando o “Sol”. Sobre ela usava sua veste de ofício, feita de rico tecido púrpura, guarnecida com esplêndidas plumas de avestruz em toda a borda e na gola profunda. Sua coroa era uma faixa de diamantes que sustentava três plumas violetas na parte de trás. Na Vida Interior do soberano, essas três plumas simbolizavam as três atividades da Divindade — Pai, Filho e Espírito Santo — atuando através do homem como Amor, Sabedoria e Poder. Os dois filhos vestiam trajes semelhantes aos do pai, exceto pela longa veste de Estado; cada um trazia o símbolo do “Grande Sol”, formado por um peitoral de joias. A coroa do filho mais velho era cravejada de esmeraldas e as plumas na parte de trás eram violetas como as do rei, porém de tom mais claro. O adorno de cabeça do outro filho era cravejado de pérolas, e suas plumas eram brancas, outro símbolo de seu ofício sacerdotal.
A filha do rei vestia um tecido dourado fino como seda de gaze, com uma sobrecapa de material opalescente, deslumbrante de se ver, que mudava de cor a cada movimento do corpo. Usava um cinto de joias com diamantes e esmeraldas, cujo painel quase alcançava o chão. Na cabeça havia uma pequena touca justa de material tecido e, ao redor do pescoço, uma corrente da qual pendia o símbolo do “Grande Sol”, cravejado de diamantes, rubis e esmeraldas. Suas sandálias eram de ouro e também ornamentadas com joias.
Exatamente quando o rei deixou seus aposentos particulares a caminho do salão de banquetes, uma Luz Flamejante atravessou os cômodos, e Saint Germain surgiu diante de nós, parecendo um Deus. A “Luz” ao redor dele era quase cegante em seu Brilho, e levamos alguns segundos para nos acostumar a ela.
Seus belos cabelos dourados caíam até os ombros e eram mantidos no lugar por uma faixa de diamantes azuis ao redor da testa. Sua própria Radiância Intensa brilhava através da cor dos cabelos até fazê-los parecer luz do sol. O violeta penetrante e cintilante de seus olhos contrastava fortemente com a pele, que revelava o suave tom rosado da juventude e da saúde perfeita. Seus traços eram muito regulares, semelhantes aos dos antigos gregos.
Ele usava uma túnica de maravilhoso tecido branco deslumbrante, totalmente diferente de qualquer coisa conhecida em nosso mundo moderno. Ajustava-se ligeiramente ao corpo na cintura, onde se prendia um cinto de diamantes amarelos e safiras, com um painel que descia até os joelhos. No anelar da mão esquerda havia um anel com um magnífico diamante amarelo e, no dedo médio da direita, uma safira quase tão brilhante quanto ele; ambos resplandeciam intensamente em razão de sua própria grande Radiação, pois acabara de vir da Cidade de Ouro.
O rei ficou surpreso e tomado de alegria com sua aparição e, fazendo o sinal do coração, da cabeça e da mão, inclinou-se profundamente diante dele e ofereceu o braço ao Mestre. Assim seguiram para o salão de banquetes.
Ali, as mesas estavam postas com um serviço completo de ouro, cristal e jade. Logo entraram os filhos do rei e, ao contemplarem seu amado Mestre, quase foram vencidos pela alegria. Contudo, não esqueceram a dignidade da ocasião e, fazendo o Sinal Divino que ele lhes ensinara, inclinaram-se profundamente diante do pai e do Distinto Convidado.
Foi dado o sinal e todos se sentaram. O rei ocupou a cabeceira da mesa; à sua direita estava o Mestre Saint Germain e, ao lado dele, a filha. O filho mais velho ficou à esquerda do rei, seguido pelo filho mais novo e depois pelos demais da Cidade de Ouro.
Ao término do banquete, o soberano se levantou e todos lhe deram completa atenção. Permaneceu em silêncio por um instante e, estendendo a mão em direção ao amado Saint Germain, apresentou-o aos convidados. O Mestre inclinou-se com graça, e o rei contou como a Lei Espiritual Superior havia sido ensinada a ele e a seus filhos e como as grandes bênçãos que haviam chegado à terra e a seu povo eram resultado do Grande Amor do Mestre. Explicou ainda que o banquete fora oferecido para que ele nomeasse seu sucessor ao trono.
Ele fez sinal para que o filho mais velho se levantasse e o anunciou como futuro soberano. Retirando a Túnica Real, colocou-a sobre os ombros do filho, e Saint Germain, erguendo as mãos acima dele em bênção, disse:
“Eu o abençoo, meu filho, em Nome e pelo Poder do Único Deus Poderoso — presente no homem e governando o Universo —, cuja Sabedoria Suprema o dirigirá, cuja ‘Luz’ o Iluminará, cujo Amor abençoará e envolverá você, a terra e seu povo.”
Tocando a testa do filho com o polegar da mão direita, o Amado Mestre ergueu a mão esquerda e um Clarão Cegante de “Luz” os envolveu.
O rei então nomeou aqueles que ocupariam os lugares de sua filha e de seus dois filhos no templo de Mitla. Saint Germain, o rei, seus filhos e os demais da Cidade de Ouro seguiram para a sala do trono, onde o Mestre se voltou e novamente se dirigiu a eles, dizendo:
“Amados seres de Luz! Seu irmão, o rei, em breve passará para seu merecido descanso e uma instrução superior. Até esse momento, permanecerei com vocês. Sua civilização atingirá o apogeu sob o governo deste nosso amado irmão, e vocês precisarão de muito mais riqueza para realizar tudo o que deve ser feito. No coração das montanhas, não muito distante, existe um grande tesouro de ouro e pedras preciosas.
“O filho mais novo de seu soberano ainda não recordou uma faculdade que utilizava anteriormente. Vou reativá-la para que as necessidades de suas futuras atividades sejam supridas.” Ele se aproximou do filho mais novo e tocou-lhe a testa com o polegar da mão direita. Um tremor percorreu o corpo e sua Visão Interior se abriu.
Ele viu, nas regiões escarpadas das montanhas, determinado lugar que continha riquezas tão vastas que soube que não precisariam de nenhum outro suprimento para produzir tudo o que fosse necessário às suas atividades exteriores. O filho fez uma reverência a seu Amado Mestre e prometeu que, com sua assistência, o plano para o uso dessa riqueza seria cumprido. Três das minas que ele abriu e explorou foram fechadas e seladas quando terminou o reinado daqueles da Cidade de Ouro. Permanecem fechadas até hoje.
De tempos em tempos e de diversas maneiras, os arqueólogos encontram indícios e provas do extraordinário nível atingido por essa civilização e do esplendor de suas realizações. Os fragmentos das atividades incas descobertos até agora pertencem à civilização em seu período de declínio, mas chegará o dia em que aquilo que foi expresso em seu apogeu será revelado para a bênção, a iluminação e o serviço da posteridade.
No dia seguinte, mensageiros foram enviados aos principais pontos do império anunciando a ascensão ao trono do filho do rei. Sua reputação o precedera desde a Cidade de Mitla, pois sua sabedoria, sua nobreza de caráter e sua justiça haviam se tornado conhecidas em todo o reino durante os anos em que ali servira.
Alguns dias depois, o filho mais novo ordenou ao engenheiro-chefe de minas que preparasse equipamentos, homens e suprimentos para seguir às montanhas e abrir a mina que lhe havia sido mostrada por meio de sua Visão Interior.
Quando estavam prontos para partir, o filho permaneceu sozinho e manteve firmemente sua atenção no Eu Divino Interior, sabendo que seria guiado sem erro até a mina. Por isso, não encontrou dificuldade nem atraso para seguir diretamente ao local que lhe fora mostrado na visão. Colocou um grande número de homens para trabalhar e, em sessenta dias, havia aberto a mina até o ponto em que alcançaram o veio de ouro mais rico já localizado na América do Sul, antes ou depois daquele tempo. A descoberta e a exploração dessa mina chegaram até os dias atuais na forma de lenda entre o povo. O filho mais novo retornou de sua realização em meio à calorosa recepção do povo e recebeu as bênçãos de seu pai, de Saint Germain, de seu irmão mais velho e de sua irmã.
A mina estava situada a uma altitude de oito mil pés e, durante o tempo em que o filho do rei permaneceu ali, tornou-se altamente sensibilizado, uma atividade que ocorre sempre em grandes altitudes. Ao retornar ao palácio, sentiu claramente que havia chegado o momento de o soberano inca realizar a grande mudança e soube que sua partida estava próxima.
Chegou o dia da coroação do filho do rei, quando ele deveria assumir legal e publicamente as responsabilidades e os deveres do reino. A família real pediu a seu Amado Mestre e Amigo que realizasse o ato de coroar o novo soberano, e ele gentilmente concordou.
Os elaborados preparativos para o importante acontecimento haviam sido concluídos, e a cerimônia avançara até o momento em que a coroa deveria ser colocada sobre a cabeça do novo soberano. Todos perceberam que Saint Germain não fez nenhum movimento para recebê-la.
De repente, surgiu um Clarão Cegante de “Luz” e diante deles apareceu um Ser Maravilhoso. Ela parecia uma jovem de apenas dezoito anos, mas de seus olhos e de sua “Presença” irradiava uma Radiância Deslumbrante, repleta do Amor, da Sabedoria e do Poder de uma Deusa. A Luz que enchia a atmosfera ao seu redor era branco-cristal, cintilando dentro de Si mesma e resplandecendo continuamente.
Estendendo suas delicadas mãos ao portador da coroa, ela tomou a coroa e, com infinita graça, colocou-a sobre a cabeça do filho do rei. Com uma voz que era a própria alma da música, disse:
“Amado da Cidade de Ouro: eu o coroo com Amor, Luz e Sabedoria, dos quais esta coroa é o símbolo. Que sua justiça, sua honra e sua nobreza permaneçam para sempre. Por uma Ordem Divina, reinarei com você, invisível a todos, exceto àqueles da Cidade de Ouro que estão aqui.”
O novo soberano ajoelhou-se para receber a coroa, e o Ser Maravilhoso se inclinou e beijou sua testa. Depois voltou-se aos convidados reunidos, estendeu as mãos e os abençoou. Imediatamente, uma suave Luz cor-de-rosa encheu todo o lugar, sendo o derramamento de Seu Amor sobre eles. Ela abençoou o antigo rei e, voltando-se para a filha dele, envolveu-a em um abraço afetuoso. Ao filho mais novo, estendeu a mão e ele, ajoelhando-se, beijou-a com profunda reverência.
O novo rei subiu ao trono e inclinou-se diante de seus convidados. Oferecendo o braço ao Belo Ser, conduziu o cortejo ao salão de banquetes, onde celebraram a coroação com um festim. Ele deu o sinal para que todos se sentassem e então se dirigiu a eles.
“Meu povo tão amado”, disse ele, “sei que existe apenas Uma Poderosa ‘Presença’ — Deus — na humanidade e no Universo, governando tudo. Meu desejo, como sempre foi, é viver de tal maneira que minha mente e meu corpo sejam canais límpidos e expressões perfeitas da Única Grande ‘Presença’ Interior. Que vocês, meus amigos, meu povo, nossa terra e suas atividades sejam sempre abençoados com o maior Amor, paz, saúde e felicidade de Deus. Que este império, que é domínio de Deus e do qual somos apenas guardiões, continue em abundante prosperidade. O Amor de Deus em mim sempre os envolverá, e peço à ‘Luz’ Eterna de Deus que os eleve à Sua Perfeição Divina.”
À medida que o banquete prosseguia, o antigo rei ficou muito pálido. O novo soberano fez sinal ao irmão, que foi até o pai e o ajudou a chegar aos aposentos particulares da família real. O rei deitou-se e permaneceu imóvel por quase quatro horas. Seus filhos, o Mestre Saint Germain e o Belo Ser permaneceram ao seu lado.
Quando chegou o último momento de sua vida terrena, o Belo Ser avançou até a cabeceira do leito em que ele repousava e dirigiu-se a ele, dizendo:
“Irmão Inca: pensaste em deixar tua forma entregue à ação dos quatro elementos, mas eu te digo que ela será Elevada, Transmutada e Iluminada naquele Eterno ‘Templo de Deus’ que expressa Toda Perfeição. Teu grande serviço te libertou da roda do nascimento e da chamada morte. Sê agora recebido pelas Hostes Ascensionadas de Luz, com as quais és para sempre — Uno.”
Lentamente, o corpo foi elevado à sua Perfeição Eterna e depois desapareceu completamente. Saint Germain voltou-se para os que estavam presentes.
“Meu trabalho aqui está terminado”, disse ele e, avançando, colocou um anel de desenho extremamente incomum no anelar da mão direita do rei. Sua joia era um globo autoluminoso em miniatura, feito de algum tipo de substância precipitada semelhante a uma pérola, e bem no centro havia uma minúscula Chama azul. Era um foco de “Luz”, semelhante aos globos que Saint Germain havia dado ao pai do rei e que iluminavam o palácio.
“Aceite isto”, continuou, “do Mestre da Cidade de Ouro. É Seu pedido que você o use sempre consigo.” Despedindo-se deles e inclinando-se com graça, desapareceu de sua vista.
Os três filhos do Inca possuíam corpos físicos perfeitos, graças à instrução recebida na infância do Mestre Saint Germain, quando ele vinha diariamente da Cidade de Ouro prepará-los para o serviço de suas vidas ao povo. Todos tinham belíssimos cabelos dourados e olhos azul-violeta. Os dois filhos mediam plenamente seis pés e três polegadas de altura, e a filha cerca de cinco pés e sete polegadas. Havia em sua postura uma grande dignidade natural, sugerindo o Domínio Interior que haviam adquirido sob sua instrução. Quando o filho mais velho subiu ao trono, tinha sessenta e oito anos, mas não aparentava mais de vinte e cinco. Mesmo quando deixaram a Terra, nenhum deles aparentava mais do que essa idade. O novo rei reinou por quarenta e sete anos e viveu até os cento e quinze. A filha viveu até os cento e treze, e o filho mais novo até os cento e onze.
O povo inca daquele período tinha olhos e cabelos escuros, com a pele semelhante à dos indígenas americanos. Aqueles que encarnaram como a massa do povo inca não eram almas com conhecimento avançado anterior, como ocorrera em algumas civilizações precedentes, como Egito, Atlântida e o Deserto do Saara. Por essa razão, as Grandes Hostes de Mestres Ascensionados, que auxiliam na expansão da Luz dentro da humanidade, colocaram o soberano inca, seus filhos e os demais integrantes dos quatorze da Cidade de Ouro à frente do governo e do povo, para estabelecer o modelo segundo o qual as atividades posteriores deveriam ser moldadas. Eles conceberam uma forma de governo e um plano de desenvolvimento que, se fossem seguidos, teriam permitido a toda a civilização alcançar um grande nível de realização exterior e, ao mesmo tempo, receber uma tremenda Iluminação Interior.
Quando se aproximou o momento de escolher um soberano entre os próprios incas para suceder ao rei e a seus auxiliares, tomou-se grande cuidado para escolher aqueles cujo Desenvolvimento Interior estivesse mais avançado. Foram encontrados quatorze para ocupar os lugares dos que vinham da Cidade de Ouro. O Belo Ser havia se tornado visível ao rei todos os dias durante quarenta e sete anos, dando conselho e assistência por meio de Sua Radiação, para que a sabedoria e a força fossem o poder diretor do povo.
Os sucessores do rei e dos quatorze da Cidade de Ouro foram chamados à presença do muito amado e sábio soberano, e o Belo Ser, que permanecera invisível, tornou-se visível a todos. A Luz ao seu redor cresceu intensamente, e ela se dirigiu a eles, dizendo:
“Por mais de noventa anos, os Grandes Mestres Ascensionados de Luz ensinaram, iluminaram, abençoaram e fizeram prosperar este povo e este império. O exemplo está diante de vocês. Se o seguirem, tudo continuará a prosperar e a abençoar sua terra. Se não mantiverem o Amor pelo Único Eu Divino Supremo em primeiro lugar em seus corações e não O reconhecerem sempre como o Soberano do império e de seus habitantes, a decadência se instalará e a gloriosa Perfeição desfrutada durante mais de um século será esquecida. Eu os entrego aos cuidados da Grande ‘Presença’ Suprema em tudo. Que Ele sempre os proteja, dirija e ilumine.”
Nesse momento, uma prova visível da existência do Eu Divino Interior de cada ser humano foi revelada àqueles que deveriam guiar o destino do império durante os anos seguintes. Esse mesmo exemplo será novamente dado ao atual povo da América.
Então, na presença do novo soberano e de seus associados, o rei e os quatorze da Cidade de Ouro saíram de seus corpos e revelaram o Eu Divino de cada um, tornando-o visível a todos os presentes. Em poucos instantes, os corpos físicos desapareceram, dissolvendo-se no ar ao redor.
“Assim”, explicou Saint Germain, “é-lhe revelado o registro de outra vida e a bênção e a realização que resultam da aceitação amorosa da ‘Presença’ Suprema do Único Eu Divino Interior. Voltemos agora ao Royal Teton.”
Retornamos à entrada e seguimos até o salão de audiências. Ali, nas paredes, estavam os retratos gravados em ouro, transferidos do antigo templo de Mitla. Prosseguimos até a sala dos registros e vimos os registros transportados pelos Belos Seres Cintilantes. Outras coisas também haviam sido trazidas, mas não tenho permissão para revelá-las.
Ao terminarem essas experiências, compreendi, ao menos em parte, algo do que é o Amor verdadeiro, pois ninguém pode explicar o intenso sentimento de Amor e gratidão que se sente pelos Mestres Ascensionados depois de receber permissão para viver as experiências pelas quais passei desde meu primeiro encontro com Saint Germain. Isso jamais pode ser expresso em palavras. Depois de semelhante contato, existe apenas um desejo irresistível na Vida: “SER” aquilo que Eles são.
Então se começa a compreender o que Jesus quis dizer com a Casa do Pai e onde realmente se encontra o lar da Alma. Uma vez que alguém tenha experimentado de verdade, ainda que por uma fração de segundo, a Bem-Aventurança Extática irradiada por um Ser Ascensionado, não há nada na experiência humana que não suportaria ou sacrificaria para alcançar esse grau de realização, nem trabalho que não empreenderia para expressar também semelhante Domínio e Amor.
Sabe-se então, verdadeiramente, que tal Perfeição é para todos os filhos de Deus e é tão real quanto a própria realidade. Mesmo a vida mais feliz vivida pelo ser humano comum é apenas a casca da existência quando comparada ao Estado Ascensionado desses Grandes Seres. A mais bela e chamada perfeita criação dos seres humanos, com todo o poder e a realização de que se vangloriam, é grosseira e rudimentar quando comparada à Liberdade, à Beleza, à Glória e à Perfeição que constituem a experiência diária e contínua de todo aquele que elevou o corpo como Jesus fez.
Eu estava quase dominado por um sentimento de gratidão e Amor por Saint Germain quando chegou o momento de retornar ao meu corpo. Ele percebeu o que eu sentia e compreendeu minha posição.
“Meu filho”, disse ele, “você não pode receber aquilo que não conquistou. Você merece isso e muito mais, o que ficará evidente à medida que avançarmos. Lembre-se, porém, de que aquilo que parece misterioso só parece assim porque ainda não foi explicado. Quando compreendidos, todos os acontecimentos incomuns se revelam naturais e de acordo com a Lei. A seguinte Verdade deverá permanecer gravada para sempre em sua memória. É esta:
“Cada filho de Deus que reconhecer e aceitar a ‘Presença’ do Único Deus Poderoso, ancorada em seu coração e cérebro, e sentir profundamente essa Verdade muitas vezes ao dia, percebendo e sabendo que Deus enche sua mente e seu corpo de tanta ‘Luz’ que não há espaço para qualquer outra coisa, poderá ser livre. A Única ‘Presença’ Todo-Poderosa é a poderosa atividade harmoniosa da Vida e dos assuntos de cada um e, se sua atenção permanecer firmemente fixada com determinação nessa Verdade Eterna, não existe altura de realização elevada demais para que possa alcançá-la.
“Existe apenas Uma Fonte e um Princípio de Vida aos quais devemos dar nossa atenção indivisa: o Eu Divino Interior de cada indivíduo. Ao Grande Eu Harmonioso, o eu pessoal deve dar reconhecimento consciente em todos os momentos e manter constante Comunhão Interior com Ele, não importando qual seja a atividade exterior da mente.
“Esse Único Grande Eu é a Energia de Vida que flui por todo corpo humano a cada instante, permitindo que todos se movam no mundo da forma. É a Sabedoria que flui através da mente, a Vontade que dirige todas as atividades construtivas, a Coragem e a Força que sustentam cada um, o Sentimento de Amor Divino com o qual toda força pode ser qualificada ao fluir através do indivíduo — o Único Poder capaz de realizar qualquer coisa boa. É o Domínio Consciente e Todo-Vitorioso sobre toda condição da atividade humana quando liberado através do eu pessoal sem resistência nem interrupção.
“Este Poderoso Eu Divino dentro de você é o Soberano Supremo de toda a criação e a única Fonte de auxílio confiável, permanente e Eterna que existe. Somente por meio de Seu Amor, Sabedoria e Poder alguém poderá elevar-se à Mestria Ascensionada, pois a comunhão constante e consciente com Ele é Liberdade e Domínio sobre toda criação humana. Quando digo criação humana, refiro-me a tudo aquilo que é discordante e inferior à Perfeição.”
Retornamos ao meu corpo e, assim que voltei a ele, Saint Germain tomou minhas mãos e fez passar através de mim uma corrente de sua Energia Divina para me sustentar e fortalecer. Senti-me instantaneamente revitalizado tanto na mente quanto no corpo. Sentei-me, fixei minha atenção com profunda intensidade em minha própria “Presença Divina” e ofereci uma oração de gratidão pelas tremendas bênçãos que tivera o privilégio de receber. Ele inclinou-se com graça e desapareceu.
CAPÍTULO VI
Cidades Submersas do Rio Amazonas
Pouco tempo depois, certa noite, eu trabalhava intensamente quando ouvi distintamente a voz de Saint Germain.
“Esteja pronto”, disse ele, “esta noite, às nove horas, e virei buscá-lo.”
Num instante fiquei alerta, apressei-me em terminar meu trabalho, tomei banho e me preparava para jantar cedo.
“Eu lhe trarei o alimento adequado”, explicou ele; assim, esperei e entrei na mais profunda meditação de que podia estar consciente, reconhecendo apenas a Manifestação Perfeita de Deus.
Pontualmente às nove horas, ele apareceu em meu quarto, usando vestes de uma Substância Cintilante de aspecto metálico, que pareciam feitas de aço polido, mas ao toque lembravam uma combinação de seda muito macia e borracha, extremamente leve. Toquei aquele tecido belo e maravilhoso e fiquei tão fascinado que saí de meu corpo físico sem perceber, até me virar e vê-lo deitado na cama. Aproximando-me de um grande espelho na porta, vi que minhas vestes eram exatamente iguais às de Saint Germain. Fiquei intrigado e não compreendi por que eram diferentes das que havíamos usado em nossas saídas anteriores. Ele percebeu a pergunta em minha mente e respondeu.
“Procure compreender, meu filho, que, na Condição Ascensionada da Vida, somos sempre livres para utilizar a Pura Substância Universal para qualquer finalidade que escolhamos e dar-lhe qualquer qualidade específica que desejemos conforme a necessidade do momento.
“Se desejamos usar um material imperecível, impomos essa qualidade à Pura Substância Universal, e Ela responde de acordo. Se queremos que uma forma se manifeste apenas por um período determinado, damos essa qualidade ou ordem à Substância de que ela é composta, e a forma se manifesta de acordo. No caso presente, vamos passar através da água, e a Radiação do material de sua veste envolve seu corpo mais sutil de modo a isolá-lo das qualidades e atividades naturais do elemento água.
“Procure refletir sobre este Poder que está dentro de você. Chame ao uso o grande mar de Substância Universal do qual você pode extrair sem limite. Ele obedece sem exceção à direção do pensamento e registra qualquer qualidade que lhe seja imposta pela atividade da natureza dos sentimentos na humanidade.
“A Substância Universal obedece à sua vontade consciente em todos os momentos. Ela responde constantemente ao pensamento e ao sentimento da humanidade, quer os seres humanos percebam isso ou não. Não há instante em que não estejam dando a essa Substância uma qualidade ou outra; e somente pelo conhecimento de que o indivíduo possui controle consciente e capacidade de manipular um mar ilimitado Dela é que ele começa a compreender as possibilidades de seus próprios Poderes Criadores e as responsabilidades que recaem sobre ele no uso de seu pensamento e de seu sentimento.
“A humanidade, ao longo dos séculos, qualificou a Substância Universal com perecibilidade e limitação, e os corpos que utiliza hoje expressam essas características. Toda a raça humana tem tempestades de ódio, ira, vingança e muitas outras explosões de sentimento; e os quatro elementos, que registraram essas qualidades, devolvem-nas ao homem através do mundo da natureza sob a forma de tempestades. Os povos da Terra têm cataclismos de pensamento e sentimento como ressentimento uns contra os outros, contra injustiças, lugares e coisas, enviando consciente ou inconscientemente o sentimento de vingança. O grande mar de Substância Universal, no qual essas qualidades foram registradas, devolve-as à sua fonte — o indivíduo — por meio dos quatro elementos, sob a forma de cataclismos na Natureza.
“Tais atividades são apenas os meios pelos quais a Natureza se purifica e se liberta da contaminação do pensamento e do sentimento humanos discordantes, retornando à sua condição original de Pureza Divina.
“A cada instante, cada indivíduo recebe em sua mente e em seu corpo a Vida Pura e Perfeita de Deus. A cada instante, ele também imprime alguma qualidade à Pura Substância Universal de Deus. Essa qualidade ele próprio cria e gera, e deve recebê-la de volta em sua mente e em seu corpo, pois todas as coisas no Universo se movem em círculos e, assim, retornam à sua fonte.
“Os Mestres Ascensionados aprenderam a ‘Lei do Círculo’ — a ‘Lei do Uno’. Por isso, impomos à Pura Substância Universal somente a qualidade que desejamos utilizar para o trabalho específico em questão. Se desejamos que uma manifestação se expresse durante determinado período, fixamos o tempo, damos a ordem, e a Substância de que essa manifestação especial é composta responde de acordo.
“No caso dos registros do Royal Teton e de certos Retiros em várias partes do mundo, é necessário para nosso trabalho que determinadas coisas sejam tornadas imperecíveis, a fim de serem preservadas através dos séculos. Decretamos essa qualidade nelas, e elas registram exatamente nosso decreto, pois a Natureza nunca mente. Ela é uma registradora fiel das qualidades que atuam sobre Ela. Obedece a nós e também obedece ao homem, mas há uma determinada atividade dentro Dela que a humanidade ignora ou teimosamente se recusa a reconhecer. Por essa ignorância e obstinação, ela paga, paga e paga continuamente, até que o eu pessoal do indivíduo aprenda e reconheça esta Verdade Eterna Fundamental: a ‘Lei do Uno’ — a ‘Lei do Amor’ — a ‘Lei da Harmonia’ — a ‘Lei do Círculo’ — a ‘Lei da Perfeição’.
“Quando a humanidade realmente aprender essa Verdade e obedecer a Seu Decreto Eterno, as discórdias da Terra e as atividades destrutivas dos quatro elementos cessarão.
“Existe na Natureza uma Força autogeradora e autopurificadora que se eleva e repele tudo o que discorda da ‘Lei do Uno’. Essa força ou Energia é uma Atividade Impulsionadora de dentro para fora e é o Único Poder em expansão. Se a discórdia é imposta à Pura Substância Universal, a Energia Eletrônica fica temporariamente represada dentro dela. Quando essa energia acumulada atinge determinada pressão, ocorre a expansão, despedaçando a discórdia e a limitação. Assim, ‘a Grande Vida do Uno’ — ‘a Essência Luminosa da Criação em Eterna Expansão’ — ‘Deus em Ação’ — domina tudo o que procura opor-se a Ela e segue por Seu Caminho determinado como Governante Supremo do Universo. Os Mestres Ascensionados de Luz sabem disso e são ‘Um’ com esse conhecimento.
“A humanidade também pode sabê-lo e ser ‘Um’ com isso — se apenas quiser. Está dentro das capacidades e possibilidades de cada indivíduo, pois é o Princípio Eterno Inato dentro da Vida Autoconsciente. Todos os seres humanos são Vida Autoconsciente. Esse Princípio não faz acepção de pessoas, e todos podem expressar Sua plenitude.
“Dentro da Vida de cada ser humano está o Poder pelo qual ele pode expressar tudo o que os Mestres Ascensionados expressam a cada instante, se apenas escolher fazê-lo. Toda Vida contém Vontade, mas somente a Vida Autoconsciente é livre para determinar seu próprio curso de expressão. Assim, o indivíduo tem livre escolha para se expressar no corpo humano limitado ou no Corpo Divino sobre-humano. Ele escolhe seu próprio campo de expressão. É o Criador que determina a si mesmo. Ele quis e escolheu viver como Vida Autoconsciente.
“Quando alguém se individualiza dentro da Vida Absoluta e Onipenetrante, escolhe, por seu próprio livre-arbítrio, tornar-se um foco individual intensificado de Inteligência Autoconsciente. É o diretor consciente de suas atividades futuras. Assim, tendo feito sua escolha, somente ele pode cumprir esse destino, que não é uma circunstância inflexível, mas um Plano de Perfeição claramente concebido. É um Modelo que ele escolhe expressar no reino da forma e da ação. Veja, portanto, meu filho, que um ser humano pode a qualquer momento decidir elevar-se acima de suas qualidades ou limitações humanas e, se dedicar toda a sua Vida, toda a sua Energia, a essa determinação, terá êxito. Aqueles de nós que elevaram o corpo realizaram a ‘Ascensão’ entregando tudo ao Eu Divino Interior; por isso, Ele expressa através de nós Suas Qualidades Perfeitas — o ‘Plano Divino da Vida’. Venha, vamos.”
Quando iniciamos nossa viagem, tive consciência de que seguíamos para o sul e para o leste. Passamos sobre Salt Lake City, Nova Orleans, o Golfo do México, as Ilhas Bahamas e, então, chegamos a uma faixa prateada que eu sabia ser um rio. Seguimo-la até sua foz. Enquanto avançávamos, a Voz Divina dentro de mim disse:
“É o Amazonas.”
“Agora, esteja consciente”, instruiu Saint Germain, “de que o Deus em você está sempre dirigindo e é Mestre de toda situação.”
Precisamente naquele momento começamos a descer e, num instante, tocamos a superfície da água. Sob nossos pés, ela pareceu tão firme quanto terra sólida, e senti surpresa com o contato. Ele explicou ainda que podíamos passar por baixo da água tão facilmente quanto permanecer na superfície, porque as vestes que usávamos irradiavam uma aura protetora a uma distância considerável ao redor de nossos corpos e mantinham as condições necessárias para nos permitir explorar as camadas subterrâneas da Terra e tudo o que se encontrava sob a água.
“Isso”, continuou ele, “deve-se ao que o mundo científico chamaria de ‘campo de força elétrico’ ao redor de nossos corpos; porém, a força eletrônica com a qual estas vestes estão carregadas é uma eletricidade mais elevada e sutil do que a conhecida em seu mundo físico. Um dia, até mesmo seus cientistas tropeçarão nela e perceberão que ela sempre existiu na atmosfera, embora não soubessem como dirigi-la e controlá-la a serviço da humanidade.
“Ela é muito mais facilmente dirigida pela mente do que por aparelhos físicos de qualquer espécie, embora possa ser atraída e controlada por meios mecânicos. Aquilo que o mundo exterior conhece como eletricidade é apenas uma forma rudimentar da Grande Energia Espiritual da Vida. Ela existe em toda a Criação. À medida que o homem elevar e mantiver sua consciência em contato com seu Eu Divino Interior, tornar-se-á consciente das gigantescas possibilidades de utilização desse poder e dessa força superiores. O serviço que podem prestar-lhe é Infinito no trabalho criador que ele pode realizar em todas as fases de atividade.”
Entramos então na água, atravessando-a sem qualquer resistência. Fiquei ligeiramente surpreso com a novidade da experiência, mas recordei instantaneamente a instrução de estar consciente apenas do Deus Interior em mim como Mestre de toda condição. Pouco depois, aproximamo-nos da margem e passamos sobre muitos crocodilos, que nos viram, mas não se perturbaram com nossa presença. Prosseguindo para o interior, chegamos ao que parecia ser o topo de um monumento.
“Este é o topo de um obelisco de sessenta pés”, explicou Saint Germain. “Apenas cerca de dez pés permanecem acima do solo. Ele assinalava o ponto mais elevado de uma importante cidade que foi soterrada durante o último cataclismo, quando a Atlântida submergiu. O obelisco é feito de metal imperecível e coberto de hieróglifos daquela época. Observe como estão nítidos e assim permanecerão devido à indestrutibilidade do metal. A cidade foi originalmente construída a dez milhas da margem do rio, mas, quando foi submersa, a foz do rio alargou-se por muitas milhas.”
Elevamo-nos acima da Terra e seguimos adiante, acompanhando o Amazonas até um ponto a cinquenta e seis graus de longitude oeste. Ali fizemos observações e depois prosseguimos até um ponto a setenta graus oeste. Saint Germain explicou que aquela era a região destinada a observações e pesquisas adicionais. A área que indicou abrangia o Amazonas entre esses dois pontos e também dois de seus principais afluentes, os rios Juruá e Madeira.
“Esta civilização”, disse Saint Germain, “foi construída no período entre doze e quatorze mil anos atrás. A parte da região que nos interessa estende-se desde o ponto onde o rio Madeira desemboca no Amazonas até um ponto a oeste onde o Amazonas toca a Colômbia e o Peru.
“Há treze mil anos, o Amazonas era contido entre grandes diques de pedra. Toda a região ao redor situava-se a uma altitude de pelo menos cinco mil pés e, em vez do clima tropical que possui hoje, predominava durante todo o ano uma temperatura semitropical.
“Por uma grande distância nessa região, o terreno formava uma planície elevada ou platô. Perto da foz do Amazonas havia amplas e belas quedas-d’água. A cidade onde se erguia o obelisco foi construída entre as quedas e a costa marítima, cerca de dez milhas ao sul do rio. Grandes répteis e animais ferozes eram encontrados no rio Orinoco, ao norte.”
Chegamos a um lugar próximo ao rio Madeira, e Saint Germain continuou:
“Este é o local de uma antiga cidade, a capital do império e o lugar mais importante da civilização daquele período.” Então ele ergueu a mão, e a cidade tornou-se tão claramente visível quanto qualquer cidade física de hoje.
“Observe”, explicou ele, “como foi construída em uma série de círculos, e como as ruas comerciais partem de seu centro como os raios do cubo de uma roda. Os círculos externos eram avenidas de passeio construídas a intervalos de três milhas. Havia sete delas, fazendo com que a cidade tivesse quarenta e seis milhas de diâmetro, incluindo o círculo central. Assim, as atividades comerciais não interferiam na beleza e na comodidade das avenidas.
“O círculo mais interno tinha quatro milhas de diâmetro, e dentro dele estavam os edifícios executivos de todo o império. Todas as ruas eram belamente pavimentadas e construídas de dezoito polegadas a dois pés abaixo dos edifícios e terrenos ao redor. Eram inundadas todas as manhãs e lavadas completamente antes de se iniciarem as atividades do dia.
“Observe a magnificência incomum das avenidas de passeio e a extraordinária beleza das plantas e flores que formavam os canteiros em ambos os lados. Uma característica muito marcante de sua arquitetura era que os andares superiores de quase todos os edifícios, especialmente das residências, eram construídos com cúpulas ajustáveis. Elas podiam ser abertas ou fechadas à vontade, pois eram construídas em quatro seções e organizadas de modo a servir tanto para dormir quanto para receber convidados. Os dias nunca eram desconfortavelmente quentes, e ao entardecer o maravilhoso ar fresco das montanhas chegava com a mesma regularidade com que surgia o dia.”
Entramos no capitólio, uma construção enorme e de grande beleza. O interior era revestido de mármore cor de creme com veios verdes, e o piso, feito de uma pedra verde-musgo escura cuja textura lembrava jade, fora assentado com tanta perfeição que parecia quase uma única peça. Na rotunda havia grandes mesas do mesmo tipo de pedra verde do piso, porém de tom mais claro. Elas tinham pesados pedestais de bronze colocados a cerca de três pés de cada extremidade. Ali, Saint Germain estendeu novamente a mão e nos encontramos entre pessoas vivas, movimentando-se pelos edifícios e jardins.
Prendi a respiração, espantado, pois vi uma raça inteira de pessoas de cabelos dourados e belos semblantes rosados e brancos. Os homens mediam de seis pés e duas polegadas a seis pés e quatro polegadas, e as mulheres tinham em média cerca de cinco pés e dez polegadas. Seus olhos eram de um belíssimo azul-violeta, muito claros e brilhantes, expressando grande e serena Inteligência. Passamos por uma porta à nossa direita e entramos na sala do trono do imperador. Era evidentemente seu dia de audiência, pois recebia visitantes estrangeiros e locais.
“Este era o imperador Casimir Poseidon”, explicou Saint Germain. “Ele era verdadeiramente Deus Encarnado. Observe a nobreza bondosa de seu rosto e, ao mesmo tempo, o tremendo poder que havia nele. Era e é um Mestre Ascensionado — bendito e muito amado. Durante muitos séculos, sua memória foi mantida viva em mitos e lendas, e a perfeição de seu reino foi descrita em poemas épicos; mas, à medida que o tempo passa para a eternidade, a lembrança de tão grandes realizações se desvanece e muitas vezes é esquecida pelas gerações seguintes.”
Casimir Poseidon era, em todos os aspectos, um governante magnífico. Media plenamente seis pés e quatro polegadas, era bem constituído e ereto como uma flecha. Quando se levantava, sobressaía acima dos que o rodeavam, e a própria atmosfera parecia carregada de Mestria. Seus cabelos dourados eram espessos e caíam até os ombros. A veste real era feita de um material semelhante a veludo de seda violeta, adornado de ouro, e por baixo ele usava uma roupa justa de suave tecido dourado. Sua coroa era uma simples faixa de ouro com um enorme diamante no centro da testa.
“Esse povo”, disse Saint Germain, “mantinha contato direto com todas as partes do mundo por meio de uma maravilhosa navegação aérea que fora desenvolvida para seu uso. Toda a luz, o calor e a força eram obtidos diretamente da atmosfera. Durante esse período, a Atlântida encontrava-se em maravilhoso estado de progresso porque havia sido governada e conduzida no caminho da Perfeição por vários Mestres Ascensionados que, de tempos em tempos, apareciam e governavam para a elevação espiritual do povo.
“Repetidas vezes ao longo das eras, sempre que uma grande civilização surgiu, foi inicialmente fundada sobre Princípios Espirituais e manteve obediência a essas Leis da Vida durante o período de sua ascensão. Entretanto, no instante em que qualquer governo ou o próprio povo começa a cair em hábitos relaxados, de modo que a injustiça e o uso impuro da Vida se tornam hábitos, seja entre os governantes, seja entre o povo, inicia-se a desintegração, que continua até que retornem às Leis Fundamentais do Equilíbrio e da Pureza ou sejam destruídos por sua própria discórdia, para que o Equilíbrio possa ser restabelecido e um novo começo seja dado.
“Casimir Poseidon era descendente direto dos Poderosos Governantes Mestres Ascensionados da Atlântida. Na verdade, a civilização sobre a qual governava era filha da cultura e das realizações atlantes. Sua capital era famosa no mundo inteiro por sua magnificência e beleza.
“À medida que as regiões rurais forem mostradas, observe o método pelo qual os objetos eram transportados, pois a força utilizada por esse povo era gerada numa caixa semelhante a um instrumento, de dois pés de lado e três pés de comprimento, ligada ao mecanismo do equipamento em uso. O abastecimento de água dos cursos d’água era colocado sob controle, e sua força também era utilizada. Não havia necessidade de polícia nem de organização militar de qualquer espécie, devido ao método pelo qual o povo era lembrado da ‘Lei’ e ao maravilhoso poder sustentador que era irradiado, permitindo-lhes obedecer a Ela.”
A leste, no parque, erguia-se um edifício magnífico. Aproximamo-nos. Sobre a entrada estavam inscritas as palavras: “Templo Vivo de Deus para o Homem.” Entramos e o encontramos muito maior por dentro do que parecia do exterior. Devia haver lugares para pelo menos dez mil pessoas.
No centro desse imenso templo erguia-se um pedestal de cerca de dois pés de lado e vinte pés de altura, feito de uma Substância branco-leitosa Auto-Luminosa que emitia uma Luz Branca com um toque de rosa. Sobre ele havia um globo de cristal de dois pés de diâmetro, feito de algum tipo de Substância que continha em seu interior uma suave Luz Branca Auto-Luminosa. Era muito delicada e, ao mesmo tempo, tão intensamente luminosa que todo o edifício ficava brilhantemente iluminado.
“Aquela esfera”, observou Saint Germain, “era feita de um Material Precipitado que encerrava um Intenso Foco de ‘Luz’. Foi atraída e colocada no templo naquela época por um dos Grandes Mestres Cósmicos, como uma atividade sustentadora e vivificadora para o povo. Ela emitia continuamente não apenas a ‘Luz’, mas também uma Energia e um Poder que estabilizavam suas atividades e o império.
“A esfera de ‘Luz’ foi focalizada pelo Grande Ser, e o edifício foi construído ao redor dela posteriormente. Era realmente um Foco Precipitado e uma Atividade Concentrada da Suprema ‘Presença’ de Deus. O Grande Mestre Cósmico que a estabeleceu aparecia uma vez por mês ao lado da ‘Luz’ e proclamava a ‘Lei de Deus’, a ‘Lei do Governo’ e a ‘Lei do Homem’. Assim, decretava o Modo Divino de Vida e era o Foco da Atividade Crística para o povo daquela Era.”
Aqui, Saint Germain estendeu novamente a mão, e imagens vivas e falantes desse Grande Ser passaram diante de nós. É absolutamente impossível descrever em palavras a Glória daquela “Presença”. Só posso dizer que ele era verdadeiramente o Filho de Deus em Expressão Perfeita. Num instante ouvi o Grande Mestre Cósmico proclamando a “Lei” ao povo.
O Registro, a Majestade de sua “Presença” e seu “Decreto” ficaram gravados em minha memória para a eternidade, de tão claramente que permanecem em minha consciência. Dou-lhes Seu Decreto exatamente como ele ainda se apresenta diante de mim.
“Amados Filhos do Único Deus Poderoso! não sabeis que a Vida que estais usando provém da ‘Única Presença Suprema’ — Eternamente Pura, Santa e Perfeita? Se fizerdes algo que prejudique a Beleza e a Perfeição dessa Única Vida, afastar-vos-eis dos Dons de vosso Deus. Vossa Vida é a Joia Sagrada do Amor de vosso Deus — a ‘Fonte’ dos Segredos do Universo.
“Vosso Deus vos confia a ‘Luz’ de Seu Próprio Coração. Guardai-A! Adorai-A! Deixai-A expandir-se sempre em Luz maior e Glória maior! Vossa Vida é a ‘Pérola de Grande Valor’. Sois os guardiões da riqueza de Deus. Vede que a useis somente para Ele e sabei que recebestes a ‘Luz da Vida’, de cujo uso prestareis contas.
“A Vida é um Círculo contínuo, o Princípio sobre o qual vossa cidade foi construída. Se criardes aquilo que é semelhante à vossa ‘Fonte’ e conhecerdes Seu Amor e Sua Paz dentro de vós, se usardes vossos Poderes de Criação somente para abençoar, então, ao percorrerdes vosso círculo de existência, conhecereis a Alegria da Vida, e a Ela será acrescentada Alegria Maior. Se não criardes como vossa ‘Fonte’, vosso mal retornará a vós acompanhado de mais de sua própria espécie.
“Somente vós escolheis vosso destino e somente vós respondeis perante vosso Deus pelo uso da ‘Vida’ — vosso Ser. Ninguém pode escapar à Grande Lei. Há muito proclamo esta ‘Lei da Vida’. A Lei de ‘Vós Mesmos’ sois para vós mesmos, porque sempre podeis voltar-vos para vosso Deus se desejardes a Perfeição da Vida.
“Nem sempre venho, como agora, para manter vossos pés errantes no Caminho da Verdade nem para vos recordar vossa Luz Eterna, colocada no alto de uma montanha para vos guiar. Num dia muito distante, falarei dentro do Coração do homem e, se amardes a Vida, chamareis por Mim, que habito em muitos eus. Não vos deixeis confundir por isso, meus filhos. Se quiserdes conhecer-Me — ‘a Luz’ — tereis de procurar-Me, encontrar-Me e, tendo-Me encontrado, permanecer dentro de Mim sempre.
“Naquele dia, o ‘Pai-Mãe-Filho’ será ‘Um’ no coração do homem. O Filho é eternamente a Porta — o Caminho para Deus. Em vossa mente e em vosso coração está ‘Minha Luz’, sempre vos recordando ‘Minha Presença’, pois no tempo vindouro estarei presente apenas em ‘Essa Luz’.
“Então serei Sabedoria em vossa mente para governar o Amor em vosso coração, para que sejais preenchidos com a Paz da Única Vida — Deus. Vosso corpo é apenas o instrumento de vossa Alma, e para vossa Alma deve fluir ‘Minha Luz’, ou perecereis.
“Minha Luz em vossa mente é ‘o Caminho’ para o Coração de Toda Luz. Somente por Minha Luz em vós podeis expandir a Luz em cada célula de vosso Ser para um Ser cada vez maior. Em vossa garganta está Minha Luz, que é vosso poder de pronunciar Minhas Palavras. Por meio delas Eu sempre ilumino, protejo e aperfeiçoo meus filhos. Palavras que não cumprem essa tríplice missão não são Minhas Palavras e, quando pronunciadas, só podem trazer sofrimento.
“Meditai sobre Minha Luz em vossa mente e em vosso coração, e vereis dentro de todas as coisas, sabereis todas as coisas e fareis todas as coisas. Então, aquilo que não é de Mim jamais poderá confundir-vos.
“Pronuncio estas palavras agora porque serão gravadas nas tábuas da Terra e na memória de seus filhos. No dia distante de que falo, um dos filhos de Deus receberá estas minhas palavras e as transmitirá para abençoar o mundo.
“Naquele tempo, quando tiverdes plenamente recebido ‘Minha Presença’ e estiverdes permitindo que Ela atue sempre em vossa Vida e em vosso mundo, vereis as células do corpo que então ocupardes tornarem-se brilhantes com ‘Minha Luz’, e compreendereis que podeis prosseguir até aquele ‘Corpo Eterno de Luz’ — a Túnica sem Costura do Cristo. Então, e somente então, estareis livres da roda do renascimento. Tendo percorrido vossa longa jornada pela experiência humana e cumprido a Lei de Causa e Efeito, transcendereis todas as condições governadas pela Lei e vós mesmos vos tereis tornado ‘a Lei’ — Todo Amor, ‘o Uno’.”
“Esse é o Corpo Eterno e Ascensionado do Cristo”, disse Saint Germain, voltando-se para mim, “no qual se é capaz de empunhar o Cetro do Domínio e ser Livre. Meu filho, mesmo agora você pode ascender à ‘Luz do Uno’, pois a Luz está em sua mente, a Luz está em seu coração e, se permanecer firmemente Nela, poderá e elevará seu corpo físico de limitação ao seu ‘Puro Corpo Eterno de Luz’, para sempre jovem e livre, transcendendo tempo, lugar e espaço.
“Seu Glorioso Eu está sempre esperando por você. Entre em Sua Luz e receba Paz Eterna e repouso — em ação. Ele não precisa de preparação. Ele possui Todo o Poder. Entre plenamente no abraço de seu ‘Eu de Luz’ e, nesse mesmo instante, até hoje, seu corpo atual pode tornar-se Ascensionado.”
Quando ele terminou de falar, as imagens cessaram. Avançamos um pouco mais e paramos num lugar onde havia uma grande pedra plana sobre o solo. Quando Saint Germain concentrou seu poder sobre ela, a pedra ergueu-se da Terra e moveu-se para o lado, revelando uma abertura com degraus que desciam. Descemos cerca de quarenta pés e chegamos a uma porta selada. Ele passou rapidamente a mão sobre a porta, retirando o selo e revelando certos hieróglifos. “Concentre sua atenção nesta escrita”, instruiu.
Fiz isso e vi as palavras: “Templo Vivo de Deus para o Homem” destacarem-se claramente na porta diante de mim. Ali estava a porta física que havíamos visto pouco antes nas imagens vivas.
A porta se abriu e entramos numa sala situada sob uma das pequenas cúpulas construídas em cada canto. Ali havia grande número de caixas de metal, com cerca de dois pés de comprimento, quatorze polegadas de largura e seis polegadas de profundidade. Saint Germain abriu uma delas, e vi que continha folhas de ouro nas quais os registros daquela civilização haviam sido escritos com um estilete.
Percebi que devia haver salas seladas e preservadas sob cada uma das quatro pequenas cúpulas e que a grande cúpula central fora construída sobre a “Esfera de Luz”. Encontramos uma passagem secreta ligando as quatro pequenas salas, seguimos até a segunda e vimos recipientes cheios de joias pertencentes ao templo.
A terceira sala continha ornamentos de ouro e joias, a cadeira do trono e outras cadeiras de ouro. A cadeira do trono era um exemplo impressionante do magnífico trabalho dos ourives. O encosto formava uma concha que criava um dossel sobre a cabeça do governante e, de seus lados, pendiam cortinas de ouro feitas de minúsculos elos dourados, cada um formando um oito. Elas eram presas para trás contra a cadeira, produzindo um efeito delicado e extremamente gracioso.
No centro da sala havia uma mesa de cerca de quatorze pés de comprimento por quatro pés de largura, feita de jade verdadeiro e apoiada sobre um pedestal de bronze dourado. Perto dela estavam quatorze cadeiras de jade, cujos pés tinham pontas de ouro, os assentos eram curvos e os encostos belamente esculpidos. No topo do encosto de cada cadeira, como se estivesse de guarda, repousava uma bela fênix de ouro, com os olhos cravejados de diamantes amarelos. Esse desenho simbolizava a imortalidade da Alma e o Ser Divino Aperfeiçoado que cada indivíduo se torna ao elevar-se, através do fogo do sofrimento, das cinzas de sua criação humana.
A quarta sala continha sete tipos diferentes de caixas de força, como eu as chamava, que recebiam e transmitiam a força atraída do Universal para iluminação, aquecimento e força motriz. Os registros mostravam que esse povo mantinha contato com todas as partes do mundo por meio de maravilhosas aeronaves. Depois dessa civilização veio uma conhecida como Pirua e, depois, a inca, ambas estendendo-se por períodos de milhares de anos.
Pouco antes de a cidade que acabávamos de ver ser soterrada, ela alcançou o auge de sua glória, e o Grande Mestre Cósmico que havia atraído a Luz pela qual ela fora desenvolvida e sustentada apareceu pela última vez naquele império. Veio advertir sobre o desastre iminente e teria salvado seus habitantes se eles o tivessem atendido.
Ele predisse o cataclismo que, antes de transcorridos cinco anos, varreria o império para o esquecimento, e anunciou que aquela seria sua última aparição entre eles. Aqueles que desejassem salvar-se foram instruídos a deixar aquela parte do país e receberam orientação sobre para onde ir, com a advertência de que a atividade final seria súbita e completa.
Quando terminou a profecia, seu corpo desvaneceu rapidamente da vista e, para consternação do povo, o pedestal e o globo de cristal que continha a Luz Eterna desapareceram com ele. Por algum tempo a população ficou perturbada com a previsão dos acontecimentos que afetariam seu império, mas, depois que um ano passou sem que nada ocorresse, a lembrança de Sua Presença se enfraqueceu e a dúvida começou a insinuar-se quanto ao cumprimento de seu decreto.
O imperador e aqueles mais avançados no crescimento espiritual deixaram o reino e foram para determinado lugar na parte ocidental dos Estados Unidos, onde permaneceram em segurança até que a mudança tivesse ocorrido.
A grande massa do povo que permaneceu tornou-se cada vez mais cética e, depois de dois anos, um homem dentre eles, mais agressivo que os demais, tentou estabelecer-se como imperador. Quando o verdadeiro imperador deixara o reino, selara tanto o palácio quanto o templo no qual a “Luz” fora mantida. O pretendente ao trono tentou forçar a entrada no templo selado e caiu sem vida à sua porta.
Perto do fim do quinto ano, ao meio-dia do dia fatídico, o Sol escureceu e um terror terrível encheu a própria atmosfera. Ao pôr do sol, violentos terremotos sacudiram a Terra e demoliram os edifícios numa desordem inconcebível.
A terra que hoje é a América do Sul perdeu o equilíbrio e inclinou-se para o leste, submergindo toda a costa oriental cento e sessenta pés. Permaneceu assim durante vários anos e, depois, gradualmente voltou à posição, ficando a cerca de sessenta pés de sua posição original, onde permanece até hoje.
Essa atividade provocou o alargamento do Amazonas. Antes disso, o rio tinha dezoito milhas de largura, era mais profundo do que hoje e navegável de uma extremidade à outra. Corria desde o que hoje é o lago Titicaca, no Peru, até o oceano Atlântico. Em época anterior, havia sido construído um canal do Pacífico até o lago Titicaca e, ligado ao Amazonas, formava uma via aquática completa entre os dois oceanos.
Naquela época, o continente chamava-se Meru, nome que lhe fora dado em homenagem a um Grande Mestre Cósmico cujo principal foco de atividade se encontrava, e ainda se encontra, no lago Titicaca. O significado do nome Amazonas é “destruidor de barcos”, e esse nome chegou até nós através dos séculos desde o período cataclísmico mencionado acima.
A inclinação de todo o continente sul-americano explica muitas condições de sua costa ocidental que geólogos e cientistas não conseguiram explicar com os dados científicos descobertos até o presente.
É assim que os grandes cataclismos da Natureza fazem descer o véu cósmico sobre civilizações de esplêndidas realizações, e apenas fragmentos delas vêm à luz à medida que o tempo passa para a eternidade. O mundo exterior pode duvidar dessa Verdade, mas os registros daquela civilização — agora guardados no Royal Teton — um dia servirão de prova, revelarão sua existência e as realizações daquela era passada.
Enquanto me eram mostradas essas tremendas atividades, perguntei-me por que uma civilização tão maravilhosa, bela e perfeita em todos os aspectos podia surgir e depois desaparecer através das terríveis atividades destrutivas de um cataclismo. Saint Germain percebeu a pergunta em minha mente e ofereceu a seguinte explicação:
“Veja”, disse ele, “quando um grupo da humanidade tem a fortuna de ficar sob a instrução e a Radiação de um Grande Mestre de Luz, como esse Grande Ser Cósmico, recebe a oportunidade de ver qual é o Plano da Vida para a humanidade e a Perfeição que ela deve trazer à manifestação e na qual deve viver por seu próprio esforço consciente. Infelizmente, porém, e isso ocorreu tantas vezes ao longo dos séculos, o povo não procura compreender a Vida, mas deixa-se cair num estado de letargia. Não faz o esforço necessário para realizar essas coisas pelo poder de Deus dentro do indivíduo. Começa a apoiar-se Naquele que fornece a Radiação. O poder sustentador só é retirado quando o indivíduo deixa de fazer esforço consciente para compreender a Vida e de trabalhar voluntariamente em cooperação harmoniosa com Ela.
“Raramente percebem que a maior parte de suas bênçãos resulta do poder sustentador Daquele que fornece a Radiação. Se determinado grupo de almas foi ensinado no Caminho da Mestria e, vida após vida, lembrado de seu Direito Divino de Nascimento, chega a hora em que nenhuma assistência adicional é permitida. É então que a Radiação dos Mestres Ascensionados é retirada, e essas almas são obrigadas a encarar o fato de que o poder sustentador e realizador não se devia ao esforço delas próprias.
“Elas precisam compreender que só podem receber aquilo pelo qual fazem esforço. Em tal atividade, as experiências pelas quais passam as obrigam a fazer a aplicação autoconsciente necessária e, quando isso se realiza, a expansão e o Domínio Divino começam a se expressar.
“Não existe fracasso para quem continua fazendo esforço autoconsciente para expressar o Domínio do Divino sobre o humano, porque o fracasso só ocorre quando cessa o esforço autoconsciente. Toda experiência pela qual o indivíduo passa existe com um único propósito: torná-lo consciente de sua ‘Fonte’. Ele deve aprender quem é, reconhecer-se como Criador e, como tal, Mestre daquilo que cria.
“Em todo o Universo, sempre que o poder de criar é dado a um Ser, a responsabilidade de criar coexiste com esse poder. Toda criação ocorre por esforço Autoconsciente e, se o indivíduo a quem foi concedido esse Grande Dom da Vida se recusa a assumir sua responsabilidade e cumprir seu dever, suas experiências na Vida o impelirão por meio do sofrimento até que o faça; pois a humanidade jamais foi criada numa condição de limitação e não pode encontrar repouso até que a Perfeição com que foi dotada no início se expresse Plenamente. Perfeição, Domínio, uso Harmonioso e Controle de Toda Substância e Força constituem o ‘Caminho da Vida’ — o Plano Divino Original para a humanidade.
“O Deus dentro do indivíduo é essa Perfeição e esse Domínio. É essa ‘Presença’ no coração de cada um que constitui a Fonte da Vida — a Doadora de toda coisa boa e perfeita. Quando o indivíduo se volta para sua Fonte e a reconhece como o Derramamento de Todo Bem, naquele mesmo instante inicia automaticamente o fluxo de Todas as coisas boas para si e para seu mundo, porque sua atenção à sua ‘Fonte’ é a Chave de Ouro que lhe abre todas as coisas boas.
“A Vida em cada pessoa é Deus, e somente pelo esforço Autoconsciente de compreender a Vida e expressar através de si a plenitude do bem é que pode cessar a discórdia na experiência exterior. A Vida, o Indivíduo e a Lei são ‘Um’, e assim é por toda a Eternidade.
“Venha”, continuou ele, “iremos a uma cidade soterrada perto do rio Juruá.”
Viajamos para o oeste e logo chegamos a uma pequena elevação. Saint Germain estendeu a mão e novamente vivificou os Registros Etéricos daquele povo. O lugar que observamos era a segunda cidade em importância no império. A cidade de onde acabávamos de vir era o foco do poder e da atividade espirituais, enquanto esta segunda, que agora veríamos, era a sede das operações comerciais e governamentais relativas ao bem-estar físico da população. Ali se localizavam o tesouro nacional, a casa da moeda e as atividades governamentais de experimentação e invenção.
Não muito longe daquela cidade erguiam-se os Poderosos Andes, fonte da imensa riqueza mineral do império. Notei algo entre aquelas pessoas que me pareceu extraordinário: todas estavam inteiramente em paz e profundamente satisfeitas. Expressavam um ritmo calmo e requintado enquanto se movimentavam. As imagens chegaram ao fim e seguimos para o único ponto rochoso visível.
Saint Germain tocou uma das rochas. Ela se moveu para o lado, e vimos uma escada de vinte degraus de metal descendo. Nós a descemos e chegamos a uma porta de metal. Passamos por ela, descemos mais vinte degraus e nos vimos diante de uma enorme porta de bronze selada. Ele estendeu a mão para a direita e abriu um compartimento quadrado selado, no qual havia teclas metálicas semelhantes às de um órgão. Pressionou duas delas, a grande massa se abriu lentamente e entramos numa sala imensa, com tudo exatamente como havia estado naquele tempo remoto. O recinto servira como salão de exposição de invenções ao qual o público tinha acesso. Todas as instalações eram feitas de metal combinado com algo semelhante a vidro opalescente.
“Isto”, disse Saint Germain, “foi feito por um processo de fusão que combinava certos metais com o vidro de tal maneira que tornava o material tão resistente quanto o aço e Imperecível. Um homem da era atual chegou muito perto de descobrir o mesmo processo, pois possuía todos os elementos menos um, e esse elemento o teria tornado imperecível.”
Toda a sala era revestida do mesmo metal peculiar, e dela partiam três enormes portas. Saint Germain foi até uma caixa de teclas, pressionou três delas, e todas as portas se abriram ao mesmo tempo. Entramos pela primeira e encontramos uma passagem longa e estreita, mais parecida com um cofre do que com uma sala. Estava ladeada de recipientes cheios de discos de ouro do tamanho aproximado de um dólar de prata, cunhados com a efígie do imperador e uma inscrição que dizia: “Bênção de Deus ao Homem.”
Entrando pela segunda porta, encontramos recipientes semelhantes cheios de pedras preciosas brutas de todos os tipos. Na terceira sala, os recipientes eram planos e continham finas folhas de ouro nas quais estavam escritas as fórmulas e os processos secretos utilizados naquele período.
“Entre estes”, disse Saint Germain, “há muitas fórmulas e processos que não foram utilizados naquele tempo antigo. Eles serão entregues ao uso da era atual.”
Ele voltou à caixa de teclas e pressionou outra. Abriu-se uma quarta porta que eu não havia notado antes. Ela conduzia a um túnel ou passagem arqueada que ligava o tesouro à casa da moeda. Devia ter pelo menos um quarto de milha de comprimento e, em sua extremidade, entramos numa sala enorme.
Era a parte principal da casa da moeda e estava repleta de um intrincado conjunto de máquinas de construção extraordinária. Entre muitas coisas, vi máquinas usadas para cunhar o ouro e cortar e polir as joias. Seu funcionamento era tão perfeito que simplesmente fascinava. Ali, Saint Germain mostrou-me uma amostra de vidro maleável, transparente como cristal.
Naquela sala havia grandes quantidades de pepitas de ouro nativo, pó de ouro e lingotes de ouro que pesavam oito e dez libras cada. Fiquei sem palavras diante de tão espantosa quantidade de riqueza reunida num só lugar, e Saint Germain, percebendo o que eu sentia, observou:
“É absolutamente impossível que quantidades de riqueza como as que você vê diante de si sejam liberadas para a massa da humanidade, porque o egoísmo que existe atualmente no mundo comercial torna o auge da insensatez permitir que a humanidade desperdice ainda mais os Dons da Natureza.
“Deus e a Natureza concedem generosamente suas riquezas à Terra para uso e bênção das Almas que aqui encarnam, mas o egoísmo e a sede de poder nos sentimentos da humanidade fazem com que os homens se esqueçam do Caminho Superior da Vida e provocam a desumanidade do homem para com o homem.
“Os poucos que chegam a controlar as massas deveriam possuir Inteligência suficiente para saber que aquilo que beneficia as massas beneficia ainda mais o indivíduo; mas, se se recusam a reconhecer esta ‘Lei’, segue-se a autodestruição, provocada pelo próprio egoísmo. O egoísmo e o sentimento de poder para controlar os outros cegam a razão e entorpecem a percepção da mente exterior para os próprios perigos, e tais indivíduos precipitam-se para a ruína em todos os casos — ruína espiritual, mental, moral e física — muitas vezes prolongando-se até a terceira e a quarta encarnações seguintes. Somente a Luz pode elevar o indivíduo acima do egoísmo.
“Somente quando a humanidade se elevar para fora do lodo de seu próprio egoísmo e de sua cobiça em todas as formas, os seres humanos poderão receber em confiança tudo o que Deus e a Natureza mantêm preparado para o Uso Correto; mas qualquer indivíduo, à medida que se purifica de seu próprio egoísmo e cobiça, pode fazer pleno uso de todas essas riquezas, quando as utilizar harmoniosamente e para a bênção dos outros. Os indivíduos podem preparar-se para ser guardiões desses Dons, pois, na era que já foi inaugurada, somente aqueles que se tornarem dignos de ser Guardiões e Distribuidores Confiáveis desse tesouro terão uso ilimitado da riqueza. Deus e a Natureza fornecem esses Dons para que o homem os use corretamente, e o uso Correto é a única condição sob a qual podem ser recebidos.” Saint Germain cruzou as mãos sobre o peito e continuou:
“Poderoso Deus! Entra tão firmemente no coração de Teus filhos que eles desejem Somente a Ti; então nenhum deles carecerá de nenhum de Teus Grandes Dons.”
Ele selou tudo como o havíamos encontrado e retornamos ao meu corpo, no qual entrei rapidamente.
Ele me deu novamente o cálice de cristal cheio de Substância Viva e disse:
“Meu filho amado, você será um auxiliar de grande valor, e que Deus sempre o abençoe.” Com essa bênção, inclinou-se e desapareceu.
CAPÍTULO VII
O Vale Secreto
Certa manhã, algum tempo depois, recebi pelo correio uma carta estranha, pedindo-me que comparecesse a determinado endereço em Tucson, Arizona. Dava a entender que a informação a ser fornecida era de tal natureza que só poderia ser explicada pessoalmente. Considerei a maneira extraordinária pela qual o pedido chegara até mim e, ainda assim, senti um Desejo Interior de atender ao chamado.
Poucos dias depois, fui ao endereço indicado, toquei a campainha e, em poucos instantes, a porta foi aberta por um cavalheiro alto e esguio, de cerca de quarenta anos, cabelos grisalhos cor de ferro e olhos cinzentos, que media talvez seis pés e uma polegada.
Apresentei-me, e ele me cumprimentou com um aperto de mão cordial e sincero, que revelava de modo inequívoco uma natureza absolutamente verdadeira e digna de confiança. Seus olhos eram firmes e destemidos, e ele dava a impressão de possuir uma grande reserva de energia.
Senti nele uma harmonia Interior incomum e soube que aquilo só poderia significar o início de uma amizade profunda e maravilhosa. Ele também parecia consciente de algo Interior que fazia cada um de nós sentir-se atraído pelo outro. Convidou-me a entrar e sentar-me.
“Você está aqui”, começou ele, “a meu pedido, e sou profundamente grato, por mais estranho que isso deva ter parecido. Seu endereço me foi dado por alguém de quem falarei mais tarde. Para explicar, preciso dizer que fiz algumas descobertas extraordinárias que devo pedir que aceite pela fé até que eu possa levá-lo comigo e provar-lhe sua verdade e realidade.
“Fui aconselhado a entrar diretamente em contato com você, pessoalmente, como a única pessoa a quem isso deveria ser revelado e com quem tenho relação neste assunto. Para começar, terei de voltar a acontecimentos de vinte anos atrás.
“Naquela época, eu tinha uma bela esposa. Hoje sei que ela possuía um grande desenvolvimento Interior, do qual, entretanto, eu não tinha consciência. Tivemos um filho, a quem ambos adorávamos. Durante cinco anos, nossa felicidade foi completa. De repente, sem aviso ou motivo aparente, a criança desapareceu.
“Durante muitas semanas, procuramos e procuramos, fazendo tudo o que era humanamente possível para encontrá-lo, mas sem resultado. Por fim, perdemos toda a esperança. Sua mãe jamais se recuperou do choque e, cinco meses depois, partiu.
“Nos últimos dias de sua vida, ela fez um pedido estranho: que seu corpo permanecesse no jazigo por sete dias após sua partida e depois fosse cremado. Aquilo me pareceu bastante peculiar, pois nunca havíamos discutido nada relacionado a esse assunto. Contudo, atendi a seus desejos. Imagine minha surpresa quando, cinco dias depois do funeral, recebi um telefonema do homem responsável pelo cemitério dizendo que, naquela manhã, encontrara o jazigo aberto e o corpo havia desaparecido. Nunca foi encontrada qualquer pista sobre toda aquela estranha ocorrência.
“Dezesseis anos depois, acordei certa manhã e encontrei no chão de meu quarto uma carta endereçada a mim, mas sem carimbo postal. Apanhei-a, abri-a e li o conteúdo, que me deixou perplexo e incrédulo. Dizia:
“ ‘Sua esposa e seu filho estão vivos, bem e fortes. Em breve você os verá. Até lá, tenha paciência. Alegre-se em saber que não existe morte. No momento determinado, instruções chegarão a você desta mesma maneira, e você deverá segui-las implicitamente. Tudo depende de seu silêncio absoluto. Você verá e receberá plena explicação de tudo o que lhe pareceu tão misterioso. Então compreenderá por que a Verdade é muito mais estranha e maravilhosa do que a ficção, pois até mesmo a ficção mais extraordinária é apenas o registro de uma Verdade que existe em algum lugar do Universo.
“ ‘Assinado,
“ ‘Um Amigo’
“Meu Amigo, você pode imaginar meu espanto. A princípio, não acreditei em uma palavra. Na terceira noite depois disso, eu estava sentado diante da lareira quando ouvi a voz de minha amada esposa, tão clara e distinta como se ela estivesse no quarto ao lado, dizendo:
“ ‘Robert, meu Amado! Estou viva e bem, e nosso filho está comigo. Seremos tão felizes quando você estiver novamente conosco. Não desconfie da mensagem. Tudo é verdade. Você será conduzido até nós, se não permitir que a dúvida feche a porta. Falo com você pelo Raio Sonoro, que um dia aprenderá a usar.’
Eu já não conseguia suportar a tensão e disse:
“Mostre-se a mim, e acreditarei.” Instantaneamente, a voz respondeu:
“ ‘Espere um instante.’ Em cerca de três minutos, um Brilhante Raio de Luz Dourada entrou no aposento, formando um túnel, e na outra extremidade estava minha bela esposa. Era ela — sem qualquer dúvida.
“ ‘Amado’, disse ela, ‘há anos aparentes milagres têm ocorrido no meio de sua Vida, mas, como sua atenção não foi dirigida na direção correta, tivemos de esperar até agora. Confie na mensagem que chegará até você. Então você virá até nós, e lhe asseguro que um novo mundo se abrirá. Para nosso grande amor não existe barreira.’
“Instantaneamente, o Raio de Luz desapareceu e, com Ele, a voz. Minha alegria não conheceu limites. Já não podia duvidar. Senti um relaxamento, uma paz e um repouso que não conhecia havia anos. Depois vieram semanas de espera que hoje sei terem sido um período de preparação em meu interior. Finalmente chegou a mensagem que eu tanto desejava e, com ela, um mapa e instruções a serem seguidas.
“Vi que isso me conduziria às altas montanhas a sudeste de Tucson, Arizona. Preparei-me para partir imediatamente, dizendo a meus amigos que faria um pouco de prospecção. Levei um cavalo e um animal de carga e encontrei muito pouco desconforto e nenhuma dificuldade para seguir as instruções recebidas. Se eu pudesse ter ido em linha reta, teria percorrido facilmente a distância em dois dias.
“Pouco antes do pôr do sol do terceiro dia, cheguei a um cânion fechado e teria passado por ele sem notá-lo se não fosse pelo mapa. Eu mal havia montado acampamento quando escureceu. Enrolei-me nos cobertores e logo adormeci, sonhando de modo muito vívido que despertava pela manhã e via um jovem de pé ali perto, olhando para mim.
“Quando de fato despertei, para meu espanto, o jovem estava ali em carne e osso, olhando-me atentamente. Cumprimentou-me com um belo sorriso, dizendo:
“ ‘Meu amigo, esperam por você. Siga-me.’ Notei que ele deixara minhas coisas prontas e, virando-se sem mais explicações, conduziu-me em direção ao fundo do cânion. Depois de cerca de uma hora, tivemos de parar diante de um penhasco que parecia fechar o caminho.
“Ele se virou, colocou as mãos sobre a rocha e pressionou. Uma seção da parede, talvez de dez por doze pés, recuou cerca de um pé e depois deslizou para o lado. Entramos num túnel que, séculos antes, devia ter sido o leito de um curso d’água subterrâneo. Meu companheiro fechou a entrada atrás de nós e, quando nos voltamos para seguir adiante, uma suave radiância se espalhou por todos os lados, permitindo-nos ver com bastante clareza. Fiquei espantado com tudo o que via, mas me lembrei da advertência que recebera em minha instrução: ‘permanecer em silêncio’.
“Continuamos pelo túnel durante mais de uma hora e finalmente chegamos a uma enorme porta de metal. Ela se abriu lentamente ao toque de meu companheiro. Ele se afastou e esperou que eu passasse. Saí para a luz brilhante do Sol, quase sem fôlego de prazer diante da beleza da cena que se estendia à minha frente. Diante de nós havia um vale de beleza incomparável, com cerca de cem acres de extensão.
“ ‘Meu Amigo’, disse o jovem, ‘você voltou para casa depois de uma longa ausência, e em breve compreenderá tudo isso.’ Então ele me conduziu a um belo edifício, próximo à base de um penhasco abrupto na extremidade superior do vale. À medida que nos aproximávamos, pude ver muitos tipos de frutas e legumes crescendo em abundância, entre eles laranjas, tâmaras, nozes-inglesas e pecãs. Uma bela cascata descia pelo penhasco, formando um límpido lago em sua base. O edifício era maciço e parecia estar ali havia séculos.
“Estávamos quase chegando quando uma bela mulher vestida de branco apareceu à entrada. Aproximamo-nos, e minha amada esposa estava diante de nós, mais bela do que nunca. No instante seguinte, eu a tinha em meus braços e, depois de toda a agonia pela qual passara durante aqueles anos, foi quase mais do que eu podia suportar. Ela se virou, passou o braço ao redor do jovem que me conduzira e disse:
“ ‘Robert, este é nosso filho.’
“ ‘Filho!’ foi tudo o que consegui dizer, tão dominado estava pela emoção.
“Ele se aproximou, colocou os braços ao redor de nós dois, e nós três permanecemos ali por alguns instantes em profundo amor e gratidão, felizes novamente. De repente percebi que já haviam se passado dezesseis anos desde seu desaparecimento e que, portanto, ele devia ter vinte e um anos. Ele respondeu ao meu pensamento, dizendo:
“ ‘Sim, Pai, tenho vinte e um anos. Amanhã é meu aniversário.’
“ ‘Como consegue ler meu pensamento com tanta facilidade?’ perguntei.
“ ‘Oh, para nós isso é uma coisa muito comum e fácil. É inteiramente natural quando se sabe como fazê-lo e, na verdade, muito simples’, respondeu ele.
“ ‘Venha’, continuou, ‘você deve estar com fome. Vamos comer alguma coisa.’ Com os braços deles ao meu redor, entramos no antigo edifício. O interior era revestido de mármore rosa e ônix branco. Levaram-me a um belo quarto onde o Sol da manhã inundava tudo com sua gloriosa radiância. Refresquei-me e encontrei um terno de flanela branca preparado para mim. Experimentei-o, e serviu perfeitamente. Isso me surpreendeu, mas novamente me lembrei da advertência de ‘permanecer em silêncio’. Desci as escadas e fui apresentado a um cavalheiro de aparência marcante, aproximadamente da minha altura, com grandes olhos escuros e penetrantes.
“ ‘Pai’, disse meu filho, ‘este é nosso Amado Mestre, Eriel. Foi ele quem salvou a Vida de Mamãe e a minha e nos treinou durante todos esses anos, até que você pudesse ser preparado para juntar-se a nós aqui. Foi ele quem lhe enviou a mensagem e as instruções para vir, porque havia chegado o momento de começar seu treinamento definitivo.’
“Entramos na sala de jantar, que era magnífica, e não pude deixar de expressar minha admiração. Ela ficava no canto sudeste do edifício, no andar principal, e era inundada de Sol pela manhã e à tarde. As paredes eram de nogueira ricamente entalhada, e o teto com vigas aparentes tinha, entre as vigas, incrustações com motivos hexagonais. Uma peça maciça de nogueira com pelo menos duas polegadas de espessura, apoiada sobre um pedestal ricamente entalhado, servia de mesa e parecia ter milhares de anos. Tomamos nossos lugares ao redor dela e, pouco depois, entrou um jovem esguio. Meu filho o apresentou, dizendo:
“ ‘Este é nosso Irmão, Fun Wey, a quem Nosso Mestre trouxe da China quando ainda era um bebê, numa época em que sua Vida estava prestes a ser tirada. Ele pertence a uma família chinesa muito antiga e é capaz de realizar muitas coisas maravilhosas. Sempre desejou nos servir, e temos o privilégio e a alegria de chamá-lo de Irmão. Ele possui uma das naturezas mais alegres que já conheci.’
“Entre as coisas servidas no café da manhã havia deliciosos morangos com saborosos bolos de tâmaras e nozes. Fomos para a grande sala de estar, e o Mestre Eriel me disse:
“ ‘No momento em que sua amada esposa, que é seu Raio Gêmeo, teria partido, vi uma oportunidade de prestar determinada assistência que lhe permitiria alcançar o Estado Ascensionado e, assim, possuir muito maior liberdade e uma capacidade de serviço mais ampla. Foi meu grande privilégio e alegria prestar essa assistência.
“ ‘Abri o caixão, restaurei-a à atividade consciente e permiti que elevasse o corpo. Ele já havia alcançado um alto grau de sutilização, porque seu desejo pela “Luz” era muito grande. Foi sua intensa adoração e seu profundo anseio pela “Luz” que tornaram possível sua Ascensão. Expliquei isso a ela no dia em que você pensou que ela havia partido.
“ ‘Vocês três foram meus filhos numa encarnação de muito tempo atrás. Um grande amor foi gerado naquela época e perdurou através dos séculos. O profundo amor dela tornou possível a assistência e a elevação realizadas agora.
“ ‘Seu filho, que foi sequestrado com a intenção de ser mantido para resgate, foi trazido a este cânion. Os dois envolvidos no sequestro começaram a discutir, e um deles planejou tirar a Vida da criança.
“ ‘Apareci diante deles e o levei comigo. Ficaram paralisados pelo próprio medo, e nenhum dos dois jamais se recuperou. Ambos partiram algumas semanas depois. Se alguém deliberadamente tira a vida de outro ser humano, ou determina mentalmente tirá-la, põe em movimento uma causa que certamente tirará a sua própria.
“ ‘Um sentimento ou desejo de morte para outra pessoa fará a mesma coisa, pois ele se dirige até essa pessoa e depois inicia a viagem de retorno àquele que o enviou. Muitas vezes, indivíduos permitem que o ressentimento diante de uma injustiça irrompa acompanhado de um sentimento intenso de livrar o mundo de determinada pessoa. Essa é uma forma sutil de pensamento de morte e deve retornar àquele que o enviou.
“ ‘Muitas e muitas pessoas provocam a própria dissolução por meio dessa atividade extremamente sutil do eu humano, pois ninguém jamais escapa a essa “Lei Imutável”. Há muitas fases em Sua reação, e é porque a humanidade se entrega a tais pensamentos e sentimentos que a raça, como um todo, vem experimentando a dissolução de um corpo após outro.
“ ‘O número de seres humanos que deixam o corpo por violência física é infinitesimal em comparação com as mortes provocadas por essas atividades sutis do pensamento, do sentimento e da palavra falada. Há milhares de anos a raça humana vem destruindo a si mesma dessa maneira sutil porque se recusa a aprender a “Lei da Vida” e a obedecer-Lhe.
“ ‘Existe apenas Uma Lei da Vida, e ela é o “Amor”. O indivíduo pensante e Autoconsciente que não quer ou não consegue obedecer a esse Decreto Eterno e Benéfico não pode e não conservará o corpo físico, porque tudo o que não é Amor dissolve a forma; não importa se é pensamento, palavra, sentimento ou ação — intencional ou não — a “Lei” atua sem exceção. Pensamentos, sentimentos, palavras e atos são apenas forças em ação e se movem eternamente em uma órbita própria.
“ ‘Se o homem soubesse que nunca deixa de criar, nem mesmo por um instante, perceberia que, pela “Presença” de Deus dentro de si, poderia purificar suas criações imperfeitas e, assim, libertar-se de suas próprias limitações.
“ ‘Ele tece ao redor de si um casulo de discórdia humana e adormece dentro dele, esquecendo, ao menos por algum tempo, que, se pode construí-lo, também pode rompê-lo. Utilizando as Asas de sua Alma — Adoração e Determinação — pode romper as trevas criadas por ele próprio. Então volta a viver no Centro de seu Ser, na “Luz” e na Liberdade de seu “Eu Divino”.
“ ‘Entretanto, no que diz respeito a você e à sua amada família — ou devo dizer minha amada família — a nuvem que parecia conter tanta tristeza agora se voltou do avesso e revela seu glorioso revestimento dourado. Vocês entraram agora no Esplendor Radiante da “Luz”, do qual jamais se afastarão novamente.
“ ‘Na maioria dos casos, se os seres humanos soubessem das coisas maravilhosas que às vezes são planejadas para eles, impediriam inconscientemente a aproximação desse bem maior. Você foi convidado para cá não apenas para reunir-se a seus entes queridos, mas também para receber instrução definida a respeito da existência, do uso e da direção do Poder Imenso de Deus latente dentro de você. Quando compreender como liberá-Lo e controlá-Lo, qualquer coisa será possível para você.
“ ‘Seus entes queridos utilizaram os Raios de Luz e de Som para comunicar-se com você. Esse conhecimento e seu poder serão explicados, e você também será capacitado a operá-los consciente e voluntariamente. Você sente profundamente e, quando essa característica for conscientemente governada, surgirá uma consciência do Poder Imenso de Deus que permanece pronto para ser liberado a qualquer instante.
“ ‘Você permanecerá aqui durante seis semanas de treinamento e depois retornará ao mundo exterior para utilizar a compreensão que recebeu. Volte novamente quando quiser, pois agora você é um de nós.’
“Nunca conseguirei expressar em palavras o que aquelas seis semanas significaram para mim. Fiquei espantado ao tornar-me consciente de minha própria capacidade de utilizar a instrução e aplicar tamanha sabedoria. Logo comecei a adquirir uma confiança em mim mesmo que tornou tudo muito mais fácil. Aquilo que parece tão misterioso e incomum ao humano eu descobri ser natural e normal para essa Estupenda ‘Presença Interior’.
“Eu precisava compreender que era verdadeiramente o Filho de Deus. Como Filho da Fonte de todo Bem, a ilimitada Energia-Sabedoria obedecia à minha direção consciente e, quando eu a dirigia como faz um Mestre, produzia resultados instantaneamente. À medida que aumentava minha confiança em minha própria capacidade de utilizar a ‘Grande Lei’, a realização naturalmente se tornava cada vez mais rápida. Ainda me maravilho com a Fonte de Amor e Sabedoria que se derramava continuamente desse Grande Mestre. Nós o amamos com profunda devoção, maior do que qualquer amor que pudesse existir entre pai e filho, pois o Laço de Amor formado pela transmissão da Compreensão Espiritual é Eterno e muito mais profundo do que qualquer amor gerado pela experiência humana, por mais belo e forte que possa ser. Ele costumava nos dizer:
“ ‘Se vocês fizerem de si mesmos uma Fonte Eterna de Amor Divino, derramando-o em todo lugar para onde seu pensamento se dirigir, tornar-se-ão um Ímã tão poderoso para Todo Bem que terão de pedir ajuda para distribuí-lo. A Paz e a Calma da Alma liberam um poder que obriga a mente exterior a obedecer. Esse poder deve ser reivindicado com autoridade. Nosso lar aqui neste Vale Secreto vem sendo utilizado há mais de quatro mil anos.’
“Um dia, depois de fazer um notável discurso sobre a ‘Propriedade de Deus’, ele me olhou muito atentamente e sugeriu que déssemos um passeio. Conduziu-me ao lado oposto do vale daquele por onde havíamos entrado. Perto da parede sul, correndo paralelamente a ela de leste a oeste, havia uma crista que começava no nível do solo, elevava-se a cerca de sete pés de altura, estendia-se por aproximadamente dois mil pés e depois descia novamente ao nível do solo. À medida que nos aproximávamos, vi que era um veio de quartzo branco. O Mestre Eriel foi até o ponto onde o veio chegava ao solo e soltou um pedaço com um chute. Vi que era extremamente rico em ouro. Meu amor humano pelo ouro tentou surgir, mas a ‘Presença Interior’ o conteve imediatamente e, sorrindo, o Mestre observou:
“ ‘Muito bem. Agora tenho trabalho a fazer na Europa e preciso deixá-lo por enquanto.’ Ele sorriu e desapareceu instantaneamente. Foi a primeira vez que me mostrou o Pleno Domínio que possuía e as coisas que era capaz de fazer dessa maneira. Imediatamente, meu filho tornou-se visível exatamente no mesmo lugar onde Eriel estivera um instante antes e riu calorosamente de minha surpresa.
“ ‘Mamãe e eu’, disse ele, ‘podemos levar nossos corpos conosco, da mesma maneira, para onde quisermos. Não se surpreenda. É uma Lei Natural e só parece estranha e incomum porque você ainda não a utiliza. Na verdade, não é mais extraordinária do que o telefone teria sido para as pessoas da Idade Média. Se tivessem conhecido a “Lei” de sua construção, poderiam tê-lo usado naquela época tão bem quanto nós neste século.’
“Desde aquela visita à minha família no Vale Secreto, estive lá sete vezes. Na última vez em que retornei ao mundo exterior, o Mestre me deu seu endereço, e foi por isso que lhe pedi que viesse até aqui. Ele o convida a voltar comigo.”
Meu anfitrião percebeu de repente que estivera falando durante várias horas e pediu desculpas por abusar de minha paciência. Eu lhe disse que as experiências eram tão fascinantes e que eu estivera tão intensamente interessado que, para mim, o tempo deixara de existir. Aceitei e fiquei profundamente grato pelo convite do Mestre Eriel para visitá-los, e disse isso francamente. Um instante depois, um jovem alto entrou na sala.
“Permita-me apresentar nosso Irmão Fun Wey”, disse meu anfitrião, apresentando-o; e, no mais perfeito inglês, ele respondeu:
“Meu Irmão de Coração de Luz viajou de longe. Meu coração salta em êxtase e alegria. Minha alma sente sua serenidade e sua radiância.” Dirigindo-se diretamente ao meu anfitrião, continuou:
“Sabendo que você estava ocupado, vim para servi-lo.”
“Será um grande prazer partilhar o pão com você”, disse meu amigo, voltando-se para mim, e juntos fomos para a sala de jantar. Nosso jantar foi delicioso e, quando terminamos, meu anfitrião retomou a conversa, relatando muitas de suas experiências pessoais com Eriel. Eram de fato extraordinárias, isto é, se falarmos apenas do lado humano de nossa consciência; mas, do ponto de vista de nossa Divindade, tudo era e é supremamente natural.
De repente, um Raio de Luz — ou melhor, um Tubo de Luz — entrou na sala e, pela conversa, soube que era o Raio Gêmeo de meu anfitrião que falava. Num instante, o Raio foi dirigido a mim, e ele disse:
“Amada, permita-me apresentar o Irmão que nosso Mestre Eriel me pediu que encontrasse.”
Vi seu Raio Gêmeo e a ouvi tão claramente como se estivesse no quarto ao nosso lado. Essa maneira de se comunicar é uma experiência maravilhosamente feliz, e é possível condensar a “Luz” de modo a formar um tubo no qual o som e a visão podem ser transmitidos. Era tão real quanto o facho de um holofote.
Meu anfitrião insistiu para que eu considerasse sua casa como minha até o dia de nossa partida para as montanhas. Partimos antes do amanhecer, no sétimo dia após nosso encontro, e foi uma das experiências mais memoráveis de minha Vida até então. Tudo o que ele me contara provou ser verdadeiro nos mínimos detalhes.
Nossa chegada ao Vale Secreto foi um acontecimento dos mais alegres, e nossa felicidade foi muito grande. Conheci o Raio Gêmeo de meu anfitrião e o filho deles e, em seguida, mostraram-me o antigo edifício onde tantos estudantes haviam recebido a verdadeira compreensão das Leis do Ser e alcançado sua Liberdade Eterna.
Foi uma sensação maravilhosa estar no lugar onde o Grande Poder Divino havia sido focalizado durante tantos séculos e onde os Mestres Ascensionados haviam estabelecido um Retiro para parte de sua Obra. Eu estava sentado, contemplando as bênçãos recebidas pelos estudantes que tiveram o privilégio de chegar àquele lugar, quando o Mestre Eriel se dirigiu a mim:
“Meu Filho”, começou ele, “você está se aproximando de uma maravilhosa libertação. Mantenha-se firme na aceitação contínua de sua própria ‘Presença-Mestra’ que habita em você, e terá motivos justos para grande alegria.” Ele estendeu a mão direita, e o véu entre o visível e o invisível foi afastado.
“Quero que você veja”, continuou, “como nós, que somos Ascensionados, vemos a atividade sublime e majestosa de Nosso Mundo. Aqui damos testemunho continuamente, como Filhos de Deus, porque em nós já não há dúvida, medo nem imperfeição.”
Sempre me lembrarei da alegria e do privilégio que foram meus durante os dias que passei com aquelas pessoas maravilhosas.
“Todos os dias”, disse Eriel, “você testemunhará o uso dos Raios de Luz e de Som que anulam o tempo e o espaço e que a humanidade está destinada a utilizar, num futuro próximo, tão naturalmente quanto hoje utiliza o telefone. Essa é uma das atividades mais extraordinárias que o indivíduo pode aprender a dirigir. Um Raio de Luz pode ser atraído e controlado de modo a ser usado como um lápis para escrever sobre metal ou no céu, e a escrita permanecerá visível durante todo o tempo que aquele que a dirige desejar.
“Quando o estudante é suficientemente forte para resistir às opiniões do mundo da ignorância, então está pronto para dar testemunho das maravilhas das atividades individuais de Deus manifestadas pelos Mestres Ascensionados.
“Até que consiga fazê-lo, o poder da sugestão e a radiação de dúvida proveniente de outros o perturbarão intermitentemente a tal ponto que muitas vezes abandonará a busca da Verdade. A interrupção do fluxo contínuo da instrução é discórdia. A discórdia é a cunha e o caminho sutil pelos quais a força sinistra nesta Terra entra na atividade exterior de um estudante que decidiu voltar-se para ‘a Luz’.
“Essa atividade é muito sutil porque é um sentimento e se insinua no indivíduo antes mesmo que ele esteja realmente consciente de sua existência. É persistente além do que se pode imaginar, e seu crescimento é tão insidioso que a pessoa não percebe o que aconteceu até que o momentum já esteja em movimento.
“Esse sentimento começa como uma leve dúvida. Basta que uma dúvida seja sentida duas ou três vezes para se transformar em desconfiança. A desconfiança gira uma ou duas vezes no corpo emocional e se transforma em suspeita, e a suspeita é autodestruição.
“Lembre-se disso, meu filho, quando voltar novamente ao mundo exterior, e verá que será uma salvaguarda capaz de conduzi-lo através de cada experiência da Vida, mantendo-o intocado pela discórdia. Se alguém emitir suspeita, será objeto de suspeita, pois cada pessoa possui em seu mundo exatamente aquilo que nele coloca, e esse ‘Decreto Eterno e Irrevogável’ existe em todo o Universo. Todos os impulsos da consciência retornam ao ponto central que os enviou; nem mesmo um átomo escapa.
“O verdadeiro estudante da ‘Luz’ volta-se para ‘a Luz’, envia-A diante de si, vê Sua Radiância Envolvente por onde quer que vá e A adora constantemente. Ele se afasta da dúvida, do medo, da suspeita e da ignorância da mente humana e conhece apenas ‘a Luz’. Ela é Sua Fonte — Seu Verdadeiro Eu.”
Com essas palavras de despedida, Eriel se despediu de mim, e eu retornei à rotina diária de minha vida exterior.
CAPÍTULO VIII
O Poder Onipresente de Deus
NO dia seguinte, recebi uma comunicação pela qual me envolvi em uma atividade de negócios que exigia todo o meu tempo e atenção. A simples expectativa dela me trouxe grande alegria, e entrei nessa atividade com muito entusiasmo. Surgiu em mim uma sensação renovadora e vivificante, algo que eu jamais havia conhecido antes em minha experiência profissional.
No decorrer dessa atividade, entrei em estreito contato pessoal com um homem de caráter extremamente dominador. Toda a sua atitude nos negócios consistia em obter o que desejava pela força, caso a intriga falhasse ou encontrasse oposição de qualquer espécie.
Ele acreditava apenas no poder de seu próprio intelecto e de sua vontade humana, e não tinha conhecimento nem fé em qualquer outra coisa. Em nenhum momento hesitava em esmagar ou arruinar pessoas ou coisas que se interpusessem em seu caminho para o sucesso, e usava todos os meios para alcançar seus próprios fins egoístas.
Eu o havia conhecido cerca de três anos antes de ocorrer a experiência que relatarei a seguir e, naquela época, sentira-me quase impotente em sua presença, tão avassalador era o sentimento de dominação que ele continuamente projetava. Entretanto, apesar de minha própria reação a ele, eu sabia que seu controle sobre os outros era apenas força focalizada na atividade exterior. Fiquei um tanto perturbado ao perceber que teria de me associar a ele. Imediatamente, procurei uma maneira de lidar com ele pela aplicação da Lei Divina, quando a “Voz Interior” me disse claramente:
“Por que não deixar o ‘Poderoso Deus Interior’ assumir pleno comando e cuidar desta situação? Esse ‘Poder Interior’ não conhece dominação e é sempre invencível.”
Senti imensa gratidão e entreguei tudo completamente à Sua direção. Encontrei-me com esse homem e outros dois, e concordei em acompanhá-los para inspecionar uma propriedade de mineração em um estado distante. Eu sentia que se tratava de uma propriedade de grande valor. A proprietária era uma senhora idosa cujo bom marido havia falecido em decorrência de um acidente na mina alguns meses antes.
Ele deixara as coisas em uma situação precária, e nosso amigo dominador decidira comprar a mina pelo preço que ele próprio estabelecesse — e não por um preço honesto. Depois de uma longa viagem de automóvel, chegamos ao nosso destino por volta das duas horas da tarde do segundo dia. Conhecemos a proprietária, e percebi que era uma alma abençoada — verdadeira e honrada.
Ali mesmo, tomei a firme decisão de que ela receberia um tratamento justo e o valor integral da propriedade. Ela nos convidou para um agradável almoço, e em seguida fomos examinar a mina. Percorremos as áreas de trabalho, túneis, galerias, poços e câmaras de lavra. Quanto mais eu observava, mais certo ficava de que algo estava errado. A própria atmosfera parecia sussurrar isso para mim.
Eu tinha certeza de que uma rica jazida havia sido descoberta e não fora comunicada à proprietária. De algum modo, eu sabia que o comprador havia colocado secretamente um dos operários para vigiar qualquer descoberta desse tipo e que, durante semanas de observação, ele conquistara a confiança do superintendente. Eu percebia, no fundo, que o superintendente era um bom homem, porém ainda não desperto — espiritualmente falando.
Enquanto estávamos ali conversando com ele, meu Eu Divino revelou plenamente o que havia acontecido. Pouco tempo antes, enquanto esses dois inspecionavam o trabalho, haviam chegado a um ponto em que as detonações tinham aberto a frente de um túnel que conduzia diretamente ao coração da montanha. A explosão revelara um veio extremamente rico de quartzo aurífero. O superintendente estava prestes a correr para fora e comunicá-lo à proprietária quando o operário espião observou:
“Espere! Eu conheço o homem que vai comprar esta mina. Se quiser continuar no cargo que ocupa, não mencione essa descoberta. Vou garantir que você não apenas permaneça aqui como superintendente, mas também receba cinco mil por isso. A velha senhora receberá o suficiente para se manter de qualquer forma.” Temendo perder o cargo, o superintendente concordara.
Durante nossa inspeção da mina, chegamos ao fim do túnel principal, e senti fortemente que aquele era o lugar onde a rica descoberta havia sido feita. O local fora habilmente encoberto e disfarçado como uma formação instável, onde seria perigoso trabalhar. Esse era o relatório que haviam apresentado à mulher proprietária da mina. Enquanto eu estava ali conversando com os outros, minha Visão Interior se abriu, e vi tudo o que havia ocorrido — a rica descoberta, seu encobrimento, a oferta feita ao superintendente e a aceitação dele. Senti gratidão por ver confirmado o que percebera, mas sabia que precisava esperar. Voltamos à residência da proprietária e as negociações começaram. O comprador abriu o assunto dizendo:
“Sra. Atherton, quanto a senhora espera receber por esta propriedade?”
“Estou pedindo duzentos e cinquenta mil dólares”, respondeu ela com cortesia e gentileza.
“Absurdo!”, gritou ele. “Absurdo, ridículo. Ela não vale nem a metade disso.” Continuou nesse tom por alguns minutos, esbravejando como era seu hábito. Aquilo funcionara muitas vezes antes, e ele continuava seguindo o velho procedimento. Discutiu e vociferou, terminando por dizer:
“Sra. Atherton, a senhora está em uma situação em que precisa vender. Serei generoso e lhe darei cento e cinquenta mil.”
“Vou considerar a oferta”, respondeu ela, tão intimidada por sua atitude dominadora e por seus arroubos que começou a aceitar as ideias dele e a ceder à sua arrogante insolência. Ele percebeu sua hesitação e imediatamente aumentou a pressão sobre toda a situação.
“Não posso esperar”, continuou ele. “Meu tempo é valioso. A senhora deve decidir imediatamente ou o negócio está encerrado.”
Ele tirou os documentos do bolso e os colocou sobre a mesa. A Sra. Atherton olhou em volta, desamparada, e eu balancei a cabeça para ela, indicando “não”, mas ela não me viu. O contrato estava aberto, e ela atravessou a sala, sentou-se à mesa e preparou-se para assinar. Eu sabia que, se ela haveria de ser protegida, precisava agir imediatamente. Fui até onde estava sentada e me dirigi ao nosso amigo dominador.
“Um momento”, disse eu. “O senhor pagará a esta querida senhora o que a mina dela vale, ou não a terá.” Ele voltou sua ira contra mim com várias invectivas bastante violentas e tentou usar as mesmas táticas de sempre.
“Gostaria de saber quem vai me impedir de ficar com a mina pelo meu preço?”, retrucou. Senti uma onda do Poder Imenso de Deus dentro de mim irromper como uma avalanche, mantendo-me imune à sua torrente de rancor, e respondi:
“Deus o impedirá.”
Com essa resposta, ele caiu na gargalhada. Continuou ruidoso, cínico e insultuoso. Esperei calmamente.
“Seu tolo”, começou novamente em outra explosão de ira, “você fica falando de Deus. Nem você, nem Deus, nem coisa alguma pode me deter. Eu consigo aquilo que busco, aconteça o que acontecer. Ninguém jamais me deteve.” Sua arrogância parecia não ter limites, e ele se revelava, em mente e corpo, vítima de suas próprias emoções. Sua razão não conseguia funcionar, como sempre ocorre sob qualquer sentimento descontrolado; caso contrário, ela o teria advertido a não prosseguir com os insultos.
Senti novamente a expansão do Poder Divino. Desta vez, ela se tornou cada vez mais forte até que, em um tom semelhante ao de uma clarinada, a Poderosa Voz Interior de meu Eu Divino revelou a Verdade de toda a transação e o engano praticado na mina.
“Sra. Atherton”, disse eu, “foi cometido contra a senhora um grave engano. Seus trabalhadores fizeram uma descoberta muito rica. Este homem tinha entre eles um espião que subornou seu superintendente para permanecer em silêncio a respeito.” O superintendente e os demais presentes ficaram pálidos e sem palavras, enquanto meu Eu Interior continuava a expor a traição deles. O comprador em potencial parecia preparado para qualquer emergência e, interrompendo-me em sua fúria descontrolada, gritou:
“Você está mentindo. Vou esmagar sua cabeça por se intrometer assim.” Ele ergueu sua bengala de aço e, quando levantei a mão para agarrá-la, uma Chama Branca irrompeu subitamente, fulgurando bem diante de seu rosto. Ele caiu ao chão como se tivesse sido atingido por um raio. Então meu Poderoso Eu Divino falou novamente com toda a autoridade da eternidade — majestoso, poderoso:
“Que ninguém nesta sala se mova até receber permissão!” Meu eu exterior, que já não era eu, mas “Deus em Ação”, caminhou até onde o homem estava caído e prosseguiu:
“Grande Alma neste homem, eu falo contigo! Por tempo demasiado tens sido mantida prisioneira por seu eu pessoal dominador. Manifesta-te agora! Assume o comando de sua mente e de seu corpo! Corrige os muitos enganos que ele praticou na vida presente. Dentro de uma hora, esta forte criação humana exterior de discórdia e injustiça que ele construiu será consumida, e nunca mais enganará nem dominará humanamente outro dos filhos de Deus. Ao eu exterior, eu digo: Desperta! em paz, amor, bondade, generosidade e boa vontade para com tudo o que vive.”
Lentamente, a cor começou a voltar ao rosto do homem, e ele abriu os olhos em estranho espanto. “Deus em mim” — ainda no comando — tomou-o suavemente pela mão e, passando um braço sob seu ombro, ajudou-o a sentar-se em uma grande poltrona confortável. Novamente, Ele ordenou:
“Meu Irmão! Olhe para mim.” Quando ele ergueu os olhos para os meus, um tremor percorreu seu corpo e, em voz quase inaudível, disse: “Sim, eu vi. Compreendo o quanto errei. Que Deus me perdoe.” Ele abaixou a cabeça entre as mãos e escondeu o rosto, silencioso e envergonhado. Lágrimas começaram a escorrer por entre seus dedos, e ele chorou como uma criança.
“Você pagará a esta querida senhora um milhão de dólares”, continuou meu Eu Divino, “e também lhe dará dez por cento de participação na mina, pois na descoberta recente há pelo menos dez milhões em minério de ouro.” Com profunda humildade e uma estranha doçura, ele respondeu:
“Que isso seja feito agora.” Desta vez, pediu a seus homens, em vez de lhes dar ordens como era seu antigo hábito, que preparassem os documentos conforme fora determinado. A Sra. Atherton e ele assinaram, concluindo a transação.
Voltei-me para os outros presentes e percebi, pela expressão em seus rostos, que todos haviam sido tão elevados em consciência que tinham visto além do véu humano, e cada um deles dizia:
“Nunca mais, Deus me ajude, tentarei enganar ou prejudicar meu semelhante.” Eles haviam sido elevados a reconhecer e aceitar plenamente o Eu Divino dentro de todos.
Era fim da tarde quando isso ocorreu. A Sra. Atherton fez-nos um cordial convite para permanecermos como seus hóspedes durante a noite e acompanhá-la a Phoenix pela manhã, a fim de registrar os documentos da venda. Depois do jantar naquela noite, reunimo-nos na grande sala de estar diante de uma ampla lareira aberta. Todos buscavam sinceramente maior compreensão das Grandes Leis Cósmicas da Vida.
Perguntaram-me como eu havia chegado a esse tipo de conhecimento, e contei-lhes sobre o Mestre Saint Germain e como o havia conhecido. Relatei algumas de minhas experiências no Monte Shasta e como, no decorrer de nossa conversa a respeito da Grande Lei Cósmica, ele havia dito:
“Meu Filho, a Grande Lei Cósmica não faz distinções, assim como a tabuada de multiplicação não as faz quando alguém erra em sua aplicação, nem a eletricidade quando uma pessoa, ignorante da Lei que governa seu uso, tenta dirigir sua força sem conhecer a maneira de controlá-la.
“Os Grandes Decretos Imutáveis, que mantêm eternamente a ordem no Reino Infinito da Vida manifestada, baseiam-se todos no ‘Grande Princípio da Criação’ — AMOR. Esse é o Coração — a Fonte de Tudo — e o próprio Eixo em torno do qual a existência na forma se realiza.
“O Amor é Harmonia e, sem ele no início de uma forma, essa forma não poderia sequer passar a existir. O Amor é o Poder Coesivo do Universo e, sem ele, um Universo não poderia existir.
“Em seu mundo científico, o Amor se expressa como a força de atração entre os elétrons. É a Inteligência diretora que os Quer em forma, o Poder que os mantém girando ao redor de um núcleo central e o Sopro dentro do núcleo que os atrai para ele. O mesmo se aplica a cada vórtice de força em toda a criação.
“Um núcleo central e os elétrons girando ao seu redor formam um átomo. Esse núcleo de Amor é para o átomo o que o polo magnético é para a Terra e o que a coluna vertebral é para o corpo humano. Sem um núcleo central ou Centro do Coração, existe apenas a Luz Universal ainda sem forma — os elétrons preenchendo o Infinito e girando ao redor do Grande Sol Central.
“O elétron é Espírito Puro ou ‘Luz’ de Deus. Permanece para sempre Imaculado e Perfeito. É Eternamente Autossustentado, Indestrutível, Autoluminoso e Inteligente. Se não fosse assim, não poderia nem haveria de obedecer à ‘Lei’ — a atividade diretora do Amor. É Energia-Luz Imortal, Eternamente Pura e Inteligente, e a única Substância Real e Verdadeira da qual tudo no Universo é feito — a ‘Essência de Vida’ Eternamente Perfeita de Deus.
“O espaço interestelar está repleto dessa pura ‘Essência de Vida’. Ele não é escuro nem caótico, como supôs a concepção ignorante e limitada dos diminutos intelectos humanos. Esse Grande Mar de Luz Universal que existe em toda parte através do Infinito está sendo constantemente atraído à forma e recebendo uma qualidade de uma espécie ou de outra, conforme a maneira pela qual os elétrons são mantidos ao redor de um ponto central ou núcleo pelo Amor.
“O número de elétrons que se combinam em um átomo específico é resultado do pensamento consciente e determinado por ele. A velocidade com que giram ao redor do núcleo central é resultado do sentimento e determinada por ele. A intensidade do movimento de atração e rotação dentro do núcleo central é o ‘Sopro de Deus’ e, portanto, a atividade mais concentrada do Amor Divino. Em termos científicos, seria chamada força centrípeta. Esses são os fatores determinantes que constituem a qualidade de um átomo.
“Assim, você verá que o átomo é uma entidade — uma coisa viva, que respira — criada ou trazida à existência pelo Sopro, pelo Amor de Deus, através da Vontade da Inteligência Consciente de Si. Dessa maneira, a ‘Palavra se faz carne’. O mecanismo que a Inteligência Consciente de Si utiliza para realizar essa manifestação de seu Ser é o pensamento e o sentimento.
“O pensamento destrutivo e o sentimento discordante reorganizam de tal modo a proporção e a velocidade dos elétrons dentro do átomo que a duração do Sopro de Deus dentro do polo se altera. A duração do Sopro é decretada pela Vontade da Consciência que utiliza aquele tipo específico de átomo. Se essa Vontade Consciente Diretora é retirada, os elétrons perdem sua polaridade e se dispersam, buscando seu caminho de volta — de forma inteligente, note bem — ao ‘Grande Sol Central’, onde se repolarizam. Ali, recebem somente Amor, o Sopro de Deus é incessante e a Ordem — a Primeira Lei — é eternamente mantida.
“Alguns cientistas afirmaram e ensinaram que os planetas colidem no espaço. Tal coisa não é possível. Isso lançaria todo o Plano da Criação no caos. É realmente uma grande felicidade que as ‘Poderosas Leis de Deus’ não estejam limitadas às opiniões de alguns dos filhos da Terra. Não importa o que qualquer cientista — mundano ou não — pense; a Criação de Deus avança sempre e expressa cada vez mais Perfeição.
“O pensamento construtivo e o sentimento harmonioso dentro de uma mente e de um corpo humanos são atividades de Amor e Ordem. Eles permitem que a Proporção e a Velocidade Perfeitas dos elétrons dentro do átomo permaneçam constantes e, assim, que eles continuem polarizados em seu ponto específico no Universo enquanto a duração do Sopro de Deus em seu núcleo for mantida estável pela Vontade da Inteligência Diretora, Consciente de Si, que utiliza o corpo no qual eles existem. Dessa maneira, a qualidade de Perfeição e a manutenção da Vida em um corpo humano estão sempre sob o controle consciente da Vontade do indivíduo que o ocupa. A Vontade do indivíduo é suprema sobre seu templo e, mesmo em casos de acidente, ninguém deixa seu corpo-templo até que queira fazê-lo. Muitas vezes, a dor no corpo, o medo, a incerteza e muitas outras coisas influenciam a personalidade a mudar suas decisões quanto ao que havia desejado no passado, mas tudo o que acontece ao corpo está e sempre estará sob o controle do livre-arbítrio do indivíduo.
“Compreender a explicação acima a respeito do elétron e do controle consciente que o indivíduo possui, por meio de seu pensamento e sentimento, para governar a estrutura atômica de seu próprio corpo é compreender o Princípio Único que governa a forma através do Infinito. Quando o homem fizer o esforço de provar isso a si mesmo, ou dentro de seu próprio corpo físico atômico, começará então a dominar a si próprio. Quando tiver feito isso, tudo o mais no Universo será seu colaborador voluntário para realizar tudo o que ele quiser por meio do Amor.
“Quem voluntariamente se torna obediente à ‘Lei do Amor’ mantém permanentemente a Perfeição em sua mente e em seu mundo. A ele, e somente a ele, pertencem toda Autoridade e Mestria. Somente ele tem o direito de governar, porque primeiro aprendeu a obedecer. Quando tiver obtido obediência da estrutura atômica dentro de sua própria mente e corpo, toda estrutura atômica fora de sua mente e corpo também lhe obedecerá.
“Assim, a humanidade, por meio do pensamento e do sentimento, possui o poder — cada indivíduo dentro de si mesmo — de elevar-se ao mais alto ou descer ao mais baixo. Cada um determina sozinho seu próprio caminho de experiência. Pelo controle consciente de sua atenção, quanto ao que permite que sua mente aceite, pode caminhar e conversar com Deus — Face a Face — ou, desviando-se de Deus, tornar-se inferior aos animais, mergulhando sua consciência humana no esquecimento. Neste último caso, a Chama Divina dentro dele então se retira de sua habitação humana. Depois de éons, ela tenta novamente uma jornada humana no mundo da matéria física, até que a vitória final seja alcançada conscientemente e por sua própria Livre Vontade.”
Contei-lhes sobre as possibilidades ilimitadas que Saint Germain me havia mostrado estarem diante da humanidade para realização, sempre que ela estiver disposta a aceitar a ‘Grande Presença Divina’ dentro de cada indivíduo como o Poder diretor e realizador. O comprador da mina perguntou por que eu usava com tanta frequência a palavra aceitação, e recordei as palavras que Saint Germain havia usado ao me explicar isso, pois ele disse:
“Mesmo na atividade exterior de sua Vida, se você compra alguma coisa ou lhe é oferecido algo maravilhoso e perfeito, se não o aceitar, será impossível usá-lo ou receber dele qualquer benefício. O mesmo se dá com a ‘Grande Presença Divina’ dentro de nós. A menos que aceitemos que nossa Vida é Vida de Deus — e que todo o poder e toda a energia que possuímos para fazer qualquer coisa são Poder Divino e Energia Divina — como poderemos ter Qualidades Divinas e realizações em nosso mundo?
“Como Filhos de Deus, somos ordenados a escolher a quem serviremos: à Poderosa ‘Presença’ de Deus dentro de nós — ou ao eu humano exterior. A satisfação dos apetites humanos exteriores e das exigências dos sentidos tem um único resultado: miséria e destruição.
“Todo Desejo Construtivo é, na verdade, o Eu Divino Interior impulsionando a Perfeição para o uso e o desfrute do eu exterior. A Grande Energia da Vida flui constantemente através de nós. Se a dirigirmos para realizações construtivas, ela traz alegria e felicidade. Se for dirigida à satisfação dos sentidos, o resultado só poderá ser miséria, porque tudo isso é ação da Lei — uma Energia de Vida Impessoal.
“Mantenha diante da atividade exterior de sua mente a lembrança constante de que você é ‘Vida’ — ‘Deus em Ação’ em você e em seu mundo. O eu pessoal está continuamente reivindicando coisas e poder como se fossem seus, quando a própria Energia pela qual existe lhe é emprestada pelo Eu Divino. A atividade humana pessoal exterior não é dona nem mesmo de sua pele. Os próprios átomos de seu corpo lhe são emprestados pela ‘Suprema Presença Divina’, provenientes do Grande Mar de Substância Universal.
“Treine-se para devolver todo poder e autoridade à ‘Grande e Gloriosa Chama Divina’, que é seu ‘Eu Real’ e a ‘Fonte’ da qual você sempre recebeu toda coisa boa.” Conversamos até as duas horas da manhã e, então, tive de sugerir que fôssemos descansar. Ninguém queria dormir, mas eu lhes disse:
“Vocês dormirão nos braços de Deus”, e, na manhã seguinte, ficaram surpresos ao perceber como haviam adormecido rapidamente.
Levantamo-nos às sete e seguimos para Phoenix. O registro foi concluído, e expliquei que precisava partir, pois meu trabalho com eles estava terminado por enquanto. Todos estavam profundamente agradecidos e ansiosos por saber mais. Prometi manter contato e oferecer ajuda adicional conforme o Mestre Saint Germain orientasse. Quando eu estava saindo, o comprador da mina voltou-se para mim e disse:
“Não me importa o que alguém pense de mim. Quero abraçá-lo e agradecer-lhe do fundo do coração por ter me salvado da ruína de meu eu exterior e por ter revelado a ‘Grande Luz’.” Inclinei a cabeça em profunda humildade e respondi:
“Agradeça a Deus. Sou apenas o canal. Somente Deus é a Grande ‘Presença’ e o Poder que faz todas as coisas bem.” A Sra. Atherton voltou-se para mim e expressou o que sentia:
“Eu louvo e agradeço ao Deus em você pela Poderosa ‘Presença Protetora’, e jamais, em toda a minha Vida, deixarei de agradecer a Deus e a você pela Luz que esta experiência trouxe a todos nós.
“Tenho certeza de que todos nos encontraremos novamente”, respondi. Despedi-me de todos e voltei mais uma vez meu rosto para o Monte Shasta, chegando ao meu alojamento na noite do segundo dia.
Duas semanas depois, senti um forte impulso de fazer mais uma viagem ao meu local de encontro com o Mestre Saint Germain. Parti às quatro da manhã e cheguei à borda da mata densa por volta das nove.
O grito melancólico de meu amigo pantera chegou aos meus ouvidos antes que eu tivesse avançado vinte passos dentro da floresta. Respondi rapidamente. Em um instante, ele veio saltando para o meu lado com toda a alegria de um velho amigo, e seguimos adiante até nosso local de encontro.
Percebi que a pantera estava muito inquieta e agia como se estivesse sob alguma agitação interior. Isso era muito incomum, pois sempre se mostrara muito tranquila em minha presença. Afaguei e acariciei sua bela cabeça, mas não fez diferença. Sentei-me e almoçamos.
“Vamos, meu velho”, disse eu quando terminamos. “Vamos dar uma caminhada.” Ele me lançou um olhar longo e firme, com a expressão mais comovente que eu já vira. Eu não conseguia compreendê-la.
Tínhamos percorrido certa distância quando chegamos a um penhasco de cerca de quinze pés de altura, no topo do qual sobressaía uma rocha. Algo me fez olhar para a pantera. A expressão de seus olhos era selvagem e feroz. Percebi uma espécie de tensão na atmosfera, mas não compreendi o que era. Caminhei mais alguns passos e senti um arrepio me percorrer. Erguendo os olhos subitamente, vi um puma agachado, pronto para saltar. No instante seguinte, ele se lançou sobre mim. Joguei-me contra o penhasco, e o puma caiu além do ponto onde eu estivera. Como um relâmpago, a pantera saltou, e os dois se engalfinharam em combate mortal.
Nenhuma palavra pode descrever o horror da luta que se seguiu. Eles urravam, rolavam, dilaceravam-se e rasgavam um ao outro com as garras. O puma era consideravelmente mais pesado e, por algum tempo, pareceu que levaria vantagem. Entretanto, a pantera era a mais rápida dos dois e, por fim, conseguiu se soltar. Houve apenas uma pausa de um instante até que visse uma oportunidade; então, com um único salto, caiu sobre as costas do puma e cravou os dentes logo atrás de suas orelhas.
A mordida da pantera era como aço e, depois de alguns segundos rolando e se contorcendo, a resistência do puma foi enfraquecendo. Por fim, cessou completamente. A pantera veio cambaleando em minha direção, com o flanco terrivelmente rasgado. Olhou para mim, sem mais qualquer ferocidade nos olhos — e sua energia se esvaía rapidamente. Uma expressão de contentamento passou por seu rosto e, de repente, soltando um grito melancólico, caiu morta aos meus pés.
Fiquei imóvel e chorei silenciosamente a perda de meu amigo, pois havia me apegado a ele quase tanto quanto a um companheiro humano. No instante seguinte, ergui os olhos, e Saint Germain estava ao meu lado.
“Meu Amado Irmão, não fique triste nem desanimado”, disse ele. “Seu contato com a pantera acelerou de tal forma a consciência dela que já não podia permanecer naquele corpo atual, e a Grande Lei Cósmica exigia dela algum serviço a você. Ela o prestou com amor, salvando sua vida. Tudo está verdadeiramente bem.” Tocou minha testa com o polegar da mão direita.
“Esteja em paz”, continuou ele, enquanto o sentimento de tristeza me deixava e eu me sentia completamente aliviado. “A Grande Lei Cósmica é infalível. Não podemos receber sem dar, e não podemos dar sem receber. Assim se mantém o Grande Equilíbrio da Vida.
“Eu o felicito sinceramente pelo serviço prestado na mina e por sua serenidade durante o ocorrido. Todos os envolvidos naquela transação se tornarão grandes auxiliares da humanidade.
“Em breve, você será chamado a prestar um serviço muito maior do que qualquer outro que tenha prestado até agora. Nele, lembre-se sempre de que é o Poder e a Inteligência de Deus que atuam, e sua mente e seu corpo são apenas o canal. Até que essa experiência lhe chegue, medite constantemente sobre o ‘Poder Ilimitado de Deus’, que pode se expressar através de você a qualquer momento.”
Perguntei-lhe qual era a atitude dos Mestres Ascensionados com relação aos muitos canais por meio dos quais uma Verdade parcial é transmitida, e ele respondeu:
“Há muitos canais sinceros. Alguns têm maior compreensão do que outros. Todos são filhos de Deus servindo da melhor maneira possível, com a compreensão que possuem no momento. Não devemos julgar ninguém, mas precisamos conhecer e ver somente Deus expressando-Se em todos. Nosso propósito é abençoar toda atividade, onde quer que se encontre. Vemos a ‘Luz Interior’ irradiando através dessas atividades, e isso torna impossível nos enganarmos quanto a estarem ou não transmitindo a verdade.
“O mesmo se aplica aos indivíduos. Aqueles que oferecem seu serviço em Nome do Jesus Cristo Ascensionado sempre receberão um poder de sustentação maior do que o comum.” Havíamos caminhado certa distância quando ele disse:
“Venha, eu o acompanharei até sua casa. Passe seu braço em torno de meu ombro.” Fiz isso e senti meu corpo elevar-se do chão. Poucos momentos depois, eu estava em meu quarto no alojamento, com Saint Germain de pé ao meu lado, sorrindo diante de minha surpresa.
“Encontre-me daqui a sete dias”, disse ele, “em nosso local combinado, pois então concluiremos nosso trabalho nesta parte do país.” Ele sorriu, inclinou-se graciosamente e começou a desaparecer lentamente. A última coisa que permaneceu visível, enquanto ele se desvanecia gradualmente, foram seus maravilhosos e belos olhos sorrindo para mim.
Enquanto eu meditava a cada dia sobre a “Grande Presença Divina Interior” para meu serviço vindouro, percebia cada vez mais como é importante manter a Atenção focalizada “Somente Nessa Presença” — não importa o que as aparências pareçam indicar — a fim de impedir que qualquer condição exterior me afete. Em uma de suas conversas, Saint Germain havia enfatizado especialmente a importância absoluta de manter meu eu exterior harmonioso e, a esse respeito, dissera:
“Meu Filho, você não pode compreender quão grande é a necessidade de harmonia no eu exterior para que a plenitude da Perfeição e do Poder Interiores possa se expressar em sua vida exterior. Não se pode enfatizar demais a importância de manter um sentimento de paz, Amor e serenidade no eu pessoal, pois, quando isso é feito, a ‘Poderosa Presença Divina Interior’ pode agir — sem limites — em um instante.
“O contínuo derramamento de um sentimento de Paz e Amor Divino para cada pessoa e cada coisa, incondicionalmente, quer você pense que mereçam ou não, é a Chave Mágica que destranca a porta e libera instantaneamente esse tremendo ‘Poder Divino Interior’. Verdadeiramente afortunado é aquele que aprendeu essa ‘Lei’, pois então busca SER todo Paz e Amor. Sem Ela, a humanidade não possui nada de bom; com Ela, possui todas as coisas ‘Perfeitas’. A Harmonia é a Nota-Chave, a ‘Única Grande Lei da Vida’. Sobre Ela repousa toda Manifestação Perfeita e, sem Ela, toda forma se desintegra e retorna ao Grande Mar de Luz Universal.”
Durante os sete dias seguintes, passei muito tempo em meditação. Senti uma paz cada vez maior crescer dentro de mim até que, no sexto dia, parecia que toda a minha consciência era como um grande mar tranquilo.
Na manhã do sétimo dia, deixei meu alojamento às quatro horas e cheguei ao nosso local de encontro às dez e meia. Sentei-me sobre um tronco para esperar, com uma maravilhosa sensação de exaltação, que eu sabia ser resultado de minha meditação. Estava tão profundamente absorto na contemplação de meu Eu Divino que não ouvi ninguém se aproximar até que uma voz se dirigiu a mim.
Ergui os olhos e vi um velho de cabelos e barba brancos, que à primeira vista julguei ser um antigo garimpeiro, embora suas roupas fossem limpas demais para aquela ocupação. Quando se aproximou e estendeu a mão para mim, isso também confirmou minha impressão — ele não era um trabalhador braçal. Trocamos cumprimentos, conversamos alguns instantes sobre assuntos gerais e então ele se voltou para mim e disse:
“Meu amigo, gostaria de lhe contar uma história. Não levará muito tempo. Há muito não a conto a ninguém. Gostaria de tentar mais uma vez.”
A essa altura, comecei a sentir intenso interesse. Ocorreu-me que ele poderia estar com sede e, quando estendi a mão para pegar um copo e buscar água na nascente ao lado da qual estávamos, um Cálice de Cristal se formou em minha mão, semelhante ao que Saint Germain me estendera várias vezes. O velho ergueu os olhos e, com eles brilhando de excitação, quase gritou:
“É ele! É ele!”
Eu não sabia o que fazer, então insisti para que bebesse. Ao olhar dentro do cálice, vi que estava cheio do mesmo líquido transparente e cintilante que o Mestre me dera. O velho agarrou-o com avidez e, com uma expressão intensa da mais profunda gratidão que eu já havia visto, bebeu seu conteúdo. Imediatamente, tornou-se muito calmo e tranquilo, mas ao mesmo tempo profundamente sincero. Pedi-lhe novamente que me contasse a história, e ele começou dizendo:
“Meu pai era um oficial britânico destacado no Punjab, na Índia, onde morávamos. Quando eu tinha dezesseis anos, ele financiou um amigo que foi para a África do Sul tentar a sorte nas minas de diamantes, mas meu pai nunca mais recebeu notícias dele.
“No ano em que completei vinte anos, um estranho alto e belo, um homem de grande sabedoria, visitou meu pai em nossa casa. Ele viera trazer uma mensagem do amigo de meu pai.
“‘Trago-lhe notícias’, explicou ele, ‘do amigo que o senhor financiou quatro anos atrás. Ele obteve grande sucesso naquele empreendimento e, de fato, tornou-se muito rico. Faleceu recentemente nas minas e não deixou parentes. Toda a fortuna dele foi deixada para o senhor e, em caso de seu falecimento, deverá passar para seu filho. Se desejar, assumirei a responsabilidade pelo assunto e providenciarei a transferência imediatamente.’
“‘Não posso deixar a Índia neste momento’, respondeu meu pai, ‘pois estou aqui em serviço do governo. Aprecio muito sua oferta de cuidar do assunto para mim.’ Eu estava por perto durante a conversa e, quando concluíram os acertos, o estranho voltou-se para mim.
“‘Meu filho’, disse ele, ‘quando você encontrar o homem que lhe oferecer um cálice de cristal com líquido cintilante, terá encontrado aquele que poderá ajudá-lo a elevar o corpo. Não posso lhe dizer mais do que isso, exceto que o encontrará em uma grande montanha na América do Norte. Isso pode parecer vago agora, mas é tudo o que posso dizer.’
“O estranho partiu e, um mês depois, meu pai, que saíra a cavalo para resolver certos assuntos governamentais com os nativos, foi baleado e faleceu antes que pudessem trazê-lo de volta para casa. Eu era filho único e, depois de outro mês, minha mãe e eu nos preparamos para retornar à Inglaterra. Pouco antes de partirmos, o mesmo estranho voltou e disse que estava pronto para transferir para mim a fortuna de meu pai. Expliquei-lhe que meu pai havia sido baleado.
“‘Sim’, respondeu o estranho, ‘quando parti há dois meses, eu sabia que seu pai faleceria antes de meu retorno. Providenciei para que a fortuna fosse transferida para você, ou melhor, para o Banco da Inglaterra em seu nome. Aqui está dinheiro que poderá querer usar na viagem de volta, bem como os documentos de transferência e as credenciais de que precisará no banco. Apresente-os e receberá a custódia de sua fortuna. Grande parte dela está em diamantes de primeira qualidade.’ Agradeci e me ofereci para pagar por seus serviços, mas ele respondeu:
“‘Sua gentil intenção é muito apreciada, mas isso já está acertado. Ficarei feliz em acompanhá-los até o navio em Bombaim.’
“A viagem revelou-me sua grande sabedoria, e ao lado dele eu me sentia como uma criança. Agora sei que ele me envolveu em uma Radiação que permaneceu comigo ao longo dos anos. Ele providenciou o transporte, acompanhou-nos até o navio, e suas últimas palavras para mim foram:
“‘Lembre-se — do “Cálice de Cristal”. Busque e encontrará.’
“Depois de uma viagem maravilhosa, chegamos a Southampton, seguimos para Londres e apresentamos minhas credenciais ao Banco da Inglaterra. O funcionário a quem as entreguei observou:
“‘Sim, estávamos esperando o senhor hoje. Aqui estão seus livros bancários e de cheques.’
“Olhei para eles para saber a quanto chegava minha fortuna e fiquei espantado ao descobrir que cem mil libras haviam sido creditadas em meu nome. Cinco anos depois, minha mãe faleceu. Transferi metade de minha riqueza para um banco em Nova York e comecei a busca pelo ‘homem com o Cálice de Cristal’.
“Jamais conseguirei relatar as decepções, provações e tristezas pelas quais passei, mas, apesar de tudo, de algum modo nunca consegui desistir. O que me parece tão estranho é que, embora eu tenha envelhecido na aparência exterior, minha energia e minha força continuam tão grandes quanto sempre foram — às vezes penso que são até maiores do que no auge de minha juventude.
“Tenho setenta anos. Hoje, apenas senti vontade de seguir esta trilha e, graças a Deus, encontrei o senhor. Meu desejo era tão intenso que se tornou quase irresistível.”
“Mas, meu bom homem”, perguntei, “o que devo fazer por você?”
“O senhor saberá”, respondeu ele, “pois sei que não me enganei. No coração desta majestosa montanha existe um Grande Poder. Eu o sinto. Peça a Deus que lhe mostre o que fazer.”
De repente, senti o “Poder Imenso de Deus” irromper com tanta força que quase me levantou do chão. Fazendo o sinal que Saint Germain me havia ensinado, invoquei a Deus por “Luz” e, erguendo a mão em saudação, disse:
“Poderoso Deus no homem e no Universo! Buscamos Tua Luz! Buscamos Tua Sabedoria! Buscamos Teu Poder! Seja feita Tua Vontade em e por este Meu Irmão, que me buscou e me encontrou para que eu faça por ele aquilo que não sei. Tu sabes! Manifesta Tua Vontade através de minha mente e de meu corpo, e que se manifeste tudo o que deve ser feito por este Irmão — Teu Filho.”
Quando minha mão desceu, ela segurava o Cálice de Cristal cheio de “Luz Líquida Viva”. Ofereci-o a ele, e meu Poderoso Eu Divino falou novamente.
“Beba sem medo. Sua busca terminou.”
Ele bebeu o conteúdo sem um instante de hesitação. Avancei rapidamente e tomei suas duas mãos nas minhas. Lenta e continuamente, todo vestígio de idade desapareceu dele, e o Deus em mim continuou:
“Vê! Estás para sempre livre de toda limitação terrena. Ascende agora ao ‘Grande Exército de Luz’ que te aguarda.”
Muito lentamente, ele começou a se elevar do chão e, enquanto isso acontecia, suas roupas humanas desapareceram e ele se viu revestido de vestes de um branco cintilante. Soltei suas mãos. Então, em uma voz de profundíssimo Amor, disse:
“Voltarei a ti, Amado Irmão. Serás devidamente recompensado por este Serviço Transcendente. Tu eras o único por meio de quem isso poderia ser feito por mim. Algum dia, verás por quê”, e, com um sorriso feliz, desapareceu por um Radiante Caminho de “Luz”.
Quando o Poder Imenso de Deus dentro de mim recuou, fiquei tão atônito que caí de joelhos e ofereci a oração mais profunda de minha Vida em humilde gratidão e louvor pelo privilégio de prestar semelhante serviço.
Levantei-me, e o Mestre Saint Germain recebeu-me em seu maravilhoso abraço.
“Meu Amado Irmão!”, disse ele. “Estou profundamente satisfeito. Nobre e fiel foi sua atenção ao Grande Deus Interior. Lindamente você recebeu seu Poderoso ‘Deus em Ação’. Eu realmente o felicito. Você será sempre mantido em Nosso Abraço, ainda que exteriormente nem sempre esteja consciente disso.
“Você se tornou um digno ‘Mensageiro’ da Grande Fraternidade Branca e do Exército Ascensionado. Mantenha-se estreitamente unido a seu Poderoso Eu Divino. Assim, estará sempre pronto para servir onde quer que seja e em tudo o que for necessário. Meu Amor o envolve até nos encontrarmos novamente. Eu o manterei informado.”
Lentamente, retomei o caminho para o alojamento, e cada passo era louvor e gratidão ao “Único Deus Poderoso” que nos molda a todos na “Perfeição Eterna”.
CAPÍTULO IX
Vênus Visita o Royal Teton
MUITAS semanas haviam se passado, e chegou a manhã de trinta e um de dezembro de mil novecentos e trinta e, com ela — o Mestre Saint Germain.
“Esteja pronto às sete horas desta noite”, instruiu ele, “e virei buscá-lo. Focalize sua atenção tanto quanto possível na Glória de Deus dentro de você, para que possa receber plenamente o benefício destinado a esta Ocasião Divina. Lembre-se de seu Raio Gêmeo e de seu filho, pois vocês três serão convidados de honra da Fraternidade do Royal Teton em sua Assembleia de Ano-Novo esta noite.”
Passei o restante do dia em profunda meditação. Ele chegou às sete horas e, como eu já havia colocado meu corpo físico na cama, saí dele no corpo que ele havia preparado para mim.
“Esta noite”, continuou ele, “será realizada uma experiência que não é feita há mais de setenta mil anos. Estamos perfeitamente confiantes no sucesso desta ocasião, pois todos estão agora bem preparados. Venha.”
Devemos ter viajado a grande velocidade, embora eu não o percebesse, e logo estávamos sobre o cume do Royal Teton, onde a espessa cobertura de neve fazia com que a montanha cintilasse ao luar como milhões de diamantes. Ao nos aproximarmos da entrada do tubo, notei uma área livre ao redor dela com um raio de pelo menos cem pés. Quando entramos, a atmosfera parecia quente e confortável. Prosseguimos pela entrada, que havia sido aberta para os participantes da celebração de Ano-Novo.
Saint Germain e eu entramos na grande câmara de audiência e encontramos Lotus e nosso filho, que já haviam chegado com seu acompanhante, Amen Bey. Nossa alegria nessa ocasião foi muito grande, pois não estivéramos juntos no plano físico havia cerca de dois anos e, durante esse período, enquanto trabalhávamos fora do corpo, cada um estivera ocupado com suas próprias atividades individuais, que exigiam que permanecêssemos em canais diferentes nos Planos Interiores.
A grande sala estava brilhantemente iluminada, e a gloriosa fragrância de rosas e flores de lótus enchia o ar. A música mais doce e encantadora parecia flutuar de todas as direções. Muitos já haviam chegado, e outros vinham a cada poucos instantes.
Notamos que um grande objeto, coberto por um tecido dourado, havia sido colocado no centro da sala, mas, como nenhuma explicação foi dada a respeito, permanecemos em silêncio. Saint Germain nos apresentou aos convidados e depois nos conduziu a uma sala repleta de raros instrumentos musicais. Vimos um grande órgão de tubos e quatro harpas feitas de uma substância semelhante à pérola, com colunas de ouro; as caixas de ressonância e as partes superiores eram construídas de metal branco. As cordas agudas das harpas eram revestidas de prata, as graves de ouro, e o material de que eram feitas produzia um som que combinava os timbres do metal, da madeira e da voz humana. O som desses instrumentos só pode ser conhecido ao ser ouvido, pois era diferente de tudo o que já havia sido usado no mundo exterior da música no Ocidente. O timbre produzido por esse material incomum se aproximava mais de alguns dos maravilhosos sons do esraj, um instrumento usado na Índia.
Vimos quatro violinos, também feitos de uma substância semelhante à pérola, mas cuja ressonância ultrapassava em muito a de qualquer madeira conhecida. As cordas eram revestidas tanto de ouro quanto de prata e produziam uma beleza de som quase indescritível. Ouvimos todos esses instrumentos serem tocados mais tarde naquela noite.
Retornando ao Grande Salão de Audiência, Saint Germain mostrou a Lotus e a nosso filho os belos retratos que haviam sido recentemente transferidos do templo de Mitla, em Oaxaca, México. Conduziu-os pela sala de registros, onde lhes foram mostradas as evidências de minhas observações anteriores com ele.
Para o trabalho realizado durante essa celebração de Ano-Novo, todos os membros do Royal Teton estavam vestidos com simples túnicas douradas de magnífico material, tendo o emblema da Fraternidade bordado sobre o lado esquerdo do peito de modo a parecer veludo azul-escuro, exatamente no mesmo tom do grande painel que formava o Espelho Cósmico.
Havia setenta homens, trinta e cinco senhoras e o Mestre Presidente, Lanto, que é o Bendito Irmão responsável por este Retiro. Quando todos os pertencentes a esse ramo haviam se reunido, ele deu um passo à frente e dirigiu-se a eles, dizendo:
“Agora são onze horas e é hora de nossa meditação. Esta noite, derramemos adoração à ‘Grande Luz’, sintamos que somos ‘Um’ com nossa própria Divindade durante trinta minutos e, nos trinta minutos seguintes, reconheçamos a ‘Unidade’ de Vênus com nossa Terra. Que todos ocupem seus lugares habituais e formem uma elipse no centro da sala.”
Durante uma hora, pareceu que cento e seis figuras douradas estavam unidas em uma única respiração, tão completa era sua sintonia. Ao fim da meditação, uma alegre explosão de música encheu o imenso salão, e Lanto colocou-se diante do Grande Espelho.
Ele estendeu as mãos, e uma tremenda labareda de “Luz” fulgurou sobre o espelho, revelando ao longe um grupo de pessoas cercado por “Luz” dourada, rosa e violeta, deslumbrante em sua beleza e radiação. Eles se aproximaram, e as mesmas cores gloriosas e maravilhosas preencheram a grande câmara de audiência, transmitindo a todos um tremendo sentimento de elevação e poder.
Pouco depois, doze Visitantes de Vênus estavam em nosso meio, vestidos com trajes brancos e cintilantes, que ultrapassavam todo poder de descrição. Eram sete cavalheiros e cinco senhoras, todos extraordinariamente belos.
Seis dos homens tinham pelo menos seis pés e quatro polegadas de altura; o sétimo era duas polegadas mais alto que os demais. As senhoras tinham cerca de cinco pés e dez polegadas. Todos tinham cabelos castanho-claros, com exceção do Alto Mestre, cujos cabelos eram de um glorioso ouro puro. Seus olhos brilhantes e penetrantes, de um azul-violeta, eram belos e fascinantes.
O Alto Mestre fez a saudação do Oriente, tocando o coração e a testa com as pontas dos dedos da mão direita, e inclinou-se profundamente diante de Lanto. Os demais também avançaram, cumprimentaram-no e foram apresentados aos presentes. Lanto pronunciou uma breve saudação de boas-vindas, da qual apenas a seguinte parte pode ser registrada:
“Na ‘Presença’ do Único Deus Supremo e daqueles da ‘Grande Fraternidade Branca’ aqui reunidos, estes doze Visitantes de Vênus são feitos ‘Membros da Fraternidade do Royal Teton’.”
O Alto Mestre foi feito Mestre Presidente da noite. Ele agradeceu as boas-vindas, dirigiu-se ao centro da sala e fez com que o tecido dourado fosse retirado dos objetos que cobria.
Eis que diante de nós estavam as três urnas de cristal, ainda contendo os corpos preservados de Lotus, de nosso filho e o meu. Pareciam formas que haviam acabado de adormecer, resplandecentes de perfeita saúde. O Mestre Presidente voltou-se para nós e perguntou:
“Estão prontos?” E nós três respondemos afirmativamente.
“Então, ocupem seus lugares ao lado dos recipientes”, instruiu ele.
Obedecemos e imediatamente uma Radiação Maravilhosa se reuniu e se fechou ao redor dos corpos e de nós mesmos, aumentando rapidamente de intensidade até que devíamos estar invisíveis à visão exterior. Depois de alguns instantes, a Radiação diminuiu e, para nosso espanto, as urnas estavam vazias. Estávamos ali revestidos daqueles corpos que havíamos deixado de lado havia tanto tempo e que haviam sido preservados e purificados pela “Chama da Vida” durante todos aqueles séculos.
A transformação foi surpreendente, e o sentimento não pode ser descrito, pois estávamos tão espantados quanto o leitor. Entretanto, o lado humano de qualquer pessoa, mesmo em seu melhor estado, conhece tão pouco das tremendas Maravilhas que existem por toda parte ao nosso redor o tempo todo, e das Possibilidades Infinitas em cada plano da Vida, que todas as coisas são possíveis; e quanto mais vivemos em Amor e no reconhecimento de nossa Divindade, mais dessas Maravilhas existentes em toda a Criação serão reveladas em nossas vidas individuais.
A experiência havia se mostrado bem-sucedida e, enquanto nos movíamos entre os Irmãos e Irmãs, todos felicitavam o Mestre e a nós pela realização. Regozijavam-se grandemente pelo fato de uma experiência tão incomum ter se tornado uma poderosa Verdade, e muitos comentavam o quanto aqueles corpos se pareciam com os dos Visitantes de Vênus.
As urnas de cristal foram então levadas de volta à sua sala, e os maravilhosos instrumentos musicais foram trazidos para a câmara de audiência. Saint Germain tocou a primeira peça no grande órgão, uma composição que chamou de “Corações do Futuro”. Pareceu-me a música mais delicada, colorida e, ao mesmo tempo, poderosa que jamais saíra de um órgão na Terra. Enquanto ele tocava, as mais belas cores, magníficas além de toda descrição, derramavam-se pela atmosfera da enorme sala.
Um grupo tocou a peça seguinte. O Mestre Saint Germain estava ao órgão; três Mestras de Vênus e Lotus tocavam quatro harpas; dois Irmãos de Vênus, nosso filho e eu tocávamos quatro violinos. Quando todos estavam prontos, as palavras “Almas em Êxtase” fulguraram acima do órgão, enquanto Saint Germain tocava o prelúdio. Todos mergulharam profundamente na plenitude e na alegria daquela música maravilhosa. O volume e o poder cresceram a tal magnitude que parecia que a beleza e a glória daquela alegria deveriam liberar Consciência Divina suficiente para elevar toda a humanidade, sim, até a própria Terra, à Perfeição Eterna.
Mais quatro peças foram tocadas com o mesmo tremendo poder de elevar e harmonizar tudo, até sentirmos como se a própria montanha pudesse flutuar. Ao término da música, os instrumentos foram devolvidos à sua sala, e o Mestre Presidente acomodou todos na ordem adequada diante do Grande Espelho. Ele tomou seu lugar no ponto correspondente à Terra no triângulo, e cenas maravilhosas de Vênus começaram a aparecer, enquanto ele explicava cada detalhe que não fosse evidente por si mesmo.
As imagens revelaram muito de seu sistema educacional, mostrando instrumentos astronômicos cuja perfeição deixaria o mundo científico atual sem palavras de admiração e espanto, e equipamentos de geólogos para examinar o interior dos estratos dos planetas Vênus e Terra. Vimos inventores e várias de suas extraordinárias descobertas, que ultrapassavam nossa imaginação mais ousada.
“Muitas dessas invenções”, explicou o Mestre, “entrarão em uso na Terra durante a Era do Cristal Dourado em que agora entramos.”
Algumas das principais invenções que serão utilizadas na Terra foram explicadas e, se a humanidade pudesse vê-las, ganharia ânimo e seria tremendamente encorajada quanto ao futuro. Talvez essas imagens de Vênus sejam retomadas e descritas em uma obra separada mais adiante, caso se obtenha permissão.
As cenas de Vênus terminaram, e as relacionadas à Terra apareceram na tela. Muitas mudanças foram mostradas para os setenta anos seguintes. Elas afetavam a Europa, a Ásia, a Índia, as Américas do Norte e do Sul e revelavam-nos que, independentemente de todas as aparências no presente, a força sinistra que tenta criar caos e destruição em todo o mundo será completamente destruída. Quando isso for realizado, a massa da humanidade se voltará para a “Grande Presença Divina” dentro de cada coração e também governando o Universo. “A Paz reinará na Terra — e o homem enviará boa vontade ao homem.” Essa Revelação foi extraordinária. Em seguida vieram as cenas finais, que diziam respeito principalmente aos Estados Unidos durante o século seguinte. O progresso e o avanço que esse país realizará são quase inacreditáveis.
Essas coisas são verdadeiras, pois a “Grande Lei Divina” não comete erros, e as Revelações daquela noite de Ano-Novo são os Registros Eternamente Verdadeiros de Deus.
Foram mostradas certas grandes almas que despertariam, seriam elevadas e acrescentadas ao Exército dos Seres Ascensionados para levar adiante esse grande progresso. O Mestre Presidente então lembrou aos presentes os “Benditos Kumaras” e, com uma voz repleta de Amor e Adoração, deu a seguinte explicação em homenagem a eles.
“Os Sete Kumaras, que alguns estudantes dos Planos Interiores conheceram como ‘Senhores da Chama’ de Vênus, foram os Únicos, em todo este sistema de planetas, que, por sua própria livre vontade e infinito Amor, ofereceram-se para guardar os filhos da Terra e ajudar em seu progresso ascendente. Eles vieram e prestaram ajuda transcendente aqui, no período mais crítico do crescimento da Terra. Era o momento de iniciação mais perigoso na Vida de um planeta e de sua humanidade, mas, por sua proteção e orientação, a meta foi alcançada e a humanidade pôde chegar às ‘Alturas Maiores’.
“Muitos dos Irmãos compreendem que, a cada dois mil e quinhentos anos, os Kumaras liberam um derramamento grandemente intensificado de Amor Cósmico, Sabedoria e Energia. Essa Luz Flamejante e Radiação Transcendente, inundando a Terra e seus habitantes e interpenetrando tudo, constitui um tremendo processo de elevação e dá um impulso para a frente ao crescimento de toda a Terra, assim como de sua humanidade.
“Pouco antes de cada um desses Grandes Derramamentos, ocorrem extraordinárias perturbações físicas, e um estado geral de inquietação é sentido pelas pessoas. Tal perturbação se deve à discórdia que se acumulou durante o final do período anterior. A geração de semelhante desarmonia deve-se sempre ao afastamento do ‘Princípio da Vida’ fundamental, e a perturbação do sentido humano assim criada contamina a atividade exterior da humanidade, a Terra e sua atmosfera.
“É para purificar tudo isso e trazer a humanidade de volta à Pureza Original da Vida que a ação cataclísmica ocorre. Depois desses períodos, os Kumaras liberam um enorme derramamento de ‘LUZ’ para iluminar e fortalecer os filhos da Terra, capacitando-os finalmente a alcançar a Suprema Realização.
“Estamos nos aproximando de outro período semelhante e, desta vez, a liberação do Grande Amor Cósmico, da Sabedoria e da Energia, os Poderosos Raios de Luz, não apenas acelerará as mentes da raça, mas também a estrutura atômica da Terra, tornando-a mais ‘Luminosa’ em nosso sistema solar. Nunca, desde que esses Grandes Senhores da Chama vieram à Terra, as condições permitiram que ocorresse um Derramamento tão Grande quanto aquele que acontecerá em breve. Muitos que pareciam ter se endurecido por suas atividades anteriores despertarão, por assim dizer, quase da noite para o dia, e sentirão a Proximidade da Grande ‘Presença’ Divina dentro de cada coração. Muitos que foram mansos e humildes, mas se mantiveram próximos da ‘Presença Interior’, subitamente resplandecerão, surpreendendo a si mesmos e aos outros pela Luz Transcendente que eles manifestarão. Tudo será realizado pelo Poder do Amor Divino, e a humanidade começará verdadeiramente a perceber que é o cúmulo da insensatez uma parte da Criação de Deus guerrear contra outra parte.
“O desejo de abençoar os outros, em vez de a si mesmos, entrará quase involuntariamente no coração da humanidade e enviará uma ‘Luz’ que iluminará o restante do ‘Caminho para a Perfeição’.
“Somente o egoísmo mantém os filhos desta esfera na escravidão e na miséria que puderam se expressar na Terra; mas, quando a ‘Luz do Cristo’ expande o ‘Amor no Coração’, o egoísmo foge e retorna ao mar do esquecimento.
“Grandes mudanças físicas naturais ocorrerão. Dois Grandes Centros de ‘Luz’ derramarão sua bênção sobre a humanidade — um será a Gloriosa e Cintilante ‘Presença’ de Shamballa em sua Radiação Deslumbrante, e o outro aparecerá nos Estados Unidos, porém não onde alguém até agora foi levado a acreditar, mas em um ponto que ainda não foi indicado aos canais exteriores do mundo.
“Durante a atual atividade de assistência e intenso derramamento de ‘Luz’ pelo Grande Exército Ascensionado, que auxilia os filhos da Terra, centenas de seres humanos perceberão seus atuais corpos físicos serem acelerados pela rápida elevação da frequência vibratória e, quando isso se completar, compreenderão que a limitação e a discórdia físicas humanas caíram como uma velha roupa gasta; e que eles, os Filhos da Luz, permanecem para sempre em unidade com a ‘Chama da Vida Eterna’ e a ‘Perfeição da Juventude e da Beleza Eternas’ — uma realidade visível e tangível.
“Amados filhos da Terra, vocês se encontram no Limiar das Eras. Sua porta é mantida aberta pelos ‘Grandes Seres de Amor’, que sempre os convidam a caminhar conscientemente ao lado deles na ‘Luz’. Não importa quais sejam as atividades no mundo exterior, caminhem com a ‘Luz’ e na ‘Luz’, independentemente das aparências. Então descobrirão que um Mestre da ‘Luz’, que percorreu esse mesmo caminho antes de vocês, sempre os observa e permanece ao seu lado, revelando o ‘Verdadeiro Caminho’.
“O ciclo muda e entramos em uma Nova Dispensação, que traz consigo um meio mais seguro, mais poderoso e ainda assim rápido, pelo qual aquele que sobe o Caminho da Realização pode manter contato permanente com a ‘Grande Luz Cósmica’.
“Nesta Nova Ordem, a disciplina do neófito consistirá em focalizar e manter sua atenção inteiramente nos três centros mais elevados do corpo, e ele realizará todo o seu trabalho a partir desses pontos. Somente os centros no coração, na garganta e na cabeça receberão consideração e atenção conscientes.
“Todo o esforço do aspirante consistirá em manter sua atenção sobre esses centros, pois somente desviando-a dos centros inferiores conseguirá algum dia elevar-se para fora da miséria e da limitação. O centro no topo da cabeça é o foco mais elevado no corpo humano, e ali entra o Cordão de Prata de ‘Luz Branca Líquida’ proveniente da Grande Fonte da Criação.
“Quando a atenção da mente é mantida firmemente sobre esse ponto, a Porta da Alma se abre e a Atividade Tríplice da Pura Luz Branca circunda a cintura logo abaixo do plexo solar, cortando para sempre as atividades destrutivas da natureza animal no homem. Isso permite que sua alma se lance em sua Completa Atividade Divina, novamente unida à Perfeição de Sua Fonte e, daí em diante, Eternamente Mestra de toda criação humana — o que significa as discórdias da Terra. Os estudantes sinceros deveriam meditar frequentemente sobre a Ação Perfeita da ‘Luz Dourada’ dentro da cabeça, pois Ela iluminará e ensinará à mente exterior todas as coisas boas. Esta é a ‘Luz do Deus Interior’. A pessoa deve sentir que Ela preenche toda a sua consciência, seu corpo e seu mundo. Esta é a ‘Luz que ilumina todo homem que vem ao mundo’, e não existe ser humano que não possua dentro de si alguma porção dessa ‘Luz’.
“Há muitos em toda a Terra que estão despertando rapidamente e sentindo a Poderosa Onda dessa ‘Luz Interior’ derramando-Se através deles e encontrando, assim, expressão cada vez maior. Se mantiverem rigidamente a harmonia, sustentarem inabalavelmente sua atenção sobre o Eu Divino Interior, aceitarem e visualizarem a atividade plena de Sua Radiação Deslumbrante, poderão circundar-se com a Atividade Tríplice da Luz Branca. Isso corta a criação discordante do mundo exterior.
“Amados Irmãos e Irmãs, será nossa grande alegria e privilégio reunir-nos com vocês em janeiro e julho de cada ano, aqui em seu Retiro, por causa da Proximidade e do Derramamento da Luz Divina que Tudo Controla, a qual em breve inundará a América de costa a costa.
“Agora, enquanto os recipientes de cristal estão sendo trazidos, meditemos profundamente sobre a ‘Unidade de Vênus e da Terra, a Onipresença da Divindade que habita na forma’.”
Permanecemos em profundo silêncio por cerca de dez minutos, e então o Mestre Presidente instruiu-nos três a ocupar nossos lugares ao lado das urnas. Ele fez o Sinal do coração e da cabeça, cruzou as mãos sobre o peito e invocou a “Presença Divina”:
“Tu, Poderoso Criador do Universo e de tudo o que ele contém, Tu, Único Deus Onipresente, aguardamos a Manifestação de Tua Grande Presença Beneficente.”
Uma suave essência luminosa de cor rosa envolveu a nós e aos recipientes, aproximando-se e fechando-se ao nosso redor. Subitamente, um Grande Feixe de Luz Branca Deslumbrante penetrou na Radiação envolvente, permaneceu por três ou quatro minutos e gradualmente desapareceu de vista.
Quando olhamos para os recipientes, os três corpos repousavam dentro deles. Observando uns aos outros, estávamos novamente revestidos dos corpos que o Mestre Saint Germain havia preparado para nós — e graças aos quais pudéramos visitar a Grande Assembleia no Royal Teton.
O Mestre Presidente abençoou os presentes, a “Fraternidade do Royal Teton” e todos sobre a Terra, prometendo estar novamente com eles no julho seguinte.
Os Doze de Vênus então ocuparam seus lugares sobre o círculo no piso do salão de audiência.
Toda a montanha tremeu com o Poder Imenso de Deus que eles atraíram, e a “Luz” assim focalizada tomou a forma de uma enorme águia, com o corpo violeta e a cabeça e os pés dourados. A sala inteira se encheu de uma “Luz Branca Flamejante”, formando uma das extremidades de um “Grande Caminho de Essência Luminosa”, pelo qual os Doze Seres Radiantes retornaram ao seu lar em Vênus.
A Visão Suprema contemplada pelos presentes supera tudo o que as palavras podem descrever. À medida que a Grande Atividade Vibratória diminuía, uma Maravilhosa Radiação Cristalina iluminou o Espelho Cósmico, e as palavras: “Paz e Iluminação para toda a Terra e seus habitantes. Bênçãos de Vênus” apareceram sobre sua superfície.
Cada convidado tocou o coração e a testa, cruzou as mãos sobre o peito e inclinou-se em aceitação do Poderoso Derramamento. Todos passaram diante de Lanto e receberam instrução individual para o trabalho de mil novecentos e trinta e um; depois sentaram-se em profundo silêncio e adoração à “Grande Luz”. Ao fim da meditação, uma gloriosa explosão de música encheu o grande salão e as cabeças se inclinaram para receber Sua Bênção. Sua voz, clara, bela e ressonante, soou:
“Não há nada Supremo além de Deus. Não há nada Eterno e Real além do Cristo. Não há nada Verdadeiro além da Luz. Estes Três são ‘O Uno’. Tudo o mais é sombra. Lembrem-se: as sombras ocultam, as sombras enganam e as sombras fazem a humanidade tropeçar.
“Aquele que percorre o Caminho de Luz permanece fiel ao Cristo e mantém sempre o olhar voltado para Deus, vive em um mundo próprio, intocado pelo turbilhão fervilhante ao seu redor, embora trabalhe sempre dentro dele enquanto as sombras durarem. Sobre elas, projeta sua Luz e, assim, obriga-as a passar para o mar do esquecimento.
“Não existe felicidade à parte de voltar-se para o Único Grande Deus e adorá-Lo, a Fonte de Tudo. Nada é permanente além do Cristo. Não há caminho para avançar através do Universo senão pelo ‘Caminho de Luz’.
“Se vocês se armarem com esta Compreensão Eterna da Vida, jurarem fidelidade apenas à sua Fonte — Deus — permanecerem fiéis ao Cristo e levarem a Luz, aceitarão como seu código de honra a obrigação de ‘Amar e abençoar a Vida’, não importa sob que forma ela esteja se expressando, onde quer que a encontrem. Este é o Plano Eterno da Existência, e aquele que O conhece pode seguir para qualquer parte do Universo, explorar tudo o que ele contém e ainda permanecer intocado por quaisquer sombras que a humanidade tenha criado em seu esquecimento de Onde veio.
“Somente DEUS é Grande, e toda Glória pertence unicamente à ‘Fonte de toda Grandeza’. Aquele que conhece apenas sua Fonte e recusa tudo o mais é verdadeiramente sábio, pois se torna Felicidade Permanente e é Mestre onde quer que vá.
“Então, e somente então, poderá tornar-se Criador de Mundos. Sobre eles derramará sua felicidade e, nessa atividade, viverá realmente o Plano Divino para todos.
“Membros da Fraternidade do Royal Teton! revelem este Plano aos filhos errantes da Terra. Derramem Sua Radiação sobre as sombras que eles mesmos criaram e indiquem-lhes ‘O Caminho para o Grande Sol Central’ — nossa Fonte Transcendente. Minha Luz os envolve, Meu Poder os sustenta e Meu Amor respira através de vocês para aqueles que buscam seu lar na ‘Luz’.
“Amada humanidade, que esta mesma Poderosa Radiação derrame sua Luz para iluminá-la, curá-la e abençoá-la com aquele Amor Divino que sempre manterá todos próximos no Abraço Eterno da ‘Única Luz Suprema’.
“América, que Deus a abençoe e a revista agora com a ‘Luz Eterna sem Sombra’.”
FINIS
